Trek to Yomi – De katana na mão, mas por afiar

Trek to Yomi vive dos seus visuais, da sua temática e inspirações, mas a jogabilidade pouco afinada torna as suas cinco horas de jogo numa jornada entre mundos pouco marcante.

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Entre jogos de ação caótica e absurda como a série Shadow Warrior e Evil West, a Flying Wild Hog apresenta-nos nesta altura morna de lançamentos um jogo mais calmo e pausado inspirado no cinema samurai, Trek to Yomi.

Desde a sua revelação que Trek to Yomi angariou uma legião de fãs e gerou algum buzz significativo para se tornar um dos jogos mais interessantes para esta temporada. Temos novamente uma aposta no cinema samurai, pós-sucesso de Ghost of Tsushima, foco na mitologia japonesa e no Período Edo, uma direção artística forte e aquele aroma a autor característico do tipo de produção que é.

Entrei, assim, com alguma expectativa em Trek to Yomi, que foi um dos lançamentos de Dia 1 no Xbox Game Pass, e em parte essas expectativas foram respondidas, não fosse a sua jogabilidade pouco polida meter-se no caminho e a sua história simplória pouco marcante.

Em Trek to Yomi controlamos Hiroki, um jovem aprendiz da arte samurai que, ao ver a sua vila ser atacada pelas forças de Kageru, torna-se num samurai e promete protegê-la, aos seus habitantes e todos os que ama. Quando confrontado com uma nova ameaça, Hiroki parte numa jornada incrível até Yomi, um mundo do além, onde terá que combater fantasmas do passado e tomar decisões que vão moldar o seu destino e o final do jogo.

No papel estamos perante uma premissa forte e cheia de potencial, mas Trek to Yomi mantém sempre os pés na terra, equilibrando bastante bem o realismo através dos visuais, das mecânicas de combate e da mitologia japonesa da época com o lado mais fantástico, sobrenatural e épico de forma doseada, com oportunidade de tornar o jogo mais lúdico através da exploração e pequenos puzzles.

A fasquia nunca é muito elevada e Trek to Yomi faz um bom trabalho a contar a sua história simplória e a manter o jogo investido. Afinal de contas, é uma experiência pequena, que ronda as cinco horas, mas que, ao mesmo tempo, não é interessante o suficiente para apelar à repetição e experimentar cada um dos finais alternativos que tem para oferecer.

Em parte isso deve-se à linearidade do jogo e à sua jogabilidade repetitiva, que peca também por precisar de algum polimento, equilíbrio e, acima de tudo, indicadores de ações e janelas de tempo de ativação de ataques e defesa mais bem trabalhados.

Não importa a dificuldade que escolhemos. Seja três na primeira ronda, ou quatro após o final do jogo, há sempre algo em Trek to Yomi que não funciona muito bem, provocando uma certa sensação de falta de ritmo e de precisão tão necessária para aquele que podia ser um bailado de lâminas com finalizações espetaculares.

Ao longo das cinco horas e meia de jogo com Trek To Yomi, notei uma certa evolução do combate, graças a novas armas como arco e flecha, canhão e lâminas de arremesso, ao aumento de vida e stamina e aos vários moveset que se vão desbloqueado. Mas infelizmente, a repetição de inimigos, dos seus padrões e essa falta de ritmo e imprecisão de ações, convidam a um tipo de jogo menos satisfatório, o do button smash até eliminar o oponente.

E é com alguma pena que Trek to Yomi se perde pela sua jogabilidade, que é a cola desta experiência tão visual. Nos seus sete capítulos, viajamos por uma grande variedade de zonas com algumas repetidas, mas o seu jogo de cores, ou a falta delas, com uma palete em tons de cinza, tornam esta jornada muito peculiar. Ora temos um jogo de ação side-scroller, ora estamos a explorar um mundo com câmaras fixas, em que todos os fundos servem de belos e dramáticos fundos de ecrã.

O jogo prima também pela “gimmick” do filtro de filme, que podemos desligar, mas que dá aquele charme especial à experiência do filme samurai, algo que se torna ainda mais interessante em cinemáticas ou em interações que parecem saídas de uma peça de teatro.

Trek to Yomi é uma pequena pérola imperfeita, um copo meio cheio, com tanto para gabar como para criticar. Apesar dos problemas que encontrei com o jogo, esta é uma das experiências visualmente mais interessantes do ano até agora e que estranhamente não consegui largar até terminar. Tivesse a sua história, ou a forma como é contada, uma ressonância emocional maior, e fosse a sua jogabilidade mais fluida e divertida, este seria um jogo marcante. Infelizmente não.

Podem jogar Trek to Yomi no PC, consolas PlayStation, consolas Xbox e através do Xbox Game Pass.

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