Xuan Yuan Sword VII – A simplicidade em formato RPG

A série taiwanesa estreia-se finalmente nas consolas com um dos seus capítulos mais sólidos.

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Depois de uma estreia no PC, Xuan Yuan Sword VII chegou finalmente às consolas. O RPG de ação, produzido pela taiwanesa Softstar Entertainment, é o título mais recente de uma série com mais de 30 anos de existência que só agora começa a ganhar tração no ocidente. Xuan Yuan Sword é, pelo que pude averiguar, uma franquia camaleónica que se recusa a ficar condicionada por géneros, lutando contra as convenções dos tradicionais RPG para criar uma aventura em torno de lendas e da História Chinesa. Com o sétimo capítulo, a Softstar Entertainment apostou numa jogabilidade mais assente na ação, nos combates rápidos e numa estrutura linear naquela que é uma campanha sólida, mas livre de grandes surpresas.

A minha experiência com Xuan Yuan Sword VII é positiva, mas com algumas reticências. Não conheço a franquia e posso não ter absorvido o tom e foco deste leque de videojogos, mas a direção, especialmente no que toca aos atores e à planificação de momentos de ação, fica aquém do esperado. Senti que estava perante um projeto ambicioso, com um enorme foco na narrativa, que foi sufocado pelo baixo orçamento, onde a prioridade da equipa recaiu sobre os gráficos e desempenho sólidos, mas não tanto na criação de um mundo dividido entre o real e o fantástico. Por mais que tentasse ficar investido na história, ficava desesperado sempre que encontrava um novo diálogo e vi-a a ação a ser interrompida para dar lugar a sequência mal dirigidas, protagonizadas por personagens rígidas e robóticas, e uma banda sonora pouco surpreendente ou motivante.

Xuan Yuan Sword VII

Na jogabilidade, a Softstar Entertainment traz-nos uma experiência mais sólida. Xuan Yuan Sword VII é muito tradicional na forma como aborda a ação e as mecânicas RPG, mas defendo que é essa simplicidade que lhe traz algum charme. Com uma campanha linear, mas repleta de missões secundárias, Xuan Yuan Sword VII segue os moldes do género ao apresentar um sistema de combate ponderado, mas dividido por vários tipos de postura (que podemos alterar nos menus), e uma evolução por níveis dos nossos heróis, tal como a possibilidade de equiparmos armaduras, acessórios e outros itens cosméticos ao longo da aventura. Os confrontos são livres e surgem enquanto exploramos os cenários lineares, com o nosso protagonista a apresentar golpes rápidos, de atordoamento, mas também habilidades especiais, como a possibilidade de abrandarmos o tempo e capturarmos as almas dos vários monstros que enfrentamos.

As combinações são muito básicas, mas a presença de novas personagens e posturas consegue cortar alguma da monotonia que se instala durante as primeiras horas. A IA dos inimigos também não é a mais equilibrada, mas há uma evolução palpável ao longo da campanha e a dificuldade é capaz de atingir níveis que julgávamos impossível ou improváveis durante o início da campanha. Falta-lhe um maior trabalho nos golpes básicos e na combinação entre habilidades, mas Xuan Yuan Sword VII procurou limar as mecânicas e manter o sistema de combate acessível para qualquer jogador, e esse foco sente-se ao longo da campanha. É uma decisão que, na minha opinião, não retira qualidade ao produto final.

Xuan Yuan Sword VII

Esta ausência de profundidade em combate é contornada por um leque de mecânicas que procura dar mais controlo ao jogador. Em Xuan Yuan Sword VII temos à nossa disposição um sistema de construção, intitulado Elysium, onde temos a opção de criar acessórios e armaduras, mas também de melhorar a nossa espada. Com os recursos certos, podemos não só criar, como melhorar estes edifícios espirituais e aumentar as nossas opções de construção ao longo da campanha, aumentando assim o nosso armamento, mas também a vontade em explorar o seu mundo místico em busca de itens e receitas raras. Dou especial atenção à possibilidade de podermos capturar monstros, pois desbloqueia a opção de fundirmos espíritos para criar novas habilidades. Mais uma vez: não é original, mas muito funcional.

A série Xuan Yuan Sword já está com os olhos postos no futuro, mas o sétimo capítulo é uma pequena vitória nas consolas. O RPG de ação é muito sólido, com um desempenho consistente na PS5, e uma jogabilidade assente na simplicidade, mas desafiante nos momentos corretos. Não é um jogo que surpreende ou que é capaz de alterar a vossa perceção sobre o género, mas é uma distração eficaz que peca por ter recebido um lançamento nas consolas tão próximo de Tales of Arise.

Cópia para análise (PlayStation) cedida pela Plan of Attack.

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