Análise – Retro Machina (PlayStation 4)

Explorem o futuro pós-apocalíptico através dos olhos de um robot que procura o seu lugar num mundo em decadência.

Retro Machina
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Retro Machina é um excelente argumento para a necessidade de sermos constantemente originais. Com foco na ação e exploração, a aventura isométrica do nosso robô não procura reinventar o género ou criar uma experiência inovadora, mas apostar numa narrativa mais visual e num mundo muito mais extenso e interligado do que aparenta ser. No fundo, a Orbit Studio trouxe-nos o melhor de dois mundos e criou um videojogo que é divertido: tal como deveria ser. A originalidade, verdade seja dita, é superestimada.

A exploração é o foco de Retro Machina e podemos contar com várias zonas distintas, atalhos e até colecionáveis para descobrir ao longo das áreas extensas. O mundo abandonado, num estilo retro-futurista – inspirado por obras de ficção científica de 1950, como Forbidden Planet – é quase labiríntico e confuso devido aos caminhos alternativos e segredos que guarda nos seus corredores metálicos e exteriores verdejantes – que contrastam com as cidades e fábricas em decadência –, mas sentimos que esta expansividade é justificada pelas habilidades que o nosso robô pode desbloquear, como as botas propulsoras, que nos permitem saltar entre plataformas anteriormente inacessíveis.

Não estamos, no entanto, perante um metroidvania, apesar da minha descrição poder apontar nesse sentido. É certo que Retro Machina vive muito de atalhos e das suas zonas interligadas, muitas delas dependentes de chaves e de habilidades especiais, mas a sua estrutura aproxima-o mais de um RPG de ação isométrico. Acabamos por perceber, por exemplo, que é muito mais linear quando superamos a pressão esmagadora dos vários caminhos que encontramos na campanha, com a maioria a levar-nos em direção aos nossos objetivos principais. Se, no entanto, quiserem encontrar todos os segredos e colecionáveis, têm à vossa disposição um mapa de fácil leitura que identifica as zonas fechadas, as chaves que necessitam (como disquetes de várias cores) e os pontos de transporte. Infelizmente, o cansaço instala-se, não devido à variedade de zonas muito semelhantes a nível de design – com corredores extensos e arenas mais amplas –, mas sim à velocidade da personagem.

Apesar de não ser, na minha opinião, um dos focos de Retro Machina, o sistema de combate é funcional o suficiente para ser ocasionalmente desafiante. Com a possibilidade de desbloquearmos novos ataques, como uma onda de eletricidade e um escudo protetor, podemos enfrentar outros robôs – que se apresentam numa variedade satisfatória, contando ainda com bosses no final de cada zona – com a nossa chave inglesa para ataques rápidos. Podemos esquivar-nos, usar as botas propulsoras e até controlar outros robôs – uma das mecânicas mais versáteis do jogo – em combate, mas infelizmente as opções de personalização são poucas. Se o sistema de atributos permite que melhoremos os pontos de vida, ataque e energia do nosso robô, infelizmente não permite que desbloqueemos novas combinações para os golpes. Uma oportunidade perdida, mas em defesa de Retro Machina, sinto que o combate não a grande preocupação da produtora.

Retro Machina

Os quebra-cabeças, por outro lado, assumem-se mais como um dos destaques deste jogo de aventura isométrico. Mais uma vez, a Orbit Studio jogou pelo seguro e não tentou reinventar o formato dos seus puzzles, mas funcionam perfeitamente neste ambiente retro-futurista e, acima de tudo, utilizam de forma eficaz as suas mecânicas principais. Como mencionei anteriormente, o nosso robô tem a habilidade de controlar remotamente qualquer autómata que encontre no seu caminho. Com o clicar do L2, podemos selecionar o nosso alvo e controlá-lo através do analógico direito, juntamente com a possibilidade de utilizarmos a sua habilidade única através do R1. Os puzzles giram muito em torno do controlo e posicionamento deste autómatas, mas também da destreza do nosso robô em desafios mais físicos. Se, num primeiro instante, estamos a controlar uma aranha metálica através de túneis para acionarmos um interruptor, no próximo encontramo-nos numa passadeira rápida onde temos de navegar o nosso robô por uma sala repleta de lasers, à medida que o nosso ajudante metálico controla a velocidade da plataforma móvel. Os puzzles funcionam dentro de um espetro em que nunca se tornam demasiado complexos ou frustrante, mas sem nunca cair na tentação de serem demasiado fáceis e descartáveis. Por outras palavras, estão, ao contrário do combate, no ponto certo para serem sempre divertidos.

A banda sonora não me marcou, apesar de manter uma mistura competente entre elementos sintéticos – como sintetizadores – e um tom mais caloroso, humano e próximo. O destaque vai, sem dúvidas, para a arte de Retro Machina e para a sua reinterpretação deste futuro com tonalidades passadas e de realidades idílicas. Os cenários são desenhados à mão, com cores vivas e fortes, que, infelizmente, são empobrecidas por um layout de níveis nem sempre competente, mas a variedade de arte, de zonas e de elementos estéticos, que dão vida a este mundo abandonado, nunca abandonam o jogo. Retro Machina é como regressar ao passado, à idealização do futuro e dos robôs angulares que popularizaram séries de televisão e produções cinematográficas.

Com mecânicas acessíveis e intuitivas, colecionáveis e um sistema de evolução que vos motivará a explorar a fundo o seu mundo futurístico, Retro Machina é uma aposta segura para quem procura uma aventura isométrica com foco na resolução de puzzles e num sistema de combate simples. As surpresas são muito limitadas, talvez até inexistentes, mas a Orbit Studio trouxe-nos um título muito sólido e focado no seu mundo expansivo que justificam a sua falta de imaginação e ambição. É uma aventura perfeita para aqueles que procuram uma experiência mais clássica e direta, sem elementos desnecessários ou campanhas demasiado extensas.

Nota: Bom

Disponível para: PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch
Jogado na PlayStation 4
Cópia para análise cedida pela UberStrategist.

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