O sucesso dos remakes de Resident Evil têm desempenhado um papel importante na gestão de projetos na Capcom, permitido financiar novos jogos e explorar novas propriedades intelectuais.
A Capcom considera que os remakes de Resident Evil são uma parte muito importante da sua estratégia de desenvolvimento de jogos e na decisão do que fazer a seguir. Em entrevista à Game Informer, o produtor Masachika Kawata explicou que estes projetos são capazes de gerar receitas que depois permitem investir tanto em novos jogos da série como em novos IP (propriedades intelectuais), ao mesmo tempo que também ajudam a equipa a aperfeiçoar as suas capacidades.
De acordo com Kawata, desenvolver um novo Resident Evil todos os anos seria uma tarefa difícil. Por essa razão, os remakes permitem manter uma cadência regular de lançamentos de uma série muito acarinhada pelos fãs, enquanto a equipa continua a ganhar experiência e a melhorar os seus métodos de trabalho.
“Poder revisitar jogos antigos e recriá-los ajuda a Capcom a cumprir esse objetivo de lançar um jogo de Resident Evil todos os anos, mas também permite à equipa continuar a desafiar-se e a aperfeiçoar as suas capacidades,” explica Kawata,que também e considera os remakes tão importantes como novas entradas na série. “Isso não significa que os remakes sejam menos importantes. Na verdade, são tão importantes como os jogos principais.”
Como seria de esperar, não é só a série Resident Evil que beneficia com este ciclo de remakes, uma vez que o seu sucesso também permite à Capcom continuar a investir em projetos completamente novos. “A Capcom teve a sorte de encontrar este ciclo, que continua a fornecer os recursos financeiros necessários para criar novos jogos da série Resident Evil e novas propriedades intelectuais, como Pragmata. Existe uma relação direta entre estas duas vertentes.”
Atualmente Resident Evil continua a ser uma das principais séries da editora. No mais recente relatório financeiro, a Capcom atribuiu parte do crescimento das receitas ao desempenho de Resident Evil Requiem, bem como ao aumento contínuo das vendas dos restantes jogos da franquia.
Ao longo da última década, a Capcom lançou três remakes de Resident Evil, sendo Resident Evil 4, de 2023, o mais recente e o remake de um videojogo que mais vendeu esta geração, tendo vendido 4 milhões de unidades só este ano. Já o próximo remake de Resident Evil será Resident Evil Veronica, atualmente previsto para o próximo ano.
Questionado sobre a possibilidade de desenvolver novos spin-offs de Resident Evil, Kawata reconheceu que existe interesse por parte dos fãs, mas garantiu que essa não é a prioridade da equipa.“Talvez haja muitas pessoas que gostassem de ver mais spin-offs. Mas, honestamente, a equipa está a dar tudo o que tem neste momento em projetos como Resident Evil Requiem e os remakes. Estamos totalmente focados nisso e não sobra muito espaço para desenvolver um spin-off.”
As declarações de Kawata e a abordagem da Capcom aos remakes, demostram uma dimensão e importância por vezes subvalorizada na indústria e pela comunidade de jogadores, que recorrentemente se opõem à ideia de remakes e remasters dos seus jogos favoritos, argumentando que vêm substituir a existência dos jogos já existentes e que estes tipos de projetos ocupam recursos que poderiam ser utilizados em novas ideias. O caso da Capcom, não é o único, mas é um perfeito exemplo de uma estratégia que entrega aos fãs algo que os satisfaz e ainda consegue tirar partido da situação para continuar a desenvolver mais jogos de forma consistente e saudável.
