Crítica – “A Maldição da Mulher Que Chora” (“The Curse of La Llorona”)

por Manuel São Bento

1970. Los Angeles. La Llorona persegue a noite… e as crianças. Ignorando o aviso estranho de uma mãe perturbada, suspeita de colocar menores em perigo, uma assistente social, Anna (Linda Cardellini), e os seus próprios filhos, são atraídos para um reino sobrenatural assustador. A única esperança de sobreviver à ira fatal de La Llorona resta num sacerdote desiludido com a vida e o seu misticismo que pratica para manter o mal longe das almas, nos limites onde o medo e a fé colidem.

Não é tão mau como The Nun, permitam-me relaxar-vos à partida. Se há algo que este filme prova é o talento que Michael Chaves tem por detrás da câmera, o que oferece alguma esperança para The Conjuring 3. Contrariamente ao outro spin-off do universo, The Curse of La Llorona (em português A Maldição da Mulher Que Chora) atenuou a exposição preguiçosa e elevou as sequências assustadoras, simplesmente por ter um realizador mais capaz. Fantásticas cenas one-take encontram-se espalhadas por todo o tempo de execução, o que não só aumenta o suspense, mas prova que Chaves realmente trabalha bastante para proporcionar um ambiente aterrorizador.

Também produz alguns jump scares eficazes e inovadores, mesmo que a maioria deles ainda sigam um timing irritantemente previsível. Estes ainda são muito baseados no cliché de “personagem vira a cabeça, um grande monstro feio grita com toda a sua força e a banda sonora vai do silêncio a um volume estridente”. Cenas como estas já não são assustadoras e são algo “antiquadas”, bem como a típica história de origem. Não há nada de novo ou entusiasmante numa “lenda urbana que afinal é verdade”.

Felizmente, a história é simples. Não é preenchida com exposição explícita a cada dois minutos, e a curta duração ajuda o filme a desenvolver através de um ritmo rápido. Por outro lado, é apenas mais um argumento de horror comum que os escritores tiraram da gaveta dos guiões clássicos.

Linda Cardellini tem um forte desempenho como protagonista. Apesar de todas as personagens deste filme tomarem decisões questionáveis que acabam por levar a eventos evitáveis (algo ironicamente inevitável em filmes de horror), Anna é uma mulher caridosa e corajosa, que apenas quer o melhor para todas as crianças, não só as suas. Raymond Cruz retrata Rafael, um sacerdote que praticamente se comporta como ou ajuda a despoletar um deus ex machina. Mal tem qualquer tipo de desenvolvimento decente de personagem, mas funciona bem o suficiente como comic relief para transformar num tom mais leve o que, de outra forma, seria demasiado negro. Os atores jovens são bons, mas Patricia Velasquez (Patricia Alvarez) é incrivelmente over-the-top, o que não ajuda o seu já enfraquecido guião.

No final, The Curse of La Llorona é… “okay”. Não é tão horrível como The Nun, e honestamente, isto é um bom elogio para um filme de horror tão típico e cliché como este. Michael Chaves realmente salva o que poderia ter sido um desastre com outro realizador. Sequências one-take maravilhosamente controladas, aumentando os níveis de suspense, e também a produção de alguns jump scares imaginativos, mesmo que a maioria deles tenham falta de um medo real.

Linda Cardellini lidera muito bem o filme, mas é pena que todas as personagens sejam obrigadas a tomar decisões absurdas para mover o enredo para a frente. Algumas personagens também necessitavam de um maior cuidado nos seus guiões, além de um maior foco na história a contar, ao invés de apenas criar sustos após sustos.

Estiveram quase, mas não perto o suficiente…

Nota:

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