The Lightbringer – Uma aventura poética

Um jogo de plataformas interessante com algumas escolhas de design que o tornam num produto bizarro.

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E agora, algo completamente comum. Sem pretensões, grandes invenções ou ideias, assim é The Lightbringer, o título de estreia da Rock Square Thunder, uma aventura de plataformas, em visão isométrica, que combina os seus saltos, combates e exploração com uma narrativa em formato de poema, onde um jovem é guiado pela voz da sua irmã à medida que procura colocar um fim à corrupção que se instalou pelo mundo. Simples, eficaz e divertido.

De facto, The Lightbringer ganha por ser tão simples. Dividido por níveis, que se combinam entre capítulos, o jogo de plataformas aposta em cenários surpreendentemente extensos onde o foco se mantém nos saltos desafiantes, na procura por colecionáveis – que aqui surgem em três tipos – e na resolução ocasional de puzzles, que podem ser tão intuitivos como mover uma caixa para o local certo ou necessitar que encontremos chaves para abrir as portas certas: muitas vezes do outro lado do nível.

Com a visão isométrica, The Lightbringer tem um certo charme nostálgico e gostei dos jogos ocasionais que faz com a perspetiva, pedindo aos jogadores que girem os mapas para verem plataformas ou colecionáveis escondidos. É tudo muito intuitivo e o nosso protagonista é fácil de controlar, com um bom arco de salto, habilidades pouco ou nada complexas – como um duplo salto – e ainda uma mira que serve para a resolução de puzzles, mas também para o combate rápido e pouco desafiante. Parece que estamos perante um jogo de aventura de outra época e é isso que torna The Lightbringer num projeto tão reconfortante.

Os níveis são suficientemente variados entre si e até existem fases em que temos de navegar não só através de plataformas exteriores, como explorar masmorras e cavernas em busca da saída. As plataformas nunca foram frustrantes ou irritantes e senti que o design dos níveis, apesar de não apresentarem nada de novo – já viram este formato inúmeras vezes noutros jogos e noutras eras –, são equilibrados entre as sequências de salto e a manipulação de objetos nos cenários para criarmos caminhos ou chegarmos à alavanca anteriormente inacessível. The Lightbringer é tão simples que vos pode aborrecer devido à sua repetição de desafios e à ausência dos mesmos, especialmente durante os primeiros níveis.

Existe, no entanto, um enorme problema em The Lightbringer. Um problema que, julgo, irá depender de jogador para jogador, mas que, no seu cerne, parece-me ser apenas errado. The Lightbringer não é um jogo muito exigente ou difícil, mas é absolutamente cruel se perderem durante um nível. Com vários pontos de vida e a possibilidade de aumentar o seu número através da descoberta de poções, o nosso protagonista não é propriamente frágil, especialmente se tivermos em conta que o combate também não é injusto. No entanto, o jogo constrói-se em torno dos colecionáveis, é uma das suas maiores forças, pois motiva-nos sempre a encontrar tudo antes de chegarmos ao final: ou assim pensava. Se morrermos antes de chegarmos ao fim, iremos perder todos os colecionáveis que encontrámos até ali. Isto significa, como podem depreender, que teremos de fazer tudo do início, todos os cristais vermelhos e verdes: tudo. E não me queixo pela dificuldade, mas sim por ser um aborrecimento enorme. É uma escolha que não consigo compreender.

Mas no final, The Lightbringer é uma aventura sólida, muito colorida e com um foco poético que é refrescante. Existem momentos em que parece ter saído diretamente do mercado mobile, muito pelos seus modelos básicos e pela jogabilidade simplificada, mas é um título que irá satisfazer os fãs do género, ainda que esteja longe de ser memorável. Apesar de ter experimentado a versão PC, sinto que The Lightbringer é mais indicado para a Nintendo Switch, seja na televisão ou na versão portátil.

Cópia para análise (versão PC) cedida pela Mountain Giant PR.

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