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Conan Osiris no Lux – A consagração de um fenómeno nascido na Internet

Quando a Música no Coração, promotora do Super Bock Super Rock, anunciou um warm up do festival, um dos nomes que ficou logo debaixo de olho foi o de Conan Osiris. O representante de Portugal no Festival Eurovisão deste ano surgia em destaque, muito principalmente devido ao que conquistou após o lançamento do álbum Adoro Bolos no final de 2017 na Internet.

Neste warm up do conhecido festival, Conan Osiris começou a sua mini tour com um concerto esgotadíssimo no Lux, em Lisboa, sendo que os bilhetes voaram pouco depois de terem sido colocados à venda. E foi numa sala a abarrotar de fãs que Conan Osiris provou que está aqui para ficar.

O público era muito diversificado, havendo desde adolescentes a adultos na casa dos 50-60, o que mostra que as letras e músicas de Tiago Miranda não são indiferentes às diversas faixas etárias.

Eram cerca de 23h15 quando as luzes se apagaram. Perante uma sala já muito expectante, Conan Osiris começou a sua atuação com “Beija Flor”, sem qualquer instrumental, como já é costume, num tema que não se encontra nos Spotifys desta vida. Mal tinha começado a cantar, ouvia-se ao lado: “Este gajo tem uma voz do caraças”, de uma jovem que ficou facilmente impressionada.

Logo depois, um dos primeiros momentos bem celebrados na noite: “Borrego”, revelando desde logo que os presentes sabiam a letra de cor e salteado.

Por esta altura, Conan Osiris já era apoiado no palco pelo fabuloso João Moreira, bailarino que o acompanha em todos os concertos. Endiabrado e irriquieto como já o conhecemos, Moreira mostrou que não é preciso ter formação em dança para dar um bom show, fazendo as delícias de quem por ali andava com o telemóvel na mão.

Na terceira música ainda a coisa fazia mexer, e muito, principalmente com “QMD (Quem me dera que tu fosses ‘pó caralho)”, com o público que esgotava a sala inferior do Lux a acompanhar o músico na célebre expressão.

“Agora vamos acalmar um bocadinho”, disse Conan Osiris antes de se lançar a “Barcos (Barcos)”, tema do álbum Adoro Bolos. Mas nem por isso os seus “bebés”, como Osiris chama aos seus seguidores, deixaram de prestar atenção.

Custa a acreditar que Tiago Miranda só tenha começado a dar concertos desde janeiro do ano passado, tal é o seu à vontade em palco. Mete-se com o público, é bastante falador, dança que se farta e varia as letras dos temas a seu bel prazer, tal como peixe na água. Se o palco parece o habitat natural de Osiris, só temos pena que não tenha começado as atuações ao vivo mais cedo.

Aliás, desde a atuação no Super Bock em Stock, a última vez que a equipa do Echo Boomer o viu, que se nota uma descontração ainda maior quando está a atuar, como se já fosse um veterano da indústria. Veterano ou não, a verdade é que Conan Osiris sabe como encantar multidões.

Apesar de tudo, este foi um concerto com um alinhamento muito semelhante a esse do festival da Música no Coração, onde já se tinha dado esta afirmação de um fenómeno que nasceu da Internet. Tal com dessa vez, a dramática “Titanique”, o brilhantismo de “Coruja”, a gulosa “Adoro Bolos” (que deu a conhecer Conan Osiris a muita gente) ou a muito aplaudida (talvez a maior ovação da noite) “Celulitite”, que é o mesmo que dizer “mania que tem celulite”, não falharam. A diferença? A inclusão da já muito popular “Telemóveis” no alinhamento.

De salientar ainda que, durante quase todo o concerto, Conan Osiris teve a ajuda do flautista Sunil e de um outro amigo que não conseguimos precisar o nome em algumas músicas, fazendo com que ganhassem nova roupagem.

Estávamos quase no final do concerto e eis que chega “Amália”, um tema do primeiro álbum, Silk, e uma das melhores canções que Osiris já escreveu e produziu. Foi bonito ver o Lux a entoar: “Sabes que a saudade anda aos beijos com a morte;
Amália pega em mim e leva-me a dançar”.

Mas havia tempo para mais duas. “100 Paciência”, qual mais, muito pedida pelos presentes, e “Nada Nada Nada Nada”, a fechar com chave de ouro um belíssimo concerto.

Ainda houve quem pedisse “mais uma”, mas os seus fiéis seguidores sabiam que a noite tinha terminado por ali.

Começou por conquistar a Internet, depois uma série de fiéis e, mais recentemente, Portugal inteiro. Tiago Miranda aka Conan Osiris trilhou um caminho bem curioso, mostrando que não é um fenómeno passageiro ou um one hit wonder.

Agora, enquanto não vai a Tel Aviv e traz o prémio para casa (esperamos nós), resta continuar a segui-lo e esperar que um dia o possamos ver num Coliseu. E com uma banda ao vivo também seria giro.

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