Wonder Boy Collection – A coleção do déjà-vu

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Uma coleção pensada para os fãs que traz os quatro jogos principais da série Wonder Boy, mas é difícil não sentir algum desapontamento por não adicionar mais opções.

Depois de décadas em silêncio, a série Wonder Boy parece estar a viver um renascimento com o lançamento de spin-offs, sequelas, reboots e até coleções que reúnem alguns dos seus títulos mais icónicos. O herói de cabelo azul, capaz de usar magias e transformar-se em várias criaturas, continua a alimentar a imaginação dos fãs e é em jeito de celebração que a ININ e a Ratalaika Games trazem-nos quatro dos títulos mais importantes e revolucionários da saga, numa coleção que adiciona funcionalidades incontornáveis para o aproveitamento destes clássicos há muito envelhecidos pelo tempo.

A série Wonder Boy é muito extensa e é difícil não olhar para esta coleção e sentir que podia ter ido mais além. Se são fãs da série, de certeza que irão sentir falta das aventuras na Master System, com Wonder Boy III: The Dragon’s Trap, mas também algumas das suas passagens pelos salões de arcada, nomeadamente Wonder Boy III: Monster Lair. No entanto, a ININ parece ter-se focado naquela que podemos considerar a sua série principal, sem spin-offs ou reinvenções, demonstrando como Wonder Boy evoluiu desde as suas origens humildes até assumir-se como um dos títulos de destaque da Mega Drive. Desta forma, a coleção é composta por Wonder Boy (1986), Wonder Boy in Monster Land (1987), Wonder Boy in Monster World (1991) e Monster World IV (1994).

A seleção de jogos pode ser desapontante, mas inegável a sua função como montra para uma das franquias mais peculiares da SEGA. Wonder Boy, que se expandiu para além dos salões de arcada – contando com várias versões para PC e consolas, tal como o spin-off popular, Adventure Island -, é um início modesto, produto do seu tempo, onde a simplicidade mecânica e de objetivos alimentavam a sede por moedas nas cabines poeirentas. Como Boy, a nossa missão é salvar Tina, a nossa namorada, do temível King. Para tal, temos de vencer sete mundos – que se transformam em oito se colecionarem as bonecas escondidas em todas as fases – enquanto evitamos plataformas, inimigos e bosses desafiantes. O que destacou Wonder Boy de outros títulos semelhantes foi a sua aposta num sistema de stamina, com Boy a necessitar de se alimentar constantemente para continuar a sua viagem. Ao longo dos níveis, encontramos frutas, bolos, bebidas e até leite que alimentam a nossa energia, e para chegarmos ao final, temos de ser rápidos a evitar todos os obstáculos que encontramos.

Apesar de respeitar o seu estatuto enquanto clássico, a verdade é que foi doloroso regressar a Wonder Boy, pelo menos na sua versão arcade. A jogabilidade é intuitiva, tal como seria de esperar, e os power-ups, como o famoso skate, adicionam alguma variedade aos níveis repetitivos, mas os controlos já são demasiado antiquados e Boy escorrega pelos cenários à velocidade da luz, com cada salto a revelar-se um pequeno jogo de vida ou morte. Penso que é um caso de “ou gostam ou não gostam”, mas foi irritante encontrar os mesmos inimigos, nos mesmos cenários e os mesmos obstáculos ao longo das oito zonas, sem grande distinção entre eles. Uma campanha de uma hora pareceu ser um épico de cinco horas, sem intervalos, onde o aborrecimento e a irritação andaram de mãos dadas para o meu desespero. Wonder Boy é o tipo de jogo clássico que prefiro respeitar ao longe, mas, se nunca o experimentaram, é uma boa montra para a sua época, nomeadamente na forma como as produtoras procuravam reinventar géneros através de mecânicas e contextos muito específicos.

A vontade em inovar fez-se rapidamente sentir na série Wonder Boy e Wonder Boy in Monster Land é uma sequela impressionante se tivermos em conta o original. Se alguns títulos da saga continuaram a explorar e a expandir a fórmula do primeiro, já Monster Land quis experimentar com o mundo e as personagens da série. Para trás ficaram os níveis repetitivos e a busca por alimentos, com Book, o nosso novo herói, a partir numa demanda mais próxima aos RPG de ação, mas restringida pela estrutura de níveis e fases de um jogo de arcade tradicional. É aqui que nascem as raízes para o que viríamos a seguir na série e é interessante ver como Monster Land cria os alicerces para Monster World, também disponível nesta coleção, ao apostar num mundo mais consistente, variado e repleto de lojas, inimigos, segredos e até equipamentos que podemos adquirir ou encontrar nos níveis.

Como título de transição, Monster Land é intrigante e admito que desconhecia por completo este capítulo da saga – pelo menos na sua versão arcade. Infelizmente, não fiquei enamorado pelo seu charme saudosista, com a jogabilidade a ser novamente o problema, especialmente no que toca ao sistema de combate e aos padrões de alguns dos bosses que encontramos. Como se trata de um jogo arcade, os níveis são curtos e repetitivos, focando-se quase exclusivamente na navegação de cenários com algumas plataformas, lojas e uma sala com um boss, que teremos de derrotar para continuarmos em frente. Monster Land adapta também a corrida contra o tempo do original, outro elemento que revela o seu design arcade, que surge mais como um pequenino alarme de aviso do que propriamente um obstáculo à altura dos restantes. Com uma jogabilidade rígida, os confrontos são muito frustrantes, especialmente devido à velocidade e ferocidade dos nossos inimigos, que atacam e movimentam-se sem piedade. Em suma, Monster Land é vítima da plataforma em que foi lançado, mas é também o início para aqueles que são dois dos títulos mais marcantes da série. Tenho, no entanto, pena que a versão Master System não faça também parte desta coleção.

É difícil falar em Wonder Boy sem pensar em The Dragon’s Trap, o clássico absoluto da Master System, mas também em Wonder Boy in Monster World e Monster Land IV, três títulos que desafiaram-se a mudar por completo o legado da franquia. A passagem para a Mega Drive e as plataformas de 16 bits trouxeram uma nova riqueza visual, com Monster World e Monster World IV a apresentarem cenários mais coloridos e detalhados, mas também modelos de personagens mais carismáticos e com uma animação mais cuidada e fluída. É um salto tremendo em qualidade quando jogamos a série em ordem cronológica e comparar Monster Land a Monster World é uma injustiça. O clássico da Mega Drive aproveita, no entanto, a estrutura de Monster Land, mas aposta nos elementos RPG ao desenvolver uma campanha interligada, sem a divisão por níveis, onde o novo herói, Shion, pode melhorar as suas habilidades e encontrar armas, equipamentos, magias e espíritos para derrotar BioMeka.

A jogabilidade de Monster World já começa a dar sinais de idade, como seria de esperar, mas é um título sinónimo de infância para mim, uma aventura que alimentou sempre o meu imaginário e que se transformou num jogo obrigatório na Mega Drive. A ligação a Monster World IV é menor, mas a sequela resolve alguns dos problemas de Monster World e apresenta um combate mais flexível e variado, tal como um sistema de movimentação assente na destreza dos jogadores ao permitir um leque de movimentos mais próximo a jogo de plataformas. A aventura de Asha tem recebido alguma atenção nos últimos anos e, neste preciso momento, é capaz de ser dos títulos com mais versões disponíveis nas novas consolas, contando até com o remake que analisámos no ano passado.

Wonder Boy Collection é uma janela para o passado e para mais uma das séries icónicas da SEGA. É difícil não sentir algum desapontamento por não termos a adição de mais títulos da saga, mas consigo compreender o foco nos quatro jogos principais, apesar do tempo não estar a ser simpático para esta seleção. No entanto, a coleção traz algumas novidades importantes para o nosso aproveitamento destes jogos clássicos, com as opções de gravarmos em qualquer parte e de rebobinarmos os jogos a serem duas dádivas incontornáveis. No que toca ao seu desempenho, não registei grandes problemas, qualquer um dos jogos correu sem falhas e a um frame rate estável, mas a coleção peca pela falta de melhores opções visuais ou até da inclusão de versões diferentes de alguns dos seus jogos. É uma coleção segura, mas que consegue modernizar ligeiramente estes títulos marcados pelo tempo. Wonder Boy Collection é para os fãs e os mais curiosos.

Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela PR Hound.

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