Boox Note Max Review: o ePaper ideal para quem precisa de trabalhar com conforto

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O Boox Note Max tem um ecrã com umas impressionantes 13,3 polegadas e é surpreendentemente fino. Sem luz frontal e com um preço elevado, não é para todos – mas para quem vive entre documentos e notas, é difícil encontrar algo melhor.

Há uns meses, comecei a sentir que precisava de mudar a forma como trabalho. O meu telemóvel estava constantemente na minha mão, as notificações eram constantes, e a sensação de nunca conseguir verdadeiramente focar-me em algo durante mais de cinco minutos tornou-se algo chata. Foi nesse contexto que descobri a tinta eletrónica, e desde então tenho explorado este universo com genuíno entusiasmo. Passei pelo Boox Palma 2 Pro, pelo Note Air 4C e pelo Go 10.3, e em cada um deles encontrei qualidades que aprecio bastante e que me fizeram ganhar confiança neste ecossistema da Boox.

Ainda assim, havia uma pergunta que ficou por responder: o que muda quando aumentamos substancialmente o tamanho do ecrã? Por isso, quando me apareceu a oportunidade de testar o Note Max, encarei isso como um passo natural nesta jornada. A resposta, ao fim de várias semanas de uso intensivo, é complexa, e é precisamente por isso que têm de ficar comigo até ao fim desta análise.

A primeira coisa que senti quando tirei o Boox Note Max da caixa foi a sua espessura, ou melhor, a falta dela. Com apenas 4,6 milímetros de espessura, é difícil acreditar que um dispositivo desta dimensão possa ser tão fino, algo que acho genuinamente surpreendente, mesmo até em comparação com o Boox Go 10.3, que acaba por ser também mais pequeno. O ecrã mede 13,3 polegadas na diagonal, o que é equivalente a uma folha A4, e quando o segurei pela primeira vez, apercebi-me de que estaria a segurar algo com as dimensões de um pequeno portátil, mas muito mais leve: apenas 615 gramas, o que é razoável para o tamanho que tem, embora ao fim de algum tempo comece a sentir o peso acumulado a segurar com uma mão. O chassi é metálico, o que confere solidez e uma sensação de qualidade que não se discute, mas que também contribui inevitavelmente para esse peso.

De resto, o design é limpo e minimalista, como de resto é habitual na marca. A estrutura é maioritariamente branca e cinzenta, com molduras em torno do ecrã que são ligeiramente mais escuras do que seria de esperar – não é uma falha grave, mas um detalhe que reparo e que, honestamente, me parece uma escolha estética um pouco estranha. No lado esquerdo do dispositivo existe uma borda mais larga, uma espécie de lombada, que foi concebida para facilitar a pega. Na prática, funciona bem quando seguro o dispositivo com a mão esquerda, permitindo um apoio mais natural.

No lado direito, a caneta fixa-se magneticamente, e devo dizer que a aderência é bastante firme. Ao contrário de experiências passadas com dispositivos que têm arestas arredondadas, as arestas planas do Note Max permitem que o íman segure a caneta com muito mais eficácia. No entanto, e quando levo o Note Max na mochila, é frequente a caneta acabar “perdida” no fundo.

No topo do dispositivo, encontra-se o botão de energia, que sobressai ligeiramente e tem uma linha vermelha para identificação fácil, tanto visualmente como ao toque. Em baixo, do lado esquerdo, está a porta USB-C, que serve para carregamento, transferência de dados e uso OTG, e há também um LED que indica quando está a carregar. No lado esquerdo, ao centro, existe um conector POGO de cinco pinos para ligar a capa com teclado, ladeado por dois altifalantes e duas pequenas reentrâncias que servem de suporte quando a capa é usada como base.

A capa padrão que acompanha o Note Max é simples, mas funcional. O exterior tem um acabamento plástico com textura em cinzento escuro, onde está o logótipo da Boox em verde, e o interior é também verde, com a frase “Make a difference” gravada. A capa adere ao tablet por magnetismo, e embora a ligação não seja a mais forte que já vi, serve bem o propósito para uso diário. O painel traseiro pode dobrar-se para transformar a capa num suporte, com duas ranhuras que permitem dois ângulos de inclinação diferentes, o que acaba por torná-la ainda mais versátil.

Passando ao ecrã: é aqui onde o Note Max brilha verdadeiramente. A resolução de 300 PPI é excecional para um dispositivo desta dimensão. O resultado é um ecrã onde o texto parece absolutamente nítido, onde os ícones são bem definidos e onde a escrita à mão fica registada com uma clareza que, honestamente, me impressiona todas as vezes que uso o Note Max. Além disso ainda usa tecnologia Carta 1300, que ajuda a melhorar ainda mais o contraste e torna os tempos de resposta mais rápidos. Acabo por sentir a diferença, especialmente em tarefas de escrita e leitura de documentos.

No entanto, há um aspeto que levou tempo a aceitar: o ecrã não tem luz frontal, ou seja, não tem qualquer tipo de retroiluminação. Isto significa que, em ambientes com pouca luz, fico simplesmente sem conseguir ver o que está escrito. Para quem está habituado a usar dispositivos de leitura eletrónicos com luz integrada, esta ausência é sentida como uma limitação séria. Em viagens de transporte público de manhã cedo ou à noite, há momentos em que simplesmente não consigo usar o Note Max de forma confortável porque a iluminação ambiente não é suficiente. Percebo a lógica por detrás desta opção, já que, sem luz frontal, o ecrã acaba por ter uma aparência mais próxima do papel, sem reflexos ou a pequena separação visual que a luz cria entre a superfície e o “papel digital”. No entanto, é um sacrifício que nem toda a gente está disposta a fazer. Para quem trabalha predominantemente em ambientes bem iluminados, ou que valoriza acima de tudo a experiência visual mais natural possível, esta é uma excelente escolha. Para quem precisa de flexibilidade total de iluminação, vai ser um obstáculo constante.

Também é importante referir que o ecrã é monocromático, isto é, sem suporte a cores. Quem depende de anotações coloridas ou documentos com esquemas de cores para organização visual, pode sentir que a experiência pode ficar um pouco aquém daquilo que o ecrã a cores oferece. As imagens aparecem algo escuras com as configurações predefinidas. Podemos sempre desativar o modo de “alto contraste”, o que acaba por melhorar bastante a situação, mas nem sempre é suficiente. O fundo branco do ecrã não é tão branco quanto o de outros dispositivos de tinta eletrónica sem luz, o que explica em parte porque as molduras são de um cinzento ligeiramente mais escuro – a Boox optou por suavizar o contraste visual entre o ecrã e a moldura, o que acaba por ser uma escolha que faz sentido.

(foto capa livro; foto banda desenhada; foto aplicação leitura)

Há outro fenómeno que me acompanhou ao longo das semanas de uso: o ghosting. Quem já usou dispositivos de tinta eletrónica sabe do que estou a falar: daquela “sombra” que fica no ecrã depois de mudar de página ou de aplicação, como que um resquício da imagem anterior que não desaparece completamente. No Note Max, este fenómeno é mais frequente do que eu esperaria, e é especialmente visível em imagens. Contudo, não é algo que impeça o uso do dispositivo (aprendi a conviver com isso e a configurar um gesto de atualização manual do ecrã para quando a situação se torna mais evidente). E recentemente, a Boox lançou algumas atualizações para melhorar substancialmente esta questão do ghosting no Note Max.

Em termos de desempenho, o Note Max é um dos dispositivos de tinta eletrónica mais potentes que já usei. Está equipado com um processador Qualcomm Snapdragon 855 com oito núcleos a 2,8 GHz, 6GB de RAM e 128GB de armazenamento interno. Tem também o que a Boox chama de BSR (Boox Super Refresh), uma combinação de processamento gráfico dedicado e software próprio que permite taxas de atualização mais rápidas no ecrã de tinta eletrónica. O resultado prático é que aplicações de terceiros funcionam com muito mais fluidez do que se esperaria num ecrã deste tipo. Não é comparável a um tablet convencional, mas para o contexto de tinta eletrónica, o desempenho é muito porreiro.

Relativamente ao seu sistema operativo, uma versão adaptada do Android 13, é uma das grandes vantagens do Note Max. Tenho acesso à Google Play Store, logo posso instalar as aplicações que uso no dia a dia, como o Google Drive, Google Docs, Gmail, e uma série de outras ferramentas de produtividade, e o dispositivo comporta-se de forma bastante estável com a maioria delas. A opção multitarefa com ecrã dividido funciona e, dada a dimensão do ecrã, é genuinamente útil: consigo ter um documento aberto de um lado e as minhas notas do outro, sem sentir que estou a trabalhar num espaço demasiado apertado. Aliás, este é um dos grandes atrativos e uma mais-valia que outros ecrãs mais pequenos não conseguem competir no mercado.

Boox Note Max - ecrã dividido

(foto ecrã multi tarefa)

No entanto, há aplicações que simplesmente não funcionam bem num ecrã de tinta eletrónica sem retroiluminação. Qualquer coisa com animações pesadas, interfaces coloridas ou que dependa de atualização rápida do ecrã torna-se frustrante de usar, mas é perfeitamente natural para o tipo de produto em questão.

Portanto, a navegação na internet é funcional para consultas rápidas e acesso a documentos, mas é importante ter em conta que se trata de uma experiência diferente de quando usamos um tablet ou smartphone, já que aqui o scroll é lento, as páginas com muito conteúdo visual acabam por ficar escuras e difíceis de interpretar. É uma ferramenta de apoio, não um substituto para um browser convencional.

Já a interface do sistema é onde sinto mais ambivalência. À primeira vista parece simples, mas esconde uma quantidade enorme de opções de personalização que não são imediatamente óbvias. Os ícones nem sempre são intuitivos quanto à sua função, e há funcionalidades que só descobri depois de pesquisar fora do dispositivo. Há um centro de controlo de tinta eletrónica, modos de atualização do ecrã configuráveis por aplicação, gestos personalizáveis, a NaviBall (uma espécie de atalho flutuante que se pode posicionar em qualquer ponto do ecrã e programar para diferentes ações e é também uma das minhas ferramentas preferidas da Boox), bem como uma série de outras ferramentas que, uma vez dominadas, tornam o fluxo de trabalho bastante eficiente. Mas lá está, requer uma curva de aprendizagem e por isso alguma paciência para explorar os menus e ir explorando o potencial do dispositivo.

Dentro destas aplicações, é a aplicação de notas da Boox que mais se destaca para mim. Permite criar cadernos de notas manuscritas, notas de texto, importar ficheiros locais como modelo para anotações, e há ainda uma opção de notas rápidas para quando uma ideia surge de repente e preciso de a registar sem demora. Dentro das notas manuscritas, há uma seleção variada de estilos de caneta (caneta normal, pincel caneta, caneta ballpoint, lápis e marcador) e cada um tem comportamentos distintos em termos de pressão e espessura da linha (o intervalo da espessura do tracejado vai variando conforme o estilo de caneta selecionado).

A sensibilidade à pressão funciona bem na maioria dos casos, embora a sensibilidade à inclinação não seja suportada, o que limita um pouco as possibilidades para quem gosta de sombreados ou técnicas de desenho mais elaboradas. Há também suporte para formas, eixos de coordenadas para gráficos, e a possibilidade de usar capturas de ecrã de documentos abertos na aplicação de leitura como base para anotações. Esta é uma funcionalidade muito interessante para quem estuda ou trabalha, já que permite copiar o que precisarmos de um livro ou documento para um caderno de notas sem ter a parte chata de alternar entre aplicações.

Os modelos disponíveis para os cadernos de notas são muitos e variados, mas o que mais me entusiasma é a possibilidade de carregar qualquer ficheiro PDF ou PNG como modelo personalizado. Criei modelos com grelhas específicas, com formulários que uso regularmente no trabalho, e com layouts que se adaptam melhor às minhas necessidades do que qualquer opção predefinida. Este tipo de flexibilidade torna o Note Max num dispositivo genuinamente útil para o meu dia-a-dia.

A experiência de escrita em si é muito boa. O ecrã tem uma película mate que confere uma textura ligeiramente rugosa à superfície, semelhante ao papel, o que dá ao traço da caneta uma sensação mais natural e com menos tendência a deslizar em demasia. A caneta que já vem incluída, a Boox Pen Plus, não precisa de pilhas, nem de carregamento, já que funciona com recurso à tecnologia Wacom EMR.

Com baixa latência e boa precisão, esta caneta é bastante simples, com um aspeto quase cilíndrico e com ranhuras laterais para melhor aderência, mas sem botões extra nem borracha no topo. Admito que, em dispositivos com botões laterais na caneta, já ativei funções sem querer por distração, por isso a simplicidade da Pen Plus é, a meu ver, uma vantagem. Convém realçar que as pontas são substituíveis e gastam-se com o uso regular, ou seja, quem escrever bastante vai, muito provavelmente, precisar de as trocar a cada dois ou três meses, o que representa um custo recorrente a ter em conta.

(foto ponta caneta; pontas caneta)

O Note Max conta ainda com dois altifalantes e dois microfones. Os altifalantes são funcionais e adequados para ouvir um podcast ou um audiolivro sem exigências de qualidade de som, mas não esperem grande potência sonora. Nesse caso, recomenda-se o uso de auriculares sem fios via Bluetooth, o que acaba por colmatar esta questão dos altifalantes. Já a entrada USB-C suporta OTG, o que significa que posso ligar dispositivos externos como pens USB, cartões MicroSD ou um rato.

Relativamente à bateria, esta tem 3700 mAh. Para um uso típico de algumas horas por dia entre leitura e escrita, é realista esperar entre três a quatro dias de uso antes de precisar de carregar. Para um dispositivo com BSR ativo, que acaba por consumir mais bateria do que dispositivos sem esta tecnologia, trata-se de um resultado bastante aceitável. Para voltar a carregar o Boox Note Max basta ligar à corrente via USB-C, e em cerca de uma hora fica completamente carregado.

O que se percebe ao usar o Note Max é que o seu objetivo é ter um dispositivo de produtividade focado, com um ecrã amplo, capacidade de anotação avançada, flexibilidade de software e ausência de distrações, sendo o investimento ideal para estudantes, investigadores, ou profissionais que trabalham com documentos longos e densos, e por fim, para pessoas que valorizam a concentração que apenas um ecrã de tinta eletrónica pode proporcionar.

Para quem está a pensar em adquirir o Note Max, a minha sugestão é que pensem primeiro na forma como trabalham. Se passam horas a ler artigos académicos, a anotar documentos, a fazer cálculos ou a escrever textos longos, e se valorizam um ambiente que convida à concentração em vez de à distração, o Note Max vai fazer todo o sentido no dia-a-dia. É preciso é que tenham atenção ao preço: 629.99€ no Standard Bundle e 731.98€ para o Keyboard Cover Bundle. É um investimento considerável a fazer…

Inês Lopes
Inês Lopes
Dentista nas horas vagas e colaboradora do Echo Boomer no tempo que sobra. Fã de gadgets, livros e tâmaras (não necessariamente por esta ordem), adoro explorar o mundo através da comida e das viagens. Se não me encontrarem a escrever ou a trabalhar, é porque estou confortavelmente instalada no sofá, provavelmente a devorar um novo livro.
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