Shattered: Tale of the Forgotten King – Em terras de Reis

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Um projeto ambicioso e muito arrojado que chega finalmente às consolas depois de uma estreia no PC.

Existe um antes e um depois de Elden Ring, a mais recente produção da FromSoftware. O que parecia ser um género obtuso, restrito a um conjunto de mecânicas, sistemas e estruturas assentes na exploração – algures entre as masmorras labirínticas de um RPG clássico e as sensibilidades estílicas de The Legend of Zelda e Metroid -, é afinal mais amplo do que antevíamos. Afinal é preciso saber como e quando arriscar, com a passagem para o mundo aberto, verdadeiramente livre e focado na experiência do jogador, a demonstrar que ainda há muito para descobrir naquilo que hoje consideramos como soulslike. Esta apreciação acaba por ser ainda mais curiosa em retrospetiva, quando olhamos para projetos como Shattered: Tale of the Forgotten, que, anos antes de Elden Ring, ambicionaram desafiar as ideias pré-concebidas deste novo género de ação, conseguindo, mesmo com as suas limitações técnicas e de orçamento, comprovar que é possível suplantar a fasquia imposta por Dark Souls e outros títulos semelhantes.

As inspirações na obra da FromSoftware e de Hideki Miyazami são bastantes visíveis em Shattered: Tale of the Forgotten King, ao ponto de sentir que esta produção independente não seria possível sem os moldes popularizados por Dark Souls ou até Bloodborne. O foco mantém-se no combate ponderado e desafiante, com várias armas e magias à disposição – que podem ser melhoradas ao longo da campanha –, na exploração intuitiva, onde todos os cenários estão interligados através de portais ou de atalhos inteligentes, e numa narrativa críptica, que procura alimentar um mistério que vive mais pela componente visual do que pelos seus protagonistas. Encontramos pontos de gravação, que servem de checkpoint, e temos de gerir uma barra de stamina enquanto lutamos contra hordas de inimigos que podem eliminar-nos com apenas um ataque certeiro. O mundo é melancólico, perdido e algures entre a vida e a morte, e de uma estagnação perturbadora, onde as memórias e a realidade colidem à medida que descobrimos mais sobre o titular rei esquecido. Resumindo, todos os elementos que seriam de esperar num soulsborne.

Depois deste primeiro contacto familiar, Shattered: Tale of the Forgotten King não perde tempo em questionar os clichés do género. Apesar de manter o estilo de combate praticamente intocado, ainda que adicione combinações únicas a cada arma – que procuram dar algum dinamismo a um sistema de ação que é muito mais rígido do que poderíamos antever – e exista uma aposta mais centrada no parry do que na defesa, tal como a utilização tradicional da barra de stamina, que se destaca negativamente depois de Elden Ring, a verdade é que a Redlock Studio reformulou a forma como a morte funciona em Shattered. É certo que continuamos a regressar ao ponto de gravação anterior, mas não somos castigados por o fazer. Não existe uma corrida contra o tempo, onde uma nova derrota significa a perda de milhares de almas, mas existe a garantia que a evolução da nossa personagem não será prejudicada mesmo que sejamos derrotados em combate. O que a Redlock Studio faz é retomar às origens do género e garantir que a evolução da personagem não seja um mero acontecimento em jogo, mas sim uma demanda em si. Podemos não perder os pontos de experiência, mas só somos capazes de evoluir a personagem no hub de Shattered, tal como em Demon’s Souls, o que significa que é absolutamente necessário encontrar os seus inúmeros atalhos e portais para termos a oportunidade de melhorar os atributos do protagonista.

As inspirações na obra da FromSoftware e de Hideki Miyazami são bastantes visíveis em Shattered: Tale of the Forgotten King, ao ponto de sentir que esta produção independente não seria possível sem os moldes popularizados por Dark Souls ou até Bloodborne.

Fora do combate, Shattered afasta-se das suas inspirações no género de ação e abraça por completo a sua vertente mais vocacionada para a exploração e a aventura. O mundo é extenso, apresentado em trechos mais lineares, mas também em cenários mais expansivos e abertos, muito antes de Elden Ring solidificar a fórmula em 2022. Apesar de termos uma divisão por zonas, especialmente nas primeiras horas da campanha, a aventura expande-se para campos verdejantes e uma maior sensação de descoberta que seria impossível na tradicional fórmula da série Souls. Temos até um meio de transporte à nossa disposição, sob a forma de uma prancha voadora, que podemos utilizar para navegar os campos naturais deste mundo em constante crescimento. Shattered vai ainda mais longe e aposta fortemente numa navegação mais próxima aos jogos de plataformas, com a opção de duplo salto e de desvio rápido a darem origem a sequências desafiantes onde temos de confiar nos nossos instintos e na nossa destreza para conseguirmos chegar ao outro lado das masmorras. Estas sequências assumem regularmente, para nossa surpresa, uma perspetiva 2D, alterando por completo o ritmo do jogo. Mais uma vez, temos esta vontade de inovar e dar maior liberdade de movimentos ao jogador, com Shattered a aproximar-se mecanicamente mais de Sekiro do que qualquer outro jogo da FromSoftware.

Apesar dos seus problemas, nomeadamente na falta de primor na jogabilidade – com alguns bugs a prejudicarem a exploração devido a problemas de colisão e texturas – e de um sistema de combate mais empolgante – ainda que adicione progressivamente novas habilidades e magias que procuram dar alguma variedade aos confrontos -, Shattered: Tale of the Forgotten King é um dos melhores exemplos do género soulsborne, nomeadamente no que toca às produções independentes. Depois de uma passagem pelo PC, fico feliz em ver a Redlock Studio a expandir o seu jogo para novas plataformas, onde poderá encontrar um novo público sedente por experiências dentro deste género ainda em formação.

Em 2022, é difícil olhar para Shattered sem pensar em Elden Ring, ainda tão presente na imaginação dos jogadores, mas atesto que é isso que lhe dará um estatuto de culto nos próximo anos: a noção de que uma equipa pequena almejou chegar onde a FromSoftware só ousou gravitou anos depois.

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Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Forthright Entertainment.

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