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Anti-Flag no RCA Club – Juramento de bandeira

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No passado dia 7 de janeiro, o RCA Club, em Alvalade, recebeu uma noite de Punk Rock com muita gente a comparecer, apesar do frio e do concerto acontecer a meio da semana. Depois de nove anos de ausência, os Anti-Flag regressavam a Portugal para promover o novo álbum 20/20 Vision e dar o pontapé de saída na tour europeia de apoio ao mesmo.

O arranque da noite coube aos The Homeless Gospel Choir, alter ego de Derek Zanetti, que, com uma guitarra acústica, tentou recordar a todos os presentes que antes de haver punk já o folk era música de protesto (nem que fosse através do simples método de apresentar todas as canções com um óbvio “… isto é uma canção de protesto”).

A estadia no palco dura exatamente três acordes. Derek não gosta do som, não gosta da distância para o público, desliga a guitarra da amplificação e salta para o meio da multidão para nunca mais de lá sair até ao final do concerto. O público presente gosta e rodeia-o, e com um bocado de encorajamento já cantavam com o artista ao final de um par de canções. “Normal” foi o ponto alto de um concerto que não teve pontos baixos e colocou a fasquia bem alta para todos os restantes intervenientes desta noite…

O que infelizmente acabou por ser más notícias para as londrinas Dream Nails. Apesar da total dedicação e esforço do quarteto, a atuação esfriou um pouco uma noite que se queria sempre em crescendo. Talvez por culpa de alguns gremlins sonoros, por ser a primeira noite da tour ou até pela banda não primar por uma grande coerência sonora, houve momentos completamente desconjuntados. Por vezes soavam a Elastica com músculo, fazendo também lembrar uns The B52’s, e, logo depois, mostravam-se com um punk mais genérico.

Apesar dos percalços, as inglesas foram agarrando o público conforme o concerto se desenrolou, e acabaram mesmo por terminar com aula de aeróbica improvisada e numa nota positiva. Melhor sorte para a próxima.

Créditos: Carlos Mendes

Publicado por Echo Boomer em Segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Os Anti-Flag, pelo contrário, foram arrasadores desde o primeiro momento. Mesmo se esse momento tivesse arrancado uma gravação da voz do atual presidente dos Estados Unidos da América a dizer sandices. Apesar de serem do mesmo país, os nativos de Pittsburgh claramente não prestam juramento de bandeira à mesma que El Donaldo.

A mistura de hardcore clássico com leads melódicos era tudo o que o público pedia, que, por esta hora, já enchia a casa, para entrar em total frenesim. Cada música aumentava o mosh pit e, durante todo o concerto, não faltaram fiéis para se lançar do palco directamente para a confusão que reinava no público. Foi uma atuação perfeita com todos os clássicos (“Die For Your Government” foi especialmente selvática) a darem a oportunidade ao público para cantar a plenos pulmões. E se há algo que não se pode negar ao vocalista Justin Sane e companhia é que ninguém compõe um refrão a Misfits como eles (nem o próprio Glenn Danzig nos dias que correm).

Para terminar a noite como começou, o concerto acabou com alguns membros dos Anti-Flag no meio do público, nomeadamente com o baixista Chris Barker (um mestre de cerimónias) encavalitado em cima do bombo para a última música. Um final em beleza. Que não demorem mais nove anos para regressar.

Texto de: João Ribeira; Fotos de: Carlos Mendes

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