Análise – Yuoni (PlayStation 5)

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Fujam deste jogo de terror que acaba de chegar às consolas.

A estrutura e ambiência de Yuoni revelam as suas inspirações insípidas. Produzido pela Tricore Inc., o novo jogo de terror apresenta uma premissa interessante, relembrando os clássicos do género com as suas lendas, rituais e rumores geracionais, cuja promessa é rapidamente quebrada devido à sua aposta em níveis demasiado escuros, com uma visão e noção de espaço horrorosas, e assentes na repetição de ações que só irá agradar aos fãs mais ardentes do género e de títulos como White Day e Granny. Uma fasquia muito baixa, se mo permitem dizer.

As novidades são poucas e os motivos para continuarmos a explorar a sua realidade amaldiçoada são ainda mais reduzidos, mas a tensão está presente durante o setup da estória, colocando-nos no papel de uma colegial que se vê presa a um fantasmas após realizar o que pensava ser um mero jogo com os seus colegas. A nossa protagonista rapidamente percebe que está a ser assombrada pelo espírito de um rapaz associado às lendas de um hospital agora abandonado, sendo transportada para uma realidade alternativa enquanto evita sombras, demónios e assombrações em busca de um fim para os jogos nefastos do rapaz.

Como premissa, Yuoni constrói-se como um filme de terror, com as suas raízes assentes nas lendas antigas e numa noção de ambiente que relembra, num primeiro contacto, os clássicos J-Horror – como Ringu e Ju-On. No entanto, a repetição despedaça qualquer tentativa de criação de ambiente, com a ação mover-se através de cenários falsamente amplos e labirínticos à medida que nos envolve nas mesmas tarefas através de diferentes capítulos: evitem os fantasmas e encontrem o boneco escondido.

A péssima direção de arte, aliada a um sistema de iluminação pobre – que tenta, a todo o custo, criar alguma tensão no jogador devido à visibilidade reduzida –, cria uma experiência muito desequilibrada e desinteressante, apostando em designs muito fracos para as aparições que surgem ao longo da campanha, mas também em layouts pouco satisfatórios dos níveis que visitamos, repetindo constantemente modelos e designs de cenários que criam uma sensação de confusão que eu penso não ter sido propositada.

Mas esta falta de cuidado visual, que se expande para o desempenho do jogo – tanto na queda de frame rates, como na presença de inúmeros bugs que quebram a imersão na campanha –, não seria um problema tão notório se a jogabilidade e o ambiente complementassem as suas falhas, mas tal não acontece em Yuoni. Antes pelo contrário, as mecânicas limitadas denigrem ainda mais a experiência e tornam o jogo num autêntico pesadelo relegado à repetição constante de tarefas e ações.

Como indiquei anteriormente, a campanha divide-se por vários capítulos, cujos objetivos focam-se maioritariamente na descoberta de um boneco através de níveis idênticos, culminando numa fuga até ao início de cada fase. A tensão é construída através do design dos níveis, que são mergulhados numa escuridão irritante e longe de ser assustadora, e dos vários tipos de fantasmas, que adicionam, em teoria, algum desafio às nossas aventuras pelos locais abandonados. Estes fantasmas são categorizados pelos seus sentidos e se as almas conseguem ouvir qualquer som, onde é necessário suster a respiração e evitar os cacos de vidros para escaparmos, já os demónios têm uma visão perfeita, mas não conseguem ouvir sons próximos. Como intermédio, temos os espíritos especiais, como o rapaz que nos assombra, que apresentam novas habilidades e surgem ocasionalmente nos níveis para criar algum caos.

A fórmula, a nível mecânico, não é o problema, mas sim a combinação dos vários elementos da jogabilidade. Os fantasmas não estão equilibrados e é fácil de explorar os seus defeitos, ao ponto de podermos andar sem quaisquer problemas desde que mantenhamos a respiração da personagem controlada. No entanto, o inverso também acontece e podemos ser vistos através de pequenas brechas nos níveis onde não devia ser possível sermos encontrados. Isto cria, como podem prever, uma enorme frustração, com o jogo a cair entre trechos de facilidade extrema, ao ponto de ser aborrecido, a outros de uma dificuldade injustificável. O sistema de checkpoint quebra ainda mais a dificuldade de Yuoni e permite, por exemplo, que avancem desenfreadamente até ao ponto de gravação sem grandes penalizações.

Não consigo fugir a novos lançamentos no género, está no meu ADN, mas a lista de videojogos competentes e que merecem o vosso tempo, em especial nas consolas, é muito curta. Yuoni é mais um exemplo de que não basta imitar e copiar mecânicas para criar uma experiência memorável e assustadora. Tal como a comédia, o terror precisa de um trabalho exímio na construção do seu ambiente e de uma compreensão do género que abra portas a verdadeiros sustos ou momentos tensos sem necessitar de uma enorme artificialidade mecânica e de designs de níveis forçosos. É um jogo a evitar.

Nota: Mau

Disponível para: Xbox One, Xbox Series X|S, PlayStation 4 e PlayStation 5
Jogado na PlayStation 5
Cópia para análise cedida pela Player Two PR.

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