Análise – V-Rally 4

Para quem cresceu com videojogos durante a passagem do milénio, devem certamente recordar-se de ter assistido à ascensão de um género que, com as evoluções tecnológicas de hoje, já não está tão presente. Falamos de jogos de rally arcade, casos de Sega Rally, Colin McRae e uma pérola chamada V-Rally.

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Com quase 20 anos de história, V-Rally regressa de uma hibernação que dura desde os tempos da PlayStation 2. Será que em 2018 consegue marcar presença e oferecer algo de novo?

V-Rally 4 é um jogo de rally que não sabe bem o que quer ser. Por vezes comporta-se como um simulador, já outras vezes prefere ser um jogo de arcade. Esta indefinição do estilo de jogo pode ser encontrada em diferentes partes, tornando-o num título bem bizarro para quem gosta de jogos de corridas.

Enquanto que alguns jogos recentes como GRAVEL sabem bem o que querem ser, V-Rally 4 parece que chegou tarde a uma festa e quer integrar-se em diferentes grupos à força.

Desenvolvido pela Kylotonn, também responsável pela atual série WRC, V-Rally 4 poderia funcionar muito bem como um spin-off mais divertido e usar alguma da experiência e do talento de um jogo no outro, mas a sensação que fica é que há uma enorme falta de dedicação artística e monetária na criação deste jogo.

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A apresentação de V-Rally 4 não apresenta nada de reminiscente de jogos anteriores. É pobre e mal trabalhada, com menus simples e genéricos e que, durante a sua navegação, contam com uma playlist de cinco músicas de hip-hop em loop. Por exemplo, temos apenas uma a tocar repetidamente nos loadings e no modo campanha. É, no mínimo, chato.

Felizmente, durante o jogo as coisas tornam-se mais agradáveis e temos uns visuais bem conseguidos. Não é o jogo mais fotorealista do momento, mas há um toque de hiper-realismo, com cores que saltam à vista e com locais bem trabalhados e diversos. A filosofia dos jogos antigos em que cada nível ou pista devem ser diferentes uns dos outros faz-se sentir e passar de uma prova num deserto para uma prova numa selva é bastante motivante para fazer longas sessões de jogo.

Os carros também se apresentam sólidos e bem mais detalhados do que o jogo parecia prometer, com modelos que contam com diferentes tipos de materiais que reagem de acordo com a iluminação ambiente. Mas tal como o aspeto mais animado das pistas, os carros também parecem brinquedos.

Contudo, a apresentação entra em conflito com o estilo de jogo. Com uma sensação de velocidade bastante bem conseguida, V-Rally 4 tenta equilibrar a diversão com a adrenalina do realismo, falhando redondamente.

As pistas são largas e contam com grandes porções em reta e curvas que estão a pedir para fazer os melhores drifts do mundo. Por outro lado, o comportamento da maioria dos carros não se ajusta ao design das pistas, tornando a adrenalina do controlo em frustrações constantes ao não se conseguir manter um carro direito.

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Esta dificuldade prende-se com o facto de os carros parecerem que deslizam, independentemente do nível de aderência que têm à pista. Outro fenómeno que amplifica esta sensação é a não existência de um centro de massa dos veículos, isto é, por vezes parece que estamos a controlar um pendulo em movimento.

As definições de ajudas também são bastante básicas, dando somente as opções de ligar ou desligar o ABS e o TCS e de trocar a caixa manual com a automática.

V-Rally 4 quer também abraçar outras modalidades como buggies, rallycross, hillclimb, e gymkhana. Estas opções são boas e tornam os jogos variados. Aliás, se há um ponto em que V-Rally 4 deve levar nota bem positivo é na a possibilidade de jogar com ecrã divido com um amigo nosso.

No entanto, todas as modalidades que o jogo nos dá seriam muito mais interessantes se o comportamento dos carros não fosse tão inconsistente… ou se houvesse uma seleção de veículos melhor.

A seleção de carros ao nosso dispor é bastante pobre. Cada modalidade apresenta uma seleção própria, onde encontramos alguns veículos clássicos e outros mais recentes. Porém, faltam imensos ícones, faltam veículos dentro de uma modalidade para tornar o jogo competitivo e a falta de marcas como a Subaru num jogo de rally com marcas licenciadas é criminoso.

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A campanha também não oferece grandes emoções. Na realidade é até bastante chatinha, com a inclusão da gestão de equipa e patrocínios que o jogo quase nos obriga a usar, mas que não adicionam absolutamente nada à nossa progressão. A campanha poderia ser muito mais linear para o que o jogo oferece.

E claro, não podiam faltar os bugs que são recorrentes. Não se fala aqui de loadings presos ou saídas do jogo para o sistema da consola, mas sim de sinais e postes indestrutíveis que aparecem no meio das pistas, buracos e elevações de terreno que nos atiram para a estratosfera ou acidentes que quebram as leis da física com o nosso carro a virar uma centrifugadora.

V-Rally 4 pode ser divertido, mas está dependente de quem o estiver a jogar e do modo como se adapta à sua jogabilidade. No entanto, as suas inconsistências a nível de design, apresentação e conteúdo tornam-no num jogo pobre e mal trabalhado.

V-Rally 4 está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

V-Rally 4
Nota: 4/10

Este jogo foi cedido para análise pela UpLoad.

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