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Chico Buarque no Coliseu dos Recreios – Uma noite para celebrar a vida

Foi no passado dia 7 de junho que o Coliseu dos Recreios contrariou esta primavera chuvosa e recebeu os ritmos quentes do Brasil pela voz do inconfundível Chico Buarque.

Francisco Buarque de Hollanda é um dos grandes nomes da música popular brasileira, com uma carreira que começou nos anos 60 e mais de 80 discos editados. Filho de um historiador, aos 18 anos já tinha escrito o seu primeiro conto e, a partir daí, foi só aliar o jeito para contar histórias, com o gosto pela música para se tornar no sucesso que é. 

A casa estava cheia, uma mistura de gerações que só evidenciava uma carreira cheia de sucessos que transcende todas as idades. Pais e filhos, avós e netos, portugueses e estrangeiros, tudo junto e misturado para cantar as músicas que nos foram marcando ao longo dos anos.

Porque é isso que as músicas de Buarque nos fazem: marcam-nos, fazem-nos sentir, transportam-nos para fases da nossa vida. São poemas, são frases, são palavras que nos fazem sentir uma ligação com ele e que falam da vida, da vida de todos, sem manias, sem segredos, sem pensar… E ali estávamos nós, rendidos aos encantos de uma lenda.

Chico deu-nos de tudo um pouco: temas dele, temas de Jobim, poemas de Vinícius… Começou com “Minha Embaixada”, seguindo-se “Iolanda”, “A Moça do Sonho”, “Desaforos” e comoveu todos com “Todo o Sentimento”.

Foi um repertório bem distribuído, alternando baladas com os verdadeiros sons da música popular brasileira. E entre uma música e outra, ia deixando escapar uma história sobre todos estes anos de espetáculos, de música e de partilha com outros músicos.

Aos 73 anos de idade, Chico Buarque ainda apresenta uma inocência de um menino, que sorri pouco, mas que tem um olhar que mostra o amor que sente pelo que faz e por quem está ali a admirar a sua obra. Agradece os aplausos, demonstra uma humildade pouco vista nos dias de hoje e, quando se engana, admite e pede desculpa com uma graciosidade inesquecível.

E quando tem que acabar um concerto? Fá-lo sem vontade. Sim, e foi essa pouca vontade de deixar aquele palco do Coliseu que fez Chico voltar não uma, mas duas vezes, para nos fazer cantar em uníssono sucessos dos anos 70, como “Geni e o Zeppelin”.

Dedicou o concerto a Wilson das Neves, baterista e compositor brasileiro, que tinha como imagem de marca um chapéu de palha. E foi como Chico escolheu terminar aquela noite, com um chapéu de palha e a dançar junto ao público, mostrando o que é ter samba no pé, independentemente da idade. O público, depois da segunda ovação, já não se sentou e ficou a acompanhar Chico numa viagem no tempo que não se esquece facilmente. O palco encheu-se de ramos de flores em agradecimento não só pela noite especial que ele nos proporcionou, como por toda uma carreira cheia de poemas que nos vão acompanhar por muitos e muitos anos.

Descrever a carreira de Chico Buarque é tão difícil como descrever aquele concerto. Mas não restam dúvidas do músico, do escritor, do poeta, do homem que ele é. E quando na plateia vemos grandes nomes da esfera musical portuguesa, como Carminho e Carlos do Carmo, percebemos a inspiração que é Chico Buarque e que, apesar da diferença entre o fado e a música popular brasileira, o objectivo é o mesmo, fazer passar através da música a história e a cultura de um povo. Dois povos que agarraram nas alegrias e nas tristezas e as transformam em música para que sejam sentidas de outra forma e para que cheguem, como se viu, a todas as gerações.

Chico, “quem sabe um dia, por descuido ou poesia, você goste de ficar”

Texto de: Mafalda Fidalgo

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