Super Sami Roll – O mestre de nada

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Inspirado por alguns dos melhores jogos do género, Super Sami Roll é ocasionalmente divertido, mas quase sempre irritante.

A Sonzai Games entrou de rompante no mundo dos videojogos. Depois de apoiar o desenvolvimento de Bat Boy e Smelter, a produtora joponesa decidiu apostar fortemente num título de aventura e plataformas peculiar, mas igualmente adorável. Super Sami Roll é o resultado, um título muito inspirado pelas clássicas aventuras de Super Mario e Crash Bandicoot, onde a variedade é a palavra de ordem. Infelizmente, não consegui ficar apaixonado pela sua jogabilidade e pela aposta em níveis curtos, em jeito de contrarrelógio, mas não existem dúvidas de quem tem um pouco de tudo.

Parte Super Mario, Parte Super Monkey Ball e Parte Chameleon Twist, Super Sami Roll quer ser tudo e acaba por ser mestre de nada. Com uma campanha dividida por quatro mundos, que se apresentam em formato HUB – muito semelhante ao que vimos em Super Mario Bros. 3 –, a aventura de Sami, em busca da sua amiga Vera, é apetrechada por níveis curtos onde temos de colecionar moedas, frutos e evitar perigos enquanto corremos contra o relógio. No final de cada partida somos presenteados por uma classificação, que vai até S+, e temos ainda uma loja para comprar tintas e outros acessórios, tal como a possibilidade de encontrarmos níveis segredos. De certeza que esta descrição poderia ser aplicada a uma dezena de jogos do género, mas é assim que Super Sami Roll se apresenta: sem vergonha do seu legado.

No entanto, há algo que distingue o título da Sonzai Games: a movimentação de Sami. Ao contrário do que possam antever, especialmente quando existe um foco tão grande nas sequências de plataformas – com alguns níveis a relembrarem as zonas de desafio de Super Mario Sunshine –, Sami desloca-se como uma bola, existindo um grande foco no impulso, na direção e no controlo na sua forma esférica. Super Sami Roll não é um jogo de plataformas normal, daí a comparação a Super Monkey Ball, e encontra-se no equilíbrio entre os saltos tradicionais do género e a aposta na velocidade e na precisão de um Marble Madness. Para adocicar ainda mais a experiência, Sami tem a possibilidade de utilizar a sua língua para se agarrar às plataformas, algo que se torna essencial se caírem para fora dos níveis.

As zonas são extensas e apresentam sempre mais de 10 níveis, que se expandem pelo HUB. Os níveis são temáticos, mas focam-se quase sempre na recolha de moedas, que ajudam a aumentar o tempo limite, e nos saltos entre plataformas, não existindo combate na sua forma tradicional. Sami pode ser atordoado pelos inimigos, mas nunca os eliminar, demonstrando assim o foco da Sonzai Games nas corridas contra o tempo. Não vão encontrar grandes novidades na campanha de Super Sami Roll. Já viram antes o que tem para oferecer, desde os seus níveis secretos – e muitos mais desafiantes – até às batalhas contra os bosses e a possibilidade de jogarem com uma segunda personagem quando terminarem a campanha. Existe o incentivo para concluírem todos os níveis com a melhor pontuação e encontrarem todas as frutas, mas a paciência irá variar de jogador para jogador.

O problema de Super Sami Roll não está no design dos níveis ou na ausência de combate, algo que associamos aos jogos de plataformas, mas sim à combinação e equilíbrio de mecânicas. A Sonzai Games tentou homenagear demasiados jogos num só e criou uma campanha que considero um pouco desequilibrada. Ora é fácil, ora é absolutamente irritante porque nos obriga a conciliar mecânicas, como o wall jump e a língua, para ultrapassar obstáculos que nem sempre funcionam. A hitbox parece ser um pouco inconsistente, e se por vezes é muito exigente, especialmente quando temos de passar por picos, noutras, parece que nos perdoa quaisquer erros que possamos estar a cometer. Isto significa que nunca nos sentiremos em segurança e em controlo total de Sami. Nunca sabemos o que nos vai calhar, qual é o timing correto para as mecânicas e qual o ritmo necessário para ultrapassar estes obstáculos. A aposta na corrida contra o tempo e na precisão dos saltos colide, na minha opinião, com a mecânica da língua, que é pouco explorada. Quando encontramos o ritmo perfeito, Super Sami Roll pode ser divertido, mas rapidamente vemo-nos a passar os seus desafios sem grandes variações.

Se estiverem à procura de um jogo de plataformas colorido, muito clássico e focado na experiência que quer proporcionar, Super Sami Roll poderá ser uma boa opção. Os níveis são desafiantes, existe a motivação para comprarem todos os itens adicionais e terminarem os níveis secretos, e a possibilidade de repetirem a campanha com uma nova personagem irá deliciar os fãs mais acérrimos do género. No entanto, fica o aviso: Super Sami Roll não é tão limado como poderia ser. A junção de mecânicas complexifica o que deveria ser simples e intuitivo, o que acaba por prejudicar uma experiência que procurava ser tonalmente clássica. Não é um mau jogo, mas é um exemplo que demonstra como às vezes é necessário fazer alguns cortes antes de lançarmos o nosso videojogo.

Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Novy PR.

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