Análise – Spyro Reignited Trilogy

por David Fialho

Os anos 90 marcaram a indústria dos videojogos com a revolução dos jogos com gráficos 3D. Com a Nintendo a dominar graças ao revolucionário Super Mario 64, Spyro The Dragon foi a aposta da Sony para ter na sua plataforma, a PlayStation 1, um jogo igualmente icónico.

Em 2018, Spyro regressa à consola nipónica, a Playstation 4, e à máquina da marca rival, a Xbox One, com um delicioso remake, provando prova que, 20 anos depois, Spyro continua a ser um fantástico jogo de plataformas.

Composto pelos três primeiros jogos da série, produzidos originalmente pela Insomniac Games para a velhinha PlayStation 1, Spyro: Reignited Trilogy é produzido pela Toys for Bob de raiz com recurso ao Unreal Engine.

Em vez de termos três jogos isolados, esta coleção prima pela sua consistência ao longo dos três episódios, com visuais coesos que usam a mesma direção artística e jogabilidade entre todos.

A primeira coisa que se pode apontar a Spyro: Reignited Trilogy são mesmo os visuais, que são soberbos. Juntamente com as atualizações visuais das personagens que vamos encontrando, os jogos apresentam uma qualidade muito próxima do que seria de esperar de um filme ou série de animação.

O mesmo nível de qualidade é aplicado às animações e à qualidade dos atores de vozes que acrescentam uma camada extra de charme aos nossos encontros.

Em jogo, os visuais e animações são também de excelência, fluidas e dinâmicas, desde o nosso pequeno dragão aos elementos no ecrã, como personagens pelos níveis, colecionáveis ou até vegetação que reage aos novos movimentos e ações.

A apresentação é tão sólida entre os três jogos que, não conhecendo nenhum dos episódios, é impossível distinguir em qual dos jogos nos encontramos.

A grande diferença está no soberbo desenho dos níveis, que é progressivamente mais ambicioso de jogo para jogo.

Spyro The Dragon é o mais linear e frontal de todos, com pequenos mundos que servem de áreas de exploração e de acesso aos níveis propriamente ditos e com uma progressão inteiramente dedicada ao colecionismo.

Com uma filosofia semelhante, Ripto’s Rage e Year of the Dragon já se apresentam mais ambiciosos com histórias mais complexas (ainda que bastante acessíveis para os mais novos), pequenas adições mecânicas e, obviamente, níveis mais extensos e de escala maior.

Aqueles que jogaram os títulos originais irão certamente sentir a diferença, mas, ao mesmo tempo, sentir-se-ão altamente familiarizados com a atmosfera e os visuais, muitíssimo fieis à visão dos jogos originais.

A jogabilidade também é perto da perfeição para o jogo que é. Os comandos são extremamente simples e pouco complexos. A dificuldade do jogo é muito acessível para todas as idades, sendo que o maior desafio do jogo se prende na exploração e compreensão dos níveis para os completar a 100%.

Apesar da linearidade destes jogos, os níveis são abertos, têm atalhos e requerem alguma destreza para chegar a lugares escondidos que, por vezes, mostram-se importantes para abrir novas portas e caminhos.

Menos bons são os níveis em que controlamos Spyro a voar. Sem possibilidade de alterar a sensibilidade dos comandos ou a inversão dos movimentos (apenas do movimento de câmara), os níveis em que controlamos as asas de Spyro são um pouco difíceis. O pequeno dragão move-se extremamente rápido, a câmara está muito próxima de nós e, por vezes, a direção de movimento não parece ser a correta. De toda a experiência com Spyro: Reignited Trilogy, foram estes os níveis que menos gostei de jogar.

Uma das adições mais importantes na jogabilidade está na possibilidade de movermos a câmara, algo que só era possível nos jogos originais através dos botões de ombro do comando. Nesta versão podemos usar o analógico, o que ajuda em muito no controlo de Spyro e na navegação e exploração dos níveis.

Com estes remakes, não foram apenas os visuais a ser revistos, mas também o áudio, que foi todo regravado, e apresenta, até, uma opção de banda sonora dinâmica, que se altera de acordo com as nossas ações. Já os mais nostálgicos podem optar pela banda sonora original.

A nível de desempenho, também há muito pouco ou nada a apontar. Exceto por bugs ocasionais que me atiraram para fora do mapa e pequenos esticões mínimos durante as minhas sessões, o jogo comporta-se de forma fantástica, com uma fluidez bastante sólida a qualquer momento.

Defeitos? Basicamente os mesmos que nos originais, Que se prendem com as limitações da escala da versão da PlayStation 1. Um desses exemplos está na dificuldade que por vezes existe em encontrar segredos e caminhos que nos podem levar aos 100% do jogo, mas que, de alguma forma, fazem parte da filosofia do jogo.

Spyro: Reignited Trilogy é um excelente remake que passa sem problema nenhum por um jogo contemporâneo feito em 2018. Já para os jogadores old-school, é uma verdadeira viagem no tempo.

Spyro: Reignited Trilogy é composto por três jogos – Spyro the Dragon, Ripto’s Rage e Year of the Dragon –, e está disponível para PlayStation 4 e Xbox One por 39,99€.

Este jogo foi cedido análise pela PlayStation Portugal.


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