Crítica – Barbarian

- Publicidade -

Barbarian merece o hype que tem recebido!

O género de horror tem tido lançamentos inconsistentes este ano. As probabilidades de sair desapontado ou muito satisfeito encontram-se próximas, mas curiosamente, são as obras mais elogiadas de 2022 que me têm surpreendido pela negativa. Esta “maldição” tem vindo a melhorar ligeiramente com o tempo, mas tem sido complicado entrar no cinema com expetativas elevadas e estas revelarem-se acertadas. Barbarian é mais um filme do género incrivelmente elogiado por uma vasta maioria e, desta vez, fico contente por poder afirmar que merece o hype recebido.

Pessoalmente, realizadores e/ou argumentistas estreantes causam sempre um interesse extra. Zach Cregger é o responsável máximo por Barbarian, um filme que justifica a utilização do famoso provérbio “não se deve julgar um livro pela capa“. Com uma premissa enganadoramente genérica – personagens descobrem uma cave secreta assustadora num Airbnb estranhamente localizado – Cregger “brinca” de forma inteligente com a antecipação dos espetadores, principalmente com os que estão mais acostumados ao género em questão. O cineasta constrói cenas que, em muitos filmes de horror, seguem um determinado caminho previsível, impossibilitando qualquer fator surpresa e estragando potenciais jumpscares.

Em Barbarian, sempre que um dos tais desenvolvimentos formulaicos se encontra perto da sua conclusão, Cregger troca às voltas aos espetadores através de transições abruptas de deixar qualquer cinéfilo completamente perplexo. As mudanças tonais bruscas são uma jogada de risco gigante, visto que podem “assustar” os membros do público mais descontraídos e menos interessados em prestar imensa atenção a uma obra da qual apenas esperavam uns sustos clássicos e mais uma variação de um conceito narrativo datado. Ou seja, uma boa porção da audiência.

Devido a estes momentos espontâneos, Barbarian consegue transformar um argumento que seria demasiado simples noutras mãos e contar uma história repleta de reviravoltas e difícil de prever, gerando uma atmosfera incrivelmente intrigante durante praticamente todo o tempo de execução. As sequências longas no labirinto subterrâneo aparentemente infindável possuem níveis de suspense e tensão eficientes, mas o maior sucesso de Cregger passa pela forma como é capaz de transmitir as suas mensagens através da fantástica subversão de expetativas.

Barbarian

Desde personagens que emanam desconfiança a partir do primeiro segundo a supostas “criaturas” das quais qualquer pessoa receia instintivamente, Barbarian explora a definição daquilo que interpretamos como “bom”: seja uma “boa pessoa”, uma “boa ação” ou até “boas intenções”. Existe subjetividade? Ou é algo inerentemente factual? É possível alguém ser uma “boa pessoa que cometeu uma má ação” por mais reprovável e criminosa que esta seja? Cregger aborda este tema de tal maneira eficientemente que, no final, quem esperávamos reprimir e afastar termina como quem melhor compreendemos e defendemos – o contrário também sucede.

O primeiro choque tonal é muito bem-vindo, transformando um primeiro ato que perdia interesse a cada minuto que passava num filme que nunca mais baixou os níveis de entretenimento. A segunda vez não tem o mesmo impacto e levanta demasiadas questões que ficam por responder, mas mantém o ritmo fascinante durante o resto da obra. As prestações de Bill Skarsgård e Justin Long enquanto duas personagens completamente distintas – novamente, o tópico “as aparências iludem” é o foco – merecem elogios, mas Georgina Campbell é verdadeiramente fenomenal ao interpretar a protagonista corajosa e esperta.

Tecnicamente, a cinematografia de Zach Kuperstein e a produção artística de Rossitsa Bakeva destacam-se, mas Barbarian é um filme de horror raro, no sentido em que é a própria narrativa original que faz a obra distinguir-se do restante leque do género. Obviamente, possui momentos assustadores e visualmente perturbadores, mas nada que impressione tanto como a história de Cregger, contada através de um estilo único e arrojado. Apenas por isto, já merece a recomendação.

Barbarian merece o hype que tem recebido! O storytelling único de Zach Cregger deixa qualquer espetador perplexo, transformando uma premissa genérica numa história verdadeiramente cativante, repleta de suspense e tematicamente rica, onde a definição de “boa pessoa” é brilhantemente explorada. Joga com a antecipação do público, principalmente com fãs do género já habituados ao desenrolar de determinados arcos formulaicos, através de reviravoltas interessantes e mudanças tonais bruscas. Georgina Campbell destaca-se do resto do elenco, mas todos são importantes em incorporar o mantra “as aparências iludem“. Visualização obrigatória, preferencialmente entrando às cegas.

Barbaryan está disponível no Disney+.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados

- Publicidade -

Mais recentes

Barbarian merece o hype que tem recebido! O género de horror tem tido lançamentos inconsistentes este ano. As probabilidades de sair desapontado ou muito satisfeito encontram-se próximas, mas curiosamente, são as obras mais elogiadas de 2022 que me têm surpreendido pela negativa. Esta "maldição" tem...Crítica - Barbarian