100 anos de história saem dos arquivos do Vaticano para o digital num projeto ligado à inteligência artificial

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Em breve, vai ser possível consultar milhões de documentos dos arquivos do Vaticano, alguns dos segredos mais bem guardados do mundo, de forma digital.

O Vaticano iniciou um dos maiores projetos de preservação documental da sua história recente: a digitalização de mais de 100 anos de publicações, fotografias e documentos institucionais, num esforço que combina tecnologia de ponta, conservação patrimonial e uma futura integração com sistemas de inteligência artificial para melhorar o acesso e a verificação de informação.

O projeto é liderado pelo Dicastério para a Comunicação, responsável por gerir o vasto acervo produzido pelos serviços de imprensa e comunicação da Santa Sé ao longo do século XX e início do XXI. Entre o material a ser preservado encontram‑se manuscritos raros, muitos deles frágeis e sensíveis à manipulação, publicações oficiais, fotografias históricas que documentam eventos marcantes da Igreja Católica, e milhões de outros documentos importantes para a história católica, produzidos ao longo de décadas e guardados nos arquivos do Vaticano.

A novidade está na tecnologia utilizada pelo Vaticano para garantir a integridade dos documentos. Com recurso a scanners contactless da empresa PFU/RICOH, é possível digitalizar livros e papéis antigos sem contacto direto, evitando danos e assegurando uma reprodução fiel em alta resolução, mantendo intacta a missão dos arquivos do Vaticano. À Agência ECCLESIA, a empresa tecnológica explica que o objetivo principal deste projeto passa por criar um arquivo digital garantindo “elevados padrões de segurança, qualidade e fiabilidade” de forma a “garantir a preservação destes documentos sem limitar o acesso à informação“.

A infraestrutura digital criada para o projeto inclui sistemas de armazenamento seguro, catalogação avançada e ferramentas de gestão documental capazes de lidar com milhões de ficheiros. Numa fase posterior, como explica a empresa, o Vaticano planeia combinar a aplicação de gestão documental ELO com a tecnologia Retrieval-Augmented Generation (RAG), e digitalizar fotografias a 600 dpi para suportar um arquivamento e uma recuperação de informação mais avançados. O objetivo passa por melhorar a precisão histórica, apoiar investigadores e jornalistas, reduzir a propagação de desinformação, e garantir que o conhecimento preservado é usado de forma rigorosa.

Ricardo Alves
Ricardo Alves
Licenciado em Ciência da Informação, desviei-me para a Comunicação Social e é aqui que estou bem. Um assumido "papa-séries", especialmente se forem aquelas que quase ninguém vê. Nintendo Switch aficionado, aspirante a estudante em Hogwarts, e treinador Pokémon in the making.
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