Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge – Heróis de Carapaça Inteira

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Aposto que nunca ouviram esta: Shredder’s Revenge recupera a alma da série animada e transporta-nos de volta para os anos 90 e a infância. Que original!

Vou fazer uma previsão, um pouco maldosa, eu sei, mas que sou incapaz de deixar fora deste texto. Aposto com vocês que a maioria das análises a Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge começa com uma longa e sincera homenagem às personagens, mas principalmente à série animada que marcou uma geração já com cabelos brancos. Apesar do meu tom jocoso, admito que é quase impossível não iniciar as análises com esta homenagem, não quando estamos a falar do legado das Tartarugas Ninjas, como foram apelidadas em Portugal, e na forma como consumiram as nossas vidas através de bandas desenhadas, séries de animação, filmes, álbuns e todo o tipo de merchandising imaginável. Em 1990, era impossível fugir ao fervor das Tartarugas que, por acaso, também eram ninjas e eu, à semelhanças de muitos outros críticos de videojogos, também fui um enorme fã da série, ao ponto de ter decorados falas inteiras dos meus heróis favoritos, amor esse que se repartia também pelos bonecos e os videojogos.

TMNT: Shredder’s Revenge é um reencontro com o passado, com a era das manhãs marcadas por desenhos animados, de heróis destemidos que todas as semanas conseguiam derrotar os vilões temíveis em aventuras que pareciam ser intermináveis, mas também com as tardes que passámos em frente aos videojogos. Penso que todos temos o nosso videojogo favorito protagonizado por Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael, seja qual for o seu género ou plataforma, e penso que Shredder’s Revenge é um ponto de encontro em comum que irá unir os fãs de todas as idades, dos que já têm barba branca aos que estão a conhecer as míticas tartarugas pela primeira vez. Para mim, Teenage Mutant Ninja Turtles III: The Manhattan Project foi a porta de entrada, mas para vocês terá sido certamente outro jogo, uma escolha tão ou mais justa que a minha.

É quase impossível não iniciar as análises com esta homenagem a um série que consumiu as nossas vidas através de bandas desenhadas, séries de animação, filmes, álbuns e todo o tipo de merchandising imaginável.

A alma da Konami, antes do seu processo de putrefação, mantém-se intacta neste regresso ao passado, com a Tribute Games e a Dotemu a conseguirem emular na perfeição a experiência beat’em up cooperativa que tanto marcou as 8 e 16 bits. É o mesmo trabalho de corpo e alma que Streets of Rage 4 recebeu e, até certo ponto, considero que Shredder’s Revenge é ainda mais bem-sucedido do que a reanimação da série da SEGA. Talvez esteja a sentir isto porque sou fã das Tartarugas Ninjas e este jogo foi como um chá de sálvia para minha alma, despertando este carinho e respeito que tinha pelos meus heróis de infância, mas tentemos que o passado não nos tolde o julgamento. Na verdade, considero que Shredder’s Revenge é um jogo mais equilibrado, arrojado e focado nas suas homenagens do que muitos outros projetos revivalistas, começando pela introdução próxima à dos desenhos animados e terminando na estrutura do modo história e na fluidez dos seus combates.

A história move-se dentro dos clichés da própria série, com Shredder e Krang a invadirem novamente Manhattan em busca de vingança. Para os parar, as tartarugas têm de encontrar o imponente Technodrome e derrotar alguns dos vilões mais icónicos da saga, como Baxter, Rat King, Bebop e Rocksteady ou até os assustadores monstros de pizza, que me aterrorizavam quando era mais novo. A campanha expande-se por 16 níveis, que podem ser acedidos num mapa-mundo, semelhante ao que vimos em Teenage Mutant Ninja Turtles, na NES, ainda que mais linear. Os níveis são variados e levam-nos numa viagem pela cidade de Manhattan, mas também pela Dimension X, com cada fase a apresentar vários robots e membros do Foot Clan, mas também Stone Soldiers, Triceratons, entre outros, à medida que tentamos evitar armadilhas e lutamos contra bosses visualmente impressionante. De facto, Shredder’s Revenge destaca-se muito pela sua animação, pelos modelos vivos e expressivos das personagens, mas também pelos cenários densos, coloridos e muito variados. É um jogo cheio de personalidade e pormenores que demonstram o carinho com que a Tribute Games criou este regresso ao passado.

Como beat’em up, Shredder’s Revenge é bastante profundo quando quantificamos todas as opções que oferece aos jogadores. É capaz de ser um dos jogos mais acessíveis que joguei, especialmente na dificuldade normal, mas é também muito profundo e variado se assim quisermos. Não só temos sete personagens à nossa disposição, todas elas com atributos diferentes – Leonardo é a personagem mais equilibrada, mas Mickey é a mais rápida e Ralph a mais forte, onde conseguimos sentir em jogo estas diferenças –, como podemos aceder a um leque de combinações e golpes assentes no contra-ataque e na movimentação. Para além dos ataques rápidos, que iremos sempre favorecer em momentos mais intensos, podemos fazer ataques aéreos, ataques pesados (ou concentrados, obrigando a que as tartarugas reúnam forças), um deslize – que é perfeito para encurtar a distância e manter-nos em ataque -, um uppercut e até habilidades especiais, que culminam num modo de poder onde o ataque e defesa das tartarugas aumentam exponencialmente.

Se equacionarmos estas opções com a possibilidade de jogarmos com amigos, até seis jogadores – ainda que na PS4/5 só o possam fazer no modo online, com o modo local a permitir apenas quatro jogadores em simultâneo -, Shredder’s Revenge transforma-se num dos jogos cooperativos mais divertidos e caóticos atualmente disponíveis no PC e consolas. O modo história acaba por ser o grande destaque e mesmo com a sua curta duração, aproximadamente três horas, vem apetrechado de conteúdos. Podemos terminar, por exemplo, a campanha com as sete personagens e assistir aos seus finais únicos, mas também evoluir o poder dos nossos heróis, num total de 10 níveis, onde melhoramos a sua barra de vida, de energia e até o seu poder. Depois temos acesso a missões secundárias e a objetivos para cada uma das 16 fases, onde podemos colecionar itens secretos e trocá-los por pontos, e completar tarefas mais desafiantes para melhorar as nossas tartarugas e companhia. E depois temos os cameos. Os deliciosos e previsíveis cameos, como Irma, Vernon, Bernie, os irmãos sapos, os adolescentes da Dimension X, os memoráveis Tokka e Razhar, entre muitos outros. Tudo disponível numa só campanha.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge é o melhor de dois mundos.

A nível mecânico, não tenho muito a apontar a Shredder’s Revenge. O sistema de combate é absolutamente fluído e intuitivo, com uma pitada de profundidade mecânica para quem quiser mais deste beat’em up acessível. Os golpes são vistosos, fáceis de realizar, responsivos, mas também impactantes visual e sonoramente. Tudo está no seu devido lugar. No entanto, não posso fechar os olhos a picos de dificuldade nem sempre justos, nomeadamente na forma como o jogo abusa das armadilhas, tornando certos níveis mais cansativos do que deviam ser. As fases de transporte, seja em skate ou a voar, mal aproveitam a sua locomoção para criar desafios interessantes ou “set pieces” empolgantes, aproximando-se demasiado dos jogos clássicos para o seu bem. No entanto, em normal e a solo, os bosses são demasiado acessíveis e apresentam poucos desafios ou fases de dificuldade, o que foi uma surpresa menos positiva. O mesmo pode ser dito dos desafios dos níveis, que se repetem demasiado. Ora temos de evitar dano, ora temos de atirar inimigos para fora do mapa ou eliminá-los com um determinado ataque: uma repetição desnecessária.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge é o melhor de dois mundos. É o revivalismo da famosa série, mantendo o estilo dos videojogos clássicos, e é um beat’em up muito sólido, divertido e até acessível. Acredito piamente que este é o primeiro de uma nova série de videojogos protagonizados pelas Tartarugas Ninjas e que veremos muito mais das suas aventuras neste registo de combate cooperativo. Se podia ser ainda melhor, ter ainda mais conteúdos e variedade de níveis e modos? Claro que podia, mas, prefiro um jogo com alguma curadoria, curto, mas ciente da sua personalidade do que uma experiência inchada sem um pingo de originalidade. Que seja sempre assim.

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Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Cosmocover.

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