Nova stablecoin portuguesa do Bison Bank permite pagamentos internacionais com base em blockchain e cumprimento das regras MiCA.
O Bison Bank anunciou o lançamento de um novo ativo digital classificado como electronic money token, que a instituição identifica como a primeira stablecoin portuguesa associada a um banco. O instrumento passa a estar disponível em duas versões distintas: uma indexada ao euro, designada EUB, e outra referenciada ao dólar norte-americano, identificada como USB.
Segundo o banco, estes novos criptoativos foram desenvolvidos para facilitar pagamentos internacionais e transferências transfronteiriças, com foco na rapidez de execução, segurança e transparência das operações. A iniciativa surge na sequência de uma estratégia anunciada no início do ano, centrada no desenvolvimento de soluções de tokenização e na integração de ativos digitais no sistema financeiro tradicional.
O lançamento ocorre no contexto da entrada em vigor do regulamento europeu MiCA (Markets in Crypto-Assets), que estabelece regras comuns para o mercado de criptoativos na União Europeia. De acordo com o Bison Bank, os novos tokens foram estruturados para cumprir este enquadramento legal, que define requisitos ao nível da supervisão, proteção dos utilizadores e estabilidade financeira.
A aposta em ativos digitais não é inédita na instituição. Em 2022, o banco criou a Bison Digital Assets, uma subsidiária dedicada a serviços de criptoativos. Esta entidade tornou-se o primeiro prestador de serviços de ativos virtuais (VASP) licenciado pelo Banco de Portugal a operar sob controlo direto de um banco nacional, permitindo aos clientes aceder a serviços de compra, venda e custódia de criptoativos a partir de contas bancárias.
Os chamados electronic money tokens correspondem, na prática, a representações digitais de moeda fiduciária suportadas por tecnologia blockchain. Cada unidade emitida está associada a um valor equivalente em moeda tradicional – neste caso, euros ou dólares – sendo garantida por reservas detidas pelo banco numa proporção de um para um. Esta estrutura permite que o ativo mantenha um valor estável, ao contrário de outros criptoativos sujeitos a flutuações significativas.
Estes tokens poderão ser utilizados para operações internacionais entre entidades parceiras, reduzindo a dependência de intermediários tradicionais e encurtando os tempos de liquidação. O banco aponta ainda para ganhos de eficiência operacional, sobretudo em contextos de pagamentos entre diferentes jurisdições.
