Análise – Yomawari: The Long Night Collection

por Echo Boomer

Yomawari: The Long Night Collection é um pacote que nos deixou divididos. Por um lado, dá-nos dois jogos que jorram um ambiente aterrador e até arrepiante que encaixa perfeitamente na portabilidade da Nintendo Switch. Mas por outro, coloca-nos num constante jogo de gato e rato onde somos obrigados a aprender repetidamente com erros que não têm qualquer origem nos jogadores. São dois passos em frente e um atrás.

E é uma pena. Yomawari: The Long Night Collection demonstra um enorme conhecimento do género de terror e na criação de um ambiente suficientemente opressivo para criar uma história com contornos psicológicos e de uma violência inesperada. Apesar da sua estética anime, que lhe confere um estilo próximo dos desenhos animados, os dois títulos da série Yomawari são extremamente violentos, sangrentos e, até, perturbadores.

Quando os cenários sombrios e a banda sonora conciliam, esta coleção é absolutamente deliciosa, oferecendo duas experiências aterradoras e um ambiente frio, mas também pegajoso, enquanto exploramos as várias zonas da cidade. Há aqui algo de sombrio, seja pelas ruas abandonadas e escuras ou pelos fantasmas que as assombram, e, quando entramos no seu ambiente, sentimos que estamos a ver o desenlace de um filme de terror e conseguimo-nos colocar no lugar das protagonistas.

O problema é que Yomawari não nos oferece o mesmo no que toca à sua jogabilidade. Ambos os jogos focam-se na exploração, colocando-nos em cenários vazios e com objetivos pouco claros. A movimentação das personagens é demasiado lenta, apesar de existir um botão que nos permite correr e que prejudica a nossa navegação através destas zonas pouco interessantes. É possível atirar objetos, mas Yomawari foca-se mais na resolução de puzzles simples para avançar a ação, aproximando-se mais dos walking simulators, do que dos restantes títulos do género.

A exploração é também agravada pelo número substancial de fantasmas espalhados pelas zonas. Apesar de adorarmos o seu design, os fantasmas matam-nos com um só toque, o que significa que a furtividade é uma necessidade. Existem objetos onde se podem esconder, mas há ainda a possibilidade de fugir e evitar o confronto. Ou seja, Yomawari embrenha-se demasiado numa estrutura de tentativa e erro, colocando-nos em situações onde somos quase obrigados a perder para sabermos o que temos de fazer. Encontrámos situações em que fomos mortos por fantasmas que apareceram sem aviso, obrigando-nos a perder vários minutos de progresso.

Yomawari: The Long Night Collection

Esta constante repetição prejudica a jogabilidade e a própria tensão do ambiente. Há uma quebra quando somos obrigados a percorrer o mesmo caminho vezes e vezes sem conta devido a perigos que o jogo decide colocar à nossa frente sem aviso. Talvez seja necessário reagirmos com uma perícia sobre-humana, mas isso não pode desculpar uma jogabilidade que tenta compensar a sua falta de mecânicas com perigos injustos para criar tensão.

A sequela, Midnight Shadows, evolui suficientemente a fórmula e insere uma variedade palpável na sua campanha para se identificar como o título essencial da coleção. Existe um maior foco na furtividade, com a possibilidade de andarmos cautelosamente, e dá-nos cenários em 2D com uma iluminação perfeita para o género. O ambiente e a banda sonora continuam a ser o destaque, claro, e a história dá sequência à exploração dos temas fortes do título original.

Yomawari: The Long Night Collection não é uma coleção para todos, mas os fãs de terror irão encontrar algo que os irá satisfazer. É uma pena não conseguirmos apreciar a jogabilidade e estrutura repetitiva dos dois jogos, mas a verdade é que foram as histórias, os seus ambientes e bandas sonoras que nos agarraram. E por essa razão, são dois jogos que merecem ser experienciados na vossa Switch.

Este jogo foi cedido análise pela NIS America.


 

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