Bang & Olufsen comemora centenário com viagem sonora pela sua história em Cascais

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A Bang & Olufsen reviveu um século de inovações, passando da resistência nazi ao Beosound Premier com IA.

No coração da GMS Store de Cascais, a Bang & Olufsen assinalou os 100 anos de existência com um “press day” que transportou jornalistas e convidados por um século de inovações sonoras, design e resiliência.

Fundada em 1925 por Peter Bang e Svend Olufsen, dois engenheiros dinamarqueses sem background em design, a marca – apelidada internamente The Old Lady – demonstrou por que se define como sinónimo de som premium de luxo.

Carlos Rocha, director executivo da GMS Store – parceira Apple há 15 anos e Bang & Olufsen há oito –, traçou o mapa da rede nacional: a unidade pioneira em Zamborizais dos anos 90, o maior hub em Cascais com ênfase em negócios B2B e residencial (ligações a decoradores e arquitetos), a loja na Avenida da Boavista no Porto e presenças no El Corte Inglés de Lisboa e Porto. “É um ano especial pela celebração dos 100 anos”, disse, passando depois a palavra a Miguel Martín, especialista em formação comercial que nos levou numa viagem pelos 100 anos da marca.

Tudo começou nos anos 20, os “loucos” após a Primeira Guerra, com a rádio a dominar e o cinema ainda mudo. Bang e Olufsen entraram como “startup” a fabricar rádios – o seu Eliminator, primeira patente, permitiu ligação directa à rede elétrica, eliminando baterias perigosas e ineficientes num mundo de casas a electrificar-se sem electrodomésticos. Seguiram-se os 30, marcados pelo crash de 29: rádios e gramófonos com traços Bauhaus e Art Deco, priorizando simplicidade e usabilidade – influências que perduram, embora a marca nunca o admita abertamente.

A década de 40 trouxe destruição: invasão nazi na Dinamarca, fábricas controladas e arrasadas em 1945 por “insuficiente colaboração” – a Bang & Olufsen integrou a resistência, com Peter Bang mais ativo politicamente. Sem baixas nos 200 colaboradores, sobreviveram fabricando depiladoras e lâminas inspiradas na Remington durante sete a oito anos, até regressarem a rádios, gramófonos e televisores por volta de 1950, alinhados com as primeiras emissões dinamarquesas em 1952 e ibéricas pouco depois.

A Guerra Fria e a Guerra da Coreia enquadraram os anos 50. Já os anos 60 explodiram com os Beatles, a chegada à Lua, o Vietnam, os hippies e as lutas por direitos civis e femininos: o transistor de 1947 revolucionou tudo, e a Bang & Olufsen lançou o primeiro sistema high-fidelity totalmente transistorizado em 1962, o ano do assassinato de John F. Kennedy.

O punk, a disco, os Queen e a queda do Muro de Berlim animaram os anos 70. Jacob Jensen elevou o design a profissionalismo ao introduzir o alumínio e após fomentar um diálogo simbiótico entre engenheiros e criativos. Exemplo disso é o Beogram 5000, amplificador-tuner com colunas grandes e cubos omnidirecionais de seis tweeters para agudos direcional.

O techno e Michael Jackson definiram os 80. A invenção do multiroom veio com o Beolink em 1982 – sistema patenteado ainda hoje –, controlado por um telecomando que integrava áudio, vídeo, satélite e luzes via sensores táteis e infravermelhos, permitindo truques como som de rádio num jogo de futebol para mais dinamismo. Em 1986, a marca entrou na telefonia fixa com alta-fidelidade: volume de áudio/vídeo ajustável diretamente no auscultador durante chamadas. E sabiam que o BeoCom 6000, de 1988, com roda de scroll de feedback acústico audível, inspirou a roda click do iPod?

Os telemóveis e os ficheiros .MP3 trouxeram o dilema qualidade vs quantidade nos 90. David Lewis, pupilo de Jensen, criou ícones como o changer de seis CDs e o remoto Beo4 em zinco, que dissipava calor funcionalmente. Já o wireless e os Black Eyed Peas marcaram os 2000. Por sua vez, o golo de Iniesta no Mundial de Espanha em 2010, Sia e o streaming com algoritmos avançados definiram os 10 anos seguintes.

Com a pandemia de 2020, a marca lançou uma mão cheia de produtos “on the go” nesse ano. Dois anos depois, chegariam ao mercado a Beosound Theatre e a Beolab 28.

A inteligência artificial domina agora os anos 20 deste milénio, otimizando som e usabilidade – de Rosalía a The Weeknd da era covid. A Beosound Premier, último lançamento de 2025, é o expoente: barra de som luxuosa expansível a quatro colunas, sete canais internos com True Image e Dolby Atmos. O preço? 4.900€.

Hugo Faria
Hugo Faria
Licenciado em Informática de Gestão e com Mestrado em Sistemas de Informação de Gestão na Coimbra Business School, fui um dos que contribuiu, do ponto de vista tecnológico, para o nascimento do Echo Boomer. Tenho uma paixão que se divide pela tecnologia, pela música e pelos automóveis, tópicos esses que são explorados por mim em cada artigo que escrevo e publico por aqui.
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