Análise – Super Meat Boy Forever

Um regresso agridoce para um dos títulos mais famosos e importantes da produção independente.

Super Meat Boy Forever
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Existe um antes e um depois de Super Meat Boy. A celebrar o seu 10º aniversário, o título da Team Meat moldou os alicerces que viriam a influenciar e a delinear o vasto e cada vez mais rentável mercado independente nos videojogos. Em 2010, fruto da colaboração com o documentário Indie Game: The Movie (Lisanne Pajot e James Swirsky de 2012), o jogo de plataformas destacou-se das grandes produções, que marcariam progressivamente as gerações futuras, ao focar-se única e exclusivamente na jogabilidade, na dificuldade e numa enorme ligação aos fãs. Em 2020, quem sabe o que é Super Meat Boy Forever.

Antes de levantarem as forquilhas e procurarem a minha morada, quero sublinhar que o meu desdém pelo novo jogo da Team Meat é puramente pessoal. Apesar de adorar o original, mesmo que me tenha provocado uma calvície momentânea devido ao stress, a sequela deixou-me desapontado e com um sabor amargo na boca. Talvez seja um género que apreciem, mas não sou o maior fã de títulos runners – isto é, a personagem está sempre em movimento e nós só controlamos as suas restantes ações – e descobrir que o novo Super Meat Boy abandonou a jogabilidade clássica por esta aposta foi uma dor de coração. Uma longa e repetitiva dor de coração.

Os elementos principais, no entanto, estão todos presentes. Continuamos a controlar o alegre Meat Boy, mas desta vez não estamos sozinhos, pelo que contamos com a ajuda de Bandage Girl, a sua esposa – com um leque extenso de personagens adicionais para desbloquearmos –, na luta contra Dr. Fetus, que regressa uma vez mais para atormentar a família ao raptar o filho de ambos. Tal como no original, a campanha divide-se em vários níveis, cada um com fases distintas onde o foco está nos desafios, na repetição e nos reflexos rápidos. No final de cada partida, temos de enfrentar um dos enormes bosses que se atravessam no nosso caminho, que são, felizmente, um dos melhores aspetos desta sequela, já que evoluem a fórmula que vimos no original e expandem as mecânicas para confrontos de várias fases e desafios.

Super Meat Boy Forever

Dentro dos níveis, a jogabilidade assume uma maior horizontalidade, com o design a acompanhar a aposta neste Meat Boy sempre em corrida. Os movimentos são automáticos e basta-nos controlar os saltos – tal como a sua intensidade -, as rasteiras e os ataques, uma das novidades da sequela. Como seria de esperar, Super Meat Boy Forever é tudo menos fácil e ao longo dos níveis vão encontrar inimigos, serras, blocos destrutíveis, lasers, entre outros, onde basta um único toque para voltarmos ao último ponto de gravação. A alma está lá, tal como os elementos clássicos do original, mas esta sequela perdeu todo o charme.

Para mim, Super Meat Boy era empolgante devido à sua jogabilidade limada e aos seus níveis curtos. O recomeço era imediato, tal como nesta sequela, mas a duração reduzida de cada nível, que se resumiam a uma sala ou a uma sucessão rápida de desafios, fazia com que cada armadilha fosse um puzzle em si: existia tensão, sentíamos o peso de cada erro que cometíamos e queríamos melhorar com o tempo. A “tentativa-erro” continua presente, claro, mas os níveis foram expandidos, existem pontos de checkpoint e os desafios parecem estar repartidos por momentos individuais – talvez tenha sido apenas uma má experiência com o jogo, mas não senti fluidez neste jogo.

Não foi a dificuldade que me afetou, mas sim o facto de ser aborrecido. Ao fim de uns níveis, estava cansado, não me sentia desafiado, mas sim obrigado a decorar padrões cansativos que eram constantemente interrompidos pelo posicionamento das armadilhas. O facto de não podermos parar as personagens, exceto quando encontramos uma rampa que nos permite mudar de direção, aumenta, sem dúvidas, o ritmo do jogo, mas retira a magia de tentarmos perceber por nós próprios como cada nível funciona antes de o enfrentarmos. Não há tempo, não há calma e isso é confundido com dificuldade.

Super Meat Boy Forever

No entanto, tenho de destacar a progressão dos níveis e dar-lhe o seu devido valor. As fases são desafiantes, mas a Team Meat conseguiu encontrar um meio termo entre apresentar novas armadilhas e apostar nos nossos reflexos rápidos. Podemos, por exemplo, encontrar uma serra estacionária numa fase para na seguinte termos de fugir de uma que se desloca e persegue-nos. Não é inovador, mas funciona. Também gostei de algumas adições, como as rasteiras e a necessidade de alterarmos a direção da personagem em alguns momentos. São pequenas novidades que trazem algum sabor a um jogo que é tão seguro, como disfuncional.

No final, este é mais um exemplo do perigo das expetativas e de uma produtora que decidiu apostar tudo numa nova fórmula do que dar aos jogadores uma sequela segura e muito próxima do original. Respeito a aposta da Team Meat e reforço que Super Meat Boy Forever irá deliciar os fãs do género e de jogos mais assentes na dificuldade e na repetição, mas isso não significa que tenho de gostar: e eu não gostei deste regresso de Meat Boy.

Nota: Satisfatorio

Plataformas: PC e Nintendo Switch
Este jogo (versão PC) foi cedido para análise pela Plan of Attack.

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