Análise – Uncharted: The Lost Legacy

por David Fialho

Certamente que já ouviram falar de um estúdio de jogos chamado Naughty Dog, responsável pelo clássico Crash Bandicoot para a Playstation 1. Em 2017, e já na Playstation 4 sem marsupiais animados como protagonistas, temos a mais recente entrada da série Uncharted, com The Lost Legacy.

Apesar de ser uma extensão e uma sequela de Uncharted 4, The Lost Legacy pode ser um jogo introdutório para fãs do género e novos jogadores da série. Mesmo pertencendo à icónica série da Playstation, The Lost Legacy apresenta uma história paralela e completamente nova em relação às aventuras de Nathan Drake, o protagonista da franquia Uncharted.

Neste jogo de aventuras, para ser jogado a solo, Chloe Frazer e Nadine são as personagens que vamos acompanhar, um par de caçadoras de tesouros/mercenárias que vão em aventura para a Índia em busca da Presa de Ganesh. Para quem não conhece a série Uncharted, é um título com fortes inspirações em filmes como Indiana Jones, sendo que The Lost Legacy consegue, mais uma vez, recriar momentos espetaculares de adrenalina e tensão que são dificilmente conseguidos em meios interativos, como no caso dos videojogos.

Com valores de produção e uma história ao nível do que encontramos nos blockbusters de verão, estamos perante uma aventura que dura cerca de oito a dez horas, podendo aumentar facilmente graças à exploração.

O jogo divide-se em duas grandes fatias. Numa delas temos a progressão linear, de nível em nível, com espaços mais contidos, pequenos obstáculos e encontros com inimigos. Na outra, que começa sensivelmente a meio do jogo, uma espécie de mundo aberto cheio de segredos e ruínas por explorar, algo que, embora não seja novo para a série, é uma grande evolução face aos jogos anteriores, dando ao jogador a possibilidade de quase escolher a sua aventura.

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É neste espaço de mundo aberto que vamos consumir mais tempo do nosso jogo e onde vamos ficar maravilhados com a evolução que os videojogos fizeram nos últimos 30 anos. Os cenários são densos, cheios de cores e animações e a qualidade gráfica é quase imbatível noutros jogos ou plataformas, com detalhes impressionantes em situações onde a nossa personagem pisa lama ou escreve no seu mapa.

A consistência visual mantém-se ao longo do jogo, mas é também nas cinemáticas que The Lost Legacy nos deixa colados ao ecrã, com uma direção e escrita capazes de fazer inveja a muitos filmes e séries de televisão. Impressionante é, também, o modo como o jogo passa do modo jogável para estes momentos cinemáticos, sem cortes ou tempos de espera.

Ao longo do título, vamos ter imensos desafios e encontros de tiroteios cheios de ação com controlos tão eficazes e fluidos da nossa personagem que nos farão sentir o tipo mais fixe da nossa aldeia. Depois temos, também, os obstáculos e os puzzles que nos irão “obrigar” a puxar de um papel e de uma caneta para dar uso à lógica para os ultrapassar.

Apesar de ser um jogo para um jogador, é graças aos momentos cinematográficos e aos puzzles a resolver que The Lost Legacy se torna divertido de ver e jogar com mais pessoas à nossa volta, desde que se identifiquem com a temática de mundos fantásticos e fictícios.

Existe, porém, outra maneira de juntar pessoal à nossa volta. The Lost Legacy foi desenvolvido com algum do trabalho feito em Uncharted 4, trazendo consigo todos os modos multi-jogador do jogo anterior. Assim, é possível convidar todos os jogadores a entrarem em confrontos online ou a jogarem em modos cooperativos cheios de ação.

Numa era saturada de videojogos de tiro competitivos, sem substância e que geram mais frustrações do que alegria, ou jogos de mundo aberto que nos consomem tempo só para ir a todo o lado, The Lost Legacy é um jogo equilibrado, com ritmo ponderado e com elementos para agradar a gregos e a troianos.

 O jogo foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

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