Análise – Super Cane Magic ZERO

por Echo Boomer

O humor e a boa disposição andam de mãos dadas em Super Cane Magic ZERO, um novo RPG de ação que acaba de chegar às consolas. Depois de um lançamento no PC, o título da Studio, inspirado nas personagens e criações do cartunista Sio, traz-nos um dos mundos mais loucos e surreais que já experienciámos no género e um jogo que merece ser jogado cooperativamente com amigos.

A história de Super Cane Magic ZERO mantém a sua aposta no surrealismo e transporta-nos para uma realidade onde a cultura da Internet e o humor colidem para criar uma narrativa estranha, peculiar e quase – e aqui reforçamos o “quase” – sem sentido. Num mundo onde somos identificados como um meteorito, mas também como o herói salvador, nada é aquilo que parece, mas Super Cane Magic ZERO leva-nos numa estranha viagem em busca de AAAH!, o temível (mas adorável) cão-bengala que perdeu o controlo após a morte sem sentido do seu dono. Para tal, precisamos da ajuda dos seis magos e de desbravar caminho pelo estranho mundo de WOTF enquanto lutamos contra bosses e outras bizarrias.

Não existem dúvidas que Super Cane Magic ZERO é um jogo peculiar, mas o seu charme é contagiante e o humor está bem construído ao longo da aventura e dos seus vários mundos. Os níveis estão repletos de piadas visuais e de descrições cómicas sobre as personagens e o mundo de WOTF, sempre envoltos num surrealismo que nos fará questionar tudo o que vemos e ouvimos. É um tipo de humor que poderá cansar a maioria dos jogadores, mas se apreciarem uma boa piada “nonsense”, este jogo será certamente para vocês.

Apesar de apresentar um mundo estranho e uma história tudo menos convencional, a jogabilidade foca-se em mecânicas já conhecidas e Super Cane Magic ZERO é muito mais familiar quando finalmente começamos a jogar. Como um RPG de ação, está muito próximo da série The Legend of Zelda, com o combate a ser meticuloso e a aventura a dividir-se por vários níveis e masmorras repletas de inimigos e bosses.

A jogabilidade assume, no entanto, a forma de um Twin-Stick Shooter, com a mira a ser controlada pelo analógico esquerdo, algo que pode exigir uma certa habituação durante as primeiras horas de jogo. A ação não se restringe apenas aos tradicionais ataques, tanto físicos como mágicos, e é possível pegar em quase todos os elementos dos cenários e usá-los como armas de remessos. Esta mecânica dá uma maior profundidade ao sistema de combate e funciona como um elemento importante para o caos de cada confronto.

Se o surrealismo é, sem quaisquer dúvidas, um dos elementos mais importantes do jogo, já o caos promete ser uma das suas facetas mais inesquecíveis, algo que se torna incontornável durante as partidas cooperativas. Super Cane Magic Zero pode ser jogado por quatro jogadores em simultâneo, e apenas localmente, ao longo da campanha, o que transforma os combates em lutas intensas repletas de poderes, ataques estranhos – como uma explosão de bacon – e um armamento tão cómico como destrutivo.

O modo cooperativo é exponenciado através de várias personagens selecionáveis que podem ser evoluídas ao longo das partidas, com mais a poderem ser desbloqueadas à medida que avançam na campanha. A cooperação dá uma lufada de ar fresco à jogabilidade e não existem dúvidas que o jogo foi pensado para ser jogado com amigos, mas fica o aviso que o número de jogadores determina a dificuldade de Super Cane Magic ZERO e a qualidade dos itens que podem encontrar.

Super Cane Magic ZERO agarra-se com unhas e dentes ao género e traz consigo um sistema de evolução por níveis, missões secundárias e um foco interessante, e até necessário, na recolha constante de novas armas e equipamentos – todos eles acompanhados por descrições cómicas e completamente inesperadas. Sem o seu humor, é um jogo muito tradicional e focado na ação e na exploração, com vários segredos e colecionáveis espalhados pelos mapas. Existem ainda personagens que desbloqueiam novas missões e podem ajudar os habitantes a reconstruir as suas lojas, que foram destruídas pelo temível cão-bengala.

Tal como outros jogos do género, Super Cane Magic ZERO apresenta ainda várias árvores de habilidades, que vão desbloqueando à medida que avançam pela campanha, e que melhoram as habilidades inerentes do nosso herói. Muito familiar e sem grandes novidades no que toca às suas mecânicas, infelizmente.

O choque entre o tom e a sua jogabilidade é incontornável e rapidamente nos apercebemos que estamos perante um jogo cheio de alma e boas intenções, mas sem as mecânicas que o consigam destacar. Super Cane Magic ZERO não é original, e sem o seu humor, passa a ser um RPG de ação tão familiar que a experiência é condicionada por decisões estranhas no seu design. A movimentação das personagens é lenta para a ação do jogo, o combate é repetitivo e demasiado lento, ainda que caótico nos seus melhores momentos, e os cenários acabam por perder o seu charme à medida que viajamos pelo mundo do jogo e repetimos zonas em busca de segredos e novos desafios.

No geral, a campanha não consegue manter o seu ritmo e equilibrar a sua jogabilidade com o seu humor e tom “nonsense”, algo que se torna percetível nos saltos entre níveis e no foco desinteressante nos combates contra grupos – é corrigido se jogarem com amigos.

Super Cane Magic ZERO é um jogo apetrechado de conteúdos que irá depender da vossa paciência e dedicação. Com uma campanha extensa, que conta com mais de 20 horas de jogo, várias personagens e a possibilidade de as evoluírem até ao nível 100, e um modo arena para enfrentarem os vossos amigos, Super Cane Magic ZERO é um bom jogo com muito para oferecer, mas que acaba por ser vítima da sua rebeldia e surrealismo, deixando-nos com um título cheio de atitude, mas sem garra.

Super Cane Magic ZERO está disponível para PC, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Este jogo (versão para PlayStation 4) foi cedido para análise pela Dead Good Media.

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