UnMetal – “Tenho uma cobra nas botas. Raposa, digo”

Uma homenagem que é tão certeira como cansativa.

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Depois da sua homenagem aos dungeon crawlers, a Fran Games está de regresso com mais uma paródia em formato de videojogo, desta vez à série e ao mundo criados por Hideo Kojima. Em UnMetal somos Jesse Fox, um agente especial preso por um crime que não cometeu. Para provar a sua inocência, Fox reconta os acontecimentos que o levaram a destruir a base clandestina onde se encontrava enclausurado numa aventura que comprova as virtudes, mas também os defeitos de uma homenagem sem personalidade própria.

Tal como UnEpic, o novo projeto da Fran Games mune-se do humor para brincar com os clichés do seu género, levando-nos numa aventura próxima da estrutura dos primeiros Metal Gear, mas sem a seriedade que movia os clássicos de Kojima, substituindo as suas histórias intricadas por piadas e situações absurdas. A paródia é profunda e existe um domínio claro da propriedade criada por Kojima não só através da adaptação da jogabilidade, como também do design dos níveis – que se dividem por vários setores da base, que não poderemos revisitar – e da perspetiva top down em que se desenrola a ação, numa aproximação tão sentida que poderíamos confundir, de relance, que estaríamos a jogar um título perdido da famosa série de ação furtiva.

Apesar das semelhanças, UnMetal é um título suficientemente diferente das aventuras de Solid Snake. O foco na furtividade é quase nulo e existe um cunho mais arcade na sua estrutura, mais preocupado em disponibilizar formas inventivas de eliminarmos os nossos inimigos do que em manter um tom sério ou consistente. Uma das armas principais, por exemplo, é uma fisga que podemos utilizar para atordoar inimigos à distância e os níveis seguem uma estrutura muito rígida, que se baseia na descoberta de um item específico ou na construção de um caminho necessário para continuarmos em frente.

O coração de UnMetal está, no entanto, na combinação de itens. Ao longo da campanha temos acesso a vários recursos que seriam descartáveis noutro jogo. Em UnMetal, um rolo de papel higiénico, um anel ou um barril de água podem ser combinados e utilizados para distrair guardas, construir plataformas ou utilizados como moeda de troca se assim for necessário – e aqui estou a falar do papel higiénico e não na moeda em si. O sistema é muito simples e não requer grande imaginação ou destreza, com Fox a confirmar quase sempre o que temos de fazer para seguir em frente, mas existem algumas surpresas e até segredos espalhados pelos níveis que necessitarão de alguma criatividade.

A vertente arcade também está presente através do sistema de evolução, com Fox a ganhar novas habilidades e pontos de atributos – como uma maior velocidade ou ataques mais poderosos – sempre que aumenta de nível. A experiência surge através das batalhas contra bosses – que são intimidantes se jogarem em Hard ou na dificuldade máxima – e do atordoamento de inimigos se não formos vistos, o que adiciona uma inesperada camada de estratégia se queremos continuar a evoluir Fox ao longo da campanha. Os padrões dos inimigos são muito fáceis de ler, mas devido ao lado humorístico do jogo, as nossas táticas nem sempre resultarão, por isso, preparem-se para pensar além das regras do jogo. Às vezes uma distração é tão óbvia que nem um soldado raso irá cair na vossa armadilha.

Quanto mais jogava UnMetal, mais me apercebia de que é um jogo peculiar. Não é estranho a nível mecânico, mas sim no seu tom. A paródia está bem construída e existem momentos cómicos que me fizeram rir devido ao seu setup inesperado, tal como um olhar muito analítico e “meta” sobre o género e a série que está a parodiar, mas a jogabilidade parece não acompanhar esta ambição narrativa devido à sua simplicidade e linearidade. No fundo, é um jogo que se torna aborrecido e muito previsível. Penso que esta sensação nasce através da narração do jogo, com Fox a interromper constantemente a ação para adicionar uma piada ou um elemento informativo que pouco acrescenta ao jogo. É um título que sabe que a sua força encontra-se na narrativa e na paródia, e nem tanto nas mecânicas, mas que acaba por sufocar a jogabilidade devido à sua necessidade de contar as piadas mais fáceis e previsíveis possíveis. Uma escolha muito desinteressante.

Mas UnMetal consegue ser ocasionalmente divertido e até desafiante se jogarem nas dificuldades máximas, especialmente se quiserem encontrar todos os pontos de experiência. No entanto, é uma distração rápida e que não perdura nas nossas mentes. É uma experiência fugaz, mas bem humorada e de boas intenções, que revela um amor pela série Metal Gear que partilho. Funciona como paródia, mas nem tanto como uma experiência singular, o que é uma pena.

Cópia para análise (PlayStation) cedida pela Plan of Attack.

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