Ben Harper e Charlie Musselwhite na Aula Magna: Noite de glória pintada de blues

22 anos depois da sua estreia na Aula Magna, Ben Harper voltou a encher esta sala de emoção, desta vez acompanhado pela lenda viva do blues, Charlie Musselwhite, para a apresentação do novo álbum da dupla No Mercy In This Land, editado a 30 de março. Este álbum surge cinco anos depois de Get Up, que venceu o Grammy de melhor álbum de blues e chegou a conquistar o primeiro lugar na tabela de blues da Billboard, o que deixou os fãs ansiosos por mais.

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E foi numa sala cheia de fãs ansiosos de todas as idades e nacionalidades, e cheios de soul, que estes dois músicos de alto gabarito brilharam mais que as próprias estrelas num concerto intimista com muita alma, mas, também, com muito humor à mistura.

O concerto começou com os dois músicos sentados e com Charlie no comando, como o próprio Ben descreve, “Charlie “transforma notas em emoções que nos assombram porque nos soam familiares e ao mesmo tempo novas”, e foi assim que os pés de toda a gente começaram a acompanhar os ritmos calorosos dos blues. Já ninguém conseguiu ficar parado e, pela noite dentro, o romance entre a dupla e o público foi mútuo.

Charlie Musselwhite Fotografia: Nuno Conceição
Ben Harper & Charlie Musselwhite
Fotografia: Nuno Conceição

As palavras de afeto que surgiam da plateia foram uma constante; “és o maior”, “bravo”, “amo-te” e até um curioso “toca aquela” foram algumas das expressões usadas por um público efusivo e devoto. Já Ben pagou na mesma moeda e confessou que era uma honra e um privilégio voltar àquela sala e tocar de novo para o público português, dizendo ainda que “todas as bandas dizem isto, mas eu falo a sério”.

Ainda houve espaço para mostrar o seu sentido de humor quando pediu desculpa pelo seu inglês, uma vez que, depois da eleição de Donald Trump, os americanos ficaram proibidos de falar inglês fora dos EUA e que, agora, até no Reino Unido se fala francês, o que fez o público soltar algumas gargalhadas e um forte aplauso. Esta referência leve à política não deixa de fazer sentido, uma vez que este álbum conta algumas das experiências dos dois músicos e a sua sobrevivência nos EUA e a luta pelo sonho americano.

A meio da noite, Ben, considerado por Musselwhite como “o homem que reinventou o Blues”, sentou-se ao piano e tocou “Nothing At All”, apenas acompanhado por Charlie, protagonizando um dos momentos mais emocionantes do concerto, seguindo-se o tema “Trust You To Dig My Grave“, que foi apresentada pelo músico como não sendo uma canção de amor convencional: “É uma canção que fala de confiança e a confiança e o amor são como uma mão direita e uma mão esquerda”

Charlie Musselwhite Fotografia: Nuno Conceição
Ben Harper & Charlie Musselwhite
Fotografia: Nuno Conceição

Claro que uma mão cheia de Blues, neste caso quatro, não podiam terminar sem o público pedir mais, e eles lá voltaram para o encore que contou com alguns clássicos de outras lendas da esfera musical, primeiro “When the Levee Breaks”, de Kansas Joe MCkoy e Memphis Minnie, adaptada mais tarde por Led Zeppelin, seguindo-se “Yer Blues” dos Beatles, e terminando, desta vez a sério, com Ben a capella na beira do palco a cantar “All That Matters Now”, tema que encerra o primeiro álbum da dupla.

Sala cheia, almas cheias, sorrisos na cara e blues a sair pelos poros foi o que aconteceu nesta noite repleta de surpresas, que serviu para mostrar que os grandes músicos nunca envelhecem e que a simplicidade é a chave em algumas vertentes da música. Quem esteve presente não esquecerá tão cedo e certamente vai querer repetir esta experiência única; quem não foi pode ouvir este extraordinário álbum que mostra bem a cumplicidade entre os dois músicos da mesma forma que foi sentida ao vivo.

Texto de: Mafalda Fidalgo

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