Análise – Trials Rising

por David Fialho

Trials Rising é a mais recente adição à viciante série de perícia com origem na geração da PlayStation 3/Xbox 360. Esta série começou com uma filosofia simples e independente e, agora, é um dos cabeças de cartaz da Ubisoft. E para o melhor e para o pior, vem recheado de funções e mecânicas contemporâneas.
Ao longo da história desta série da produtora RedLynx, tivemos jogos com uma apresentação pura e associada à cultura do motocross. Viajámos até percursos brilhantes e futuristas em Trials Fusion, abraçámos o absurdo da cultura da Internet com Awesome Level Max, e até revisitámos clássicos dos anos 80 com uma paródia em Blood Dragon.

Trials Rising é um regresso à Terra com um jogo menos absurdo. Aposta num aspeto mais rock e punk, mas continua a não se deixar levar muito a sério em prol de percursos mais fantásticos à volta do mundo e mais além.

A jogabilidade de Trials Rising mantém-se basicamente intacta em relação aos títulos anteriores. O jogador tem que controlar a velocidade e o equilíbrio das rodas da mota de forma constante e harmoniosa com os obstáculos de cada percurso, aproveitando a gravidade em descidas para ganhar balanço, ajustar a direção do veículo para quedas suaves, sempre com muita habilidade à mistura para outros tantos desafios e elementos.

A regra primária do jogo é chegar ao fim do percurso o mais rápido possível. Para isso, o controlo do veículo, a descoberta de truques e o conhecimento dos percursos são importantíssimos. A formula é básica, mas Trials Rising tem o suficiente para se posicionar como uma sequela completa.

A quantidade de cenários e percursos é extensa e diversa, quer pelos locais e ambientes, quer pelo design de cada percurso que vão ficando sucessivamente mais desafiantes ou frustrantes, dependendo do tipo de jogador que se é. Trials Rising conta também com um editor de percursos para os mais criativos poderem criar as suas pistas e partilhar com a sua comunidade.

Os desafios propostos são também variados e interessantes o suficiente para olharmos para algumas pistas e cenários de forma diferente. Por exemplo, podem obrigar-nos a cumprir objetivos desafiantes, como um determinado número de cavalinhos ou piruetas, sem nos focarmos muito no tempo, ou com um número limite de falhas.

Além de tudo isto, o jogo conta também com um sistema de personalização e de recompensas que nos motiva a jogar e receber loot boxes com itens para o nosso avatar e para as nossas motas.

É aqui que a linha entre um jogo relativamente simples e complicado se começa a cruzar. Apesar de Trials Rising ser compreensivo em conteúdo e de oferecer imensos desafios divertidos, a sua apresentação e navegação entre o jogo é intimidante, complicada e cheia de menus.

Como muitos jogos em modelo de “jogo-enquanto-serviço”, há um estranho sentimento de que se tem que tirar um pequeno curso para se começar a jogar, e Trials Rising numa primeira impressão é assim. Não só nos obriga a ter atenção aos diferentes tipos de desafios e níveis que vamos escolher a seguir, como em outras vezes obriga mesmo a fazer alguns desafios para podermos avançar.

A progressão do jogo também é, a longo prazo, contraintuitiva, obrigando a repetir eventos e percursos até que sejam atingidos certos níveis de experiência para avançar entre eventos e modalidades, o que torna o progresso frustrante e entediante.

O foco na experiência sempre-online também parece estar sempre presente desde o início que o jogo arranca para se ligar a tabelas de tempo e para descarregar fantasmas e outros jogadores, algo que condiciona o loading dos níveis. São particularmente longos quando há uma ligação online.

Para quem se sente mais intimidado com a jogabilidade ou alguns obstáculos nos sucessivos níveis, Trials Rising conta com um tutorial, que é, também, um modo de jogo com progressão, a University of Trials, que nos ensina o básico e o avançado que o jogo tem para dar. Neste espaço, contamos não só com os movimentos básicos, mas também podemos aprender truques para controlar melhor a nossa mota, fazer cavalinhos e compreender a diversidade de obstáculos possíveis durante a campanha principal.

No entanto, este é um processo progressivo onde é necessário fazer as tarefas mais simples antes de podermos treinar as mais avançadas.

Trials Rising não é um jogo pequeno e é interessante olhar para trás e ver como a série evoluiu a tantos níveis. Trials Rising conta com alguns dos melhores níveis e desafios da série e tira partido de todas as mecânicas essenciais que nos tem habituado.

É familiar, orgânico e novo, e mesmo com as suas funcionalidades sempre-online ou repetição de alguns eventos mais enfadonhos, Trials Rising é extremamente divertido e viciante.

Trials Rising já está disponível para PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

Este jogo (versão para PlayStation 4) foi cedido para análise pela Ubisoft.

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