Análise – Yoshi’s Crafted World

por David Fialho

Imaginem um mundo colorido, feito de cartão, lã, algodão e figuras adoráveis e felizes. É por este cenário que somos recebidos em Yoshi’s Crafted World.

O mais recente exclusivo da Nintendo Switch dedica-se ao pequeno dinossauro que acompanha Mario desde a sua introdução em 1990, em Super Mario World. A pouco e pouco, Yoshi começou a ser protagonista das suas aventuras a solo até se tornar numa das mascotes mais icónicas da produtora nipónica.

A nova aventura de Yoshi não marca a estreia da personagem na Nintendo Switch, mas é o primeiro jogo dedicado a este dinossauro na híbrida da Nintendo.

Mais uma vez, a Nintendo opta por dar um look ainda mais adorável e quase palpável a Yoshi, neste novo titulo da série. Depois de uma passagem pela Nintendo 3DS e pela Nintendo Wii U com Yoshi’s Woolly World, onde as personagens eram literalmente feitas em lã, em Yoshi’s Crafted World as personagens são como pequenas figuras de peluche realistas que podiam muito bem camuflar-se nas nossas secretárias.

Com uma história básica e de fácil compreensão, onde o vilão Kamek e Baby Bowser roubam um conjunto de jóias que dão alegria à Ilha dos Yoshi, somos levados por uma aventura onde cruzamos o destino com diferentes vilões e cinemáticas básicas. Aqui somos presenteados com personagens que se movem como se de um filme stop-motion se tratasse, mas com as cinemáticas a serem tão realistas que sentimos que podemos tocar nas personagens.

A acompanhar tudo isto está uma agradável banda sonora, alegre e infantil, que encaixa na perfeição no tom do jogo e nos efeitos sonoros igualmente adoráveis, com momentos em que o nosso Yoshi também acompanha a música a cantar.

O mundo de Yoshi’s Crafted World faz-se acompanhar de níveis feitos em cartão, nuvens em algodão e uma série de objetos que preenchem o ecrã com caminhos alternativos, puzzles simples e obstáculos desafiantes.

Desenhado para se parecer feito como se tivéssemos tirado um workshop em trabalhos manuais, Yoshi’s Crafted World é um jogo de plataformas 2.5D convencionalmente pouco linear. Podemos explorar áreas secretas através da profundidade dos níveis e até repeti-los ao contrário para objetivos extra.

Esta possibilidade de revisitar os níveis numa segunda perspetiva dá ao jogo uma maior longevidade, além de guardar segredos e desafios tão interessantes como a jornada principal. É algo que dá um toque extra às possibilidades de um mundo criativo como o de Yoshi’s Crafted World.

A jogabilidade é simples, tal como seria de esperar de um jogo de plataformas para miúdos e graúdos. Os jogos começam com a simples ideia de ir do ponto A ao ponto B, apanhando o máximo de itens possíveis, mas acabam por adicionar um maior desafio aos jogadores que quiserem descobrir todos os segredos. Os vários Yoshi que temos à escolha contam com uma série de movimentos básicos, que se transformam com uma dimensão semelhante às dos níveis. Com eles, podemos disparar ovos, que servem de munição, para partir objetos e acertar em inimigos, não só em 180 graus, mas também para elementos que estão mais próximos da câmara ou numa perspetiva diferente nos níveis.

Ao longo da nossa aventura, vamos desbloqueando disfarces de cartão que numa primeira impressão parecem ser apenas elementos visuais, mas que se revelam como escudos para os ataques dos inimigos. Estes disfarces são obtidos aleatoriamente e têm vários níveis de durabilidade de acordo com a sua raridade.

A possibilidade de poder interagir com mais elementos do que aqueles que são convencionalmente apresentados, num jogo 2D, aumenta a vontade de explorar os níveis e de espreitar tudo o que se pode esconder atrás de uma caixa, lata ou desenho, onde há quase sempre uma surpresa interessante.

Infelizmente, Yoshi’s Crafted World não é tão perfeito como aparenta ser no início, sendo limitado por dois pontos. Visualmente, pode parecer excecional e o desempenho do jogo é fantástico na pequena consola da Nintendo, mas as arestas mais serrilhadas e alguns efeitos de desfoque nos níveis, juntamente com a resolução nativa do jogo, fazem parecer, às vezes, que o jogo não brilha tanto como podia, em particular quando temos a consola ligada a uma televisão de grandes dimensões.

O segundo ponto deve-se à formula básica do jogo, que se gasta ao fim de umas horas. Por muito adoráveis que os níveis sejam, alguns checkpoints podem ser uma dor de cabeça para quem quer apanhar todos os itens, com uma distância significativa entre estes pontos de gravação e com um reset de progresso sempre que se perde.

Não há dúvidas que Yoshi’s Crafted World é um jogo bastante sólido e consciente daquilo que é. Simples, adorável e cheio de surpresas. Respira e transpira todos os elementos que fazem um jogo Nintendo e, mesmo que não se junte aos melhores, é sem dúvida uma experiência única e imperdível.

Este jogo foi cedido para análise pela Nintendo Portugal.

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