Análise – State of Decay 2 – Cria a tua comunidade e mantém-te vivo

por David Fialho

Produzido pela Undead Labs e distribuído pela Microsoft, State of Decay 2 é o grande exclusivo do momento para a Xbox One e Windows 10, que nos atira para um mundo pós-apocalíptico recheado de zombies.

State of Decay 2 podia ser só mais um jogo de zombies. Podia também ser apenas mais um jogo de sobrevivência, mas, com base no jogo original lançado em 2013, este novo título remistura mecânicas e conceitos já conhecidos de uma forma bem interessante, sendo capaz de nos divertir durante muitas horas.

Um jogo de sobrevivência com zombies e muita gestão

Neste título, fica de fora a tentativa de criar uma experiência cinemática e uma grande narrativa. Aqui, temos apenas um mundo e uma situação da qual nos temos que desenvencilhar. O mundo está em decadência, os zombies estão por todo o lado e há uma nova praga que ameaça os poucos sobreviventes.

Com um registo reminiscente de séries como The Walking Dead ou filmes como 28 Dias Depois, State of Decay 2 apresenta-se como um jogo com uma grande aposta em conceitos de sobrevivência, relações interpessoais, governação e gestão de recursos, construção de comunidades e muito mais, mas num mundo em que existem zombies para nos chatear.

Para tal, vamos ter que estabelecer um centro de controlo para acamar o nosso grupo e construir anexos que vão ser importantes para a produção de recursos extra, entre os quais encontramos enfermarias para medicamentos, oficinas de ferramentas e armas, ginásios para aumentar a moral do grupo e estufas para plantar batatas durante o Apocalipse.

No fundo, State of Decay 2 pode ser visto como um jogo cheio de mecânicas de gestão e controlo, que pisca o olho a jogos como o The Sims e muitos outros com títulos cujo sufixo são “Tycoon”, isto porque vamos passar muito tempo a ter em atenção a moral e a saúde das nossas comunidades, o que, por vezes, obriga-nos a fazer tarefas específicas para garantir que mantemos toda a gente saudável e confortável.

Muito para explorar

Em State of Decay 2 temos três áreas de mundo aberto para explorar. Nelas, vamos ter que encontrar casas para habitar e construir os tais anexos de produção, vamos descobrir “ninhos de zombies,” recursos e armas espalhados por todo o lado e vamos cruzar-nos com outros sobreviventes que podem ser amigos, pessoas em apuros ou até rivais, com quem não nos queremos meter.

Podemos navegar pelos mapas a pé, mas, se isso for secante demais, temos à disposição vários veículos abandonados que podemos guardar, e até equipar. Mas cuidado, nem sempre os encontramos em bom  estado e o seu som pode atrair os zombies.

Uma particularidade do uso de um veículo é podermos usá-lo como um ponto de descarga de recursos temporário até voltarmos a casa.

State of Decay 2 é um jogo extremamente dinâmico e que se define por escolhas, desde o confronto com os ciclos dia-noite que mudam o modo como fazemos e abordamos as missões ao facto de conseguirmos mudar de personagens com diferentes habilidades e estados.

Todas estas nuances obrigam-nos a tomar escolhas com grande impacto na nossa comunidade e progresso. Por vezes teremos que dar atenção específica a uma personagem, outras vezes teremos que a deixar para trás, tendo até que a sacrificar. Outras vezes somos obrigados a iniciar confrontos com grupos de sobreviventes para garantir a nossa sobrevivência ou roubar-lhes os recursos. E todas estas escolhas terão que ser muito bem pensadas porque, quando uma personagem morre, é para sempre.

Outro fator que torna o jogo interessante ao longo das nossas aventuras é a diversidade de personagens criadas aleatoriamente pelo jogo, com caras, vozes, estaturas, perfis e habilidades diferentes, fazendo com que cada grupo de sobreviventes e cada personagem que controlamos seja diferente de todas as outras no jogo.

Os Zombies dão vida ao jogo

Apesar do grande foco na sobrevivência e gestão, os zombies não são uma parte tão grande como seria de esperar, mas, ao mesmo tempo, são um dos pilares mais importantes do jogo. Os zombies existem para justificar o ponto de situação do mundo, a existência das mecânicas de tiro e para tornar toda a exploração mais interessante, dinâmica e desafiante.

Os oito tipos de zombies no jogo existem em duas versões, os de olhos amarelos e os de olhos vermelhos, que são os que contêm a praga. É deste segundo grupo que vamos ter que ter mais cuidado por causa das possíveis infeções que podem colocar as nossas personagens em perigo.

Interagir com os zombies pode ser tão divertido como frustrante. Em situações mais críticas vamos querer fugir deles todos, noutros momentos vamos querer brincar com o seu comportamento, juntando hordas de zombies para os fazer explodir ou jogar bowling com o auxílio de um veiculo.

Os zombies acabam por ser implementados de forma equilibrada e ajudam a estabelecer o tom e o sentimento de ansiedade na exploração e caça de recursos.

Com falhas, mas com charme

Visualmente, State of Decay 2 não vai levar nenhum prémio. Não impressiona com grandes gráficos, encontrando-se ao nível de um jogo de produções médias.

Utiliza o Unreal Engine 4 com uma direção artística coesa e expectável para um jogo semi-realista em ambiente pós-apocalítico.

Existem, ainda assim, alguns elementos visuais a destacar, como as excelentes animações de alguns zombies quando nos perseguem ou o quão negros podem ser os ambientes durante o período da noite, onde ao longe só vemos os olhos brilhantes dos mortos-vivos.

A nível do áudio, somos acompanhados por músicas rock, country e melodias de cordas mais emocionais, como o género dos zombies em território norte-americano já nos habituou.

Ao longo do jogo, as personagens com quem vamos falando também apresentam um grande leque de variedade de vozes e as interjeições que fazem via rádio são bastante autênticas.

O uso do som espacial também aqui é bem aplicado, por vezes servindo de ajuda ao descobrir que temos um zombie perto de nós. É especialmente útil quando nós fazemos barulho a apanhar itens e entramos em modo de adrenalina para tirar o que queremos antes que eles se aproximem.

Algo que também é muito comum são os bugs. É recorrente encontrar personagens a flutuar, animações que não condizem com o ambiente em redor, ficar com a nossa personagem mergulhada no terreno do mapa, entre outros. Ainda assim, nenhum destes bugs estragaram o progresso de jogo e, olhando para o aspeto geral, o nível de imersão acaba por ter o seu charme. Sabemos que não é perfeito, mas aceitamos estes erros com um sorriso.

O que é menos aceitável é o tempo de loading, particularmente o primeiro logo no início do jogo, que na Xbox One original é tão longo que dá para ir buscar o lanche e voltar antes de iniciarmos.

Exploração com amigos

State of Decay 2 conta ainda com a possibilidade de jogar online em modo cooperativo, onde podemos fazer quase tudo o que fazemos no modo a solo.

Este modo cooperativo acaba, no entanto, por ser dedicado ao modo de exploração e procura de recursos, uma vez que a progressão de jogo conta apenas para o jogador primário, com os nossos companheiros a levarem para o seu jogo apenas os recursos que vão apanhando em expedição.

Uma bela adição ao catálogo da Xbox

Mas se há algo de fazer torcer o nariz, especialmente para jogadores mais casuais, é a dificuldade de State of Decay 2. As primeiras horas podem ser difíceis de absorver para jogadores iniciantes ao ver o mau estado da nossa comunidade inicial. Felizmente, o jogo é interessante o suficiente para nos dar vontade de continuar, ou até recomeçar de novo, aplicando novas estratégias, uma vez que já conhecemos os controlos básicos e, assim, progredimos as primeiras horas muito mais rapidamente do que na primeira tentativa. E vale bem a pena, porque o jogo marca-nos com um agradável sentimento de recompensa quando tudo começa a correr como queremos.

State of Decay 2 é uma pequena surpresa para o catálogo da Xbox. É um jogo bastante sólido e que, dentro do seu género, consegue seguir as tendências atuais ao destacar-se por ser divertido, profundo e viciante. Há muito para fazer e para explorar nestes três mapas de jogo, em que tudo é dinâmico e diferente de jogador para jogador.

State of Decay 2 chega dia 22 de maio à Xbox One e PC (Windows 10), faz parte do programa Play Anywhere e está também disponível para os subscritores do Xbox Game Pass.

Este jogo foi cedido para análise pela Microsoft.


 

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