Análise – Razer Anzu

Os Razer Anzu são uma aposta no útil e agradável, que se distancia do mundo do gaming, com algo que pode ser uma bela ferramenta de comunicação dentro e fora de casa.

Razer Anzu
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Quando a Razer me propôs experimentar o seu próximo produto de lifestyle, a minha mente saltou logo para um cenário muito futurista. Afinal de contas, esse produto era um par de smartglasses, um conceito ainda pouco estabelecido no mainstream, mas com um enorme potencial que, aparentemente, foi aproveitado pela marca.

Ainda estamos longe dos óculos futuristas com ecrãs nas lentes e realidades aumentadas à escala de um produto comercial. Ainda assim, os Razer Anzu causaram uma excelente primeira impressão.

Como muitos equipamentos do género, as funcionalidades “smart” estão concentradas em funções áudio, com as restantes a suportarem a razão da sua existência, formato e utilização realista. Os Razer Anzu nascem, assim, da intenção da Razer em apostar mais no consumidor casual, lifestyle e na resposta à necessidade de tornar o trabalho a partir de casa muito mais confortável.

Os Razer Anzu apresentam-se como um par de óculos completamente normais, exceto pelas suas hastes um pouco mais grossas, que passam bastante bem despercebidas. Prometem ser os companheiros favoritos de quem passa muitas horas em frente ao computador e ainda com a vantagem de poderem ser, também, os novos óculos escuros dos utilizadores em movimento. O modelo que recebi para teste conta com um design mais retangular, mas a marca oferece também um modelo com lentes redondinhas.

As primeiras impressões com os Razer Anzu, como dizia um pouco mais em cima, são extremamente boas. A mistura entre óculos de leitura e um headset “invisível” são claramente marcantes. Colocar os Anzu na cara e ligá-los a um dispositivo para ouvir música é uma experiência mágica, pois permite-nos ouvir música ou fazer até chamadas sem qualquer contacto direto ou físico com os nossos ouvidos, ao mesmo tempo que temos a privacidade do uso de uns auriculares ou earbuds.

Após ouvir algumas das minhas músicas ou podcasts favoritos com o Anzu, pedia a quem estava ao meu lado para me dizer se ouvia alguma coisa. A resposta foi “pouco, quase nada”. Trocámos de lugar e, mais uma vez, voltei a ficar impressionado. Este efeito de “som isolado” é mais presente em cenários mais movimentados e com ruído de fundo, que se sobrepõe facilmente ao som que os Anzu deixam passar a quem está à nossa volta. Já em pleno silêncio, este será facilmente notório.

A tecnologia por detrás dos Anzu não é nada de especial. Na verdade, os óculos contam com duas colunas, uma em cada haste, mas posicionada de forma a que o som aproveite a anatomia das nossas orelhas, criando a acústica correta. Colocando as mãos sob as orelhas, conseguimos isolar ainda mais o som, como se de um par de auscultadores fechados se tratasse.

Esta funcionalidade é, como podem imaginar, fantástica, pois podemos ouvir multimédia e fazer chamadas ouvindo tudo à nossa volta. É um conceito completamente contrário ao uso de auscultadores com cancelamento de ruído, mas que se revela extremamente prático e, acima de tudo, confortável, uma vez que, no fim de um dia de trabalho ou lazer, usar auscultadores pode ser exaustivo.

A qualidade de som dos Anzu não se equipara à experiência do uso de uns Hammerhead ou de uns Blackshark, ou de qualquer outro par de auscultadores ou fones mais convencionais, mas é convincente o suficiente para ouvir agradavelmente as nossas músicas favoritas. O som é mais seco, menos encorpado, sem grande baixo e está sujeito a todo o tipo de distrações por conseguirmos ouvir tudo em nosso redor. Mas para algo que parece que está a dar música ou a falar na nossa imaginação, é absolutamente fantástico.

Impressionante é também a experiência em chamadas, com o microfone a captar o som de forma clara e sem ruído, tornando assim a vertente de comunicação extremamente útil. O som captado é um pouco abafado e na linha daquilo que um smartphone capta, o que é perfeito para chamadas telefónicas ou para reuniões e conferências online. Já para produção de conteúdos, não é que se espere milagres, mas não contem com uma qualidade suficientemente boa para o efeito.

E porque esta pode ser uma ferramenta de trabalho ou de lazer que facilmente se torna o nosso melhor amigo durante o nosso dia a dia, o Razer Anzu conta com uma bateria de vida útil bastante satisfatório. Em comunicado, a Razer refere cinco horas de bateria num simples carregamento, mas, na prática, vai bem mais longe dependendo do tipo de utilização. Num cenário realista, um carregamento dá para dois a três dias úteis de utilização, tendo em conta que nem sempre estamos a ouvir música ou a fazer chamadas. Além disso, os Razer Anzu desligam automaticamente se não forem usados ou se forem retirados das nossas caras.

Algo que também me surpreendeu bastante foram os controlos dos Razer Anzu. A Razer não é propriamente a melhor empresa a criar controlos táteis intuitivos em dispositivos destes, por isso, é com alguma surpresa como com os Anzu tudo pareceu tão intuitivo. Os controlos táteis estão presentes nas duas hastes para uma utilização contextual, sendo facilmente percetíveis com um pequeno alto indicador. Tocar uma vez faz pausa e play, duplo clique salta uma faixa, pressionar longo aceita chamadas, mais longo liga o assistente… Tudo isto pode ser facilmente configurado e alterado através da aplicação para smartphones, que também serve de guia/tutorial.

Pessoalmente, já uso óculos no meu dia-a-dia, graduados e preparados para passar horas a fio em frente ao ecrã. Para usar os Razer Anzu, uma vez que não tinha ao meu alcance lentes graduadas, tive que recorrer a lentes de contacto. A experiência foi normal. Tão natural e confortável como a que já conhecia, com a única diferença de que, agora, os óculos dão-me música. Desta forma, alivia-se o uso de auscultadores nas orelhas, o que cria cansaço e fadiga ao longo do dia.

O mesmo aplica-se à utilização na rua, algo que não explorei muito devido ao confinamento atual, mas que pude experimentar com as lentes azuis UV incluídas, que tornam os Razer Anzu num par de óculos escuros perfeito para caminhadas e passeios acompanhados dos nossos podcasts favoritos.

O tempo que passei com os Razer Anzu foi fantástico, assim como as primeiras impressões, mas nem tudo são rosas e há pormenores que me preocupam com um investimento a longo prazo.

Um desses pormenores tem a ver com a qualidade de construção que deixa um pouco a desejar, com uma construção em plástico “barato” que dá a sensação que a armadura pode partir a qualquer momento. Sem dúvida, um sentimento que não sinto com os meus óculos diários. A Razer optou também pelo uso de um plástico muito glossy, acabando por ser um íman de dedadas e gorduras. Ao fim de um dia, é fácil ficar com a impressão de óculos sujos, sem que seja pelo contacto com a nossa cabeça e cabelos.

Outro pormenor está relacionado com a questão de lentes e a sua troca. Mudar de lentes é fácil, mas depois de o fazer a primeira vez quase me arrependi, pois nesse procedimento o plástico fica mais solto e as lentes não ficam tão bem encaixadas, ficando a chocalhar eternamente. Isto pode ter efeitos negativos para quem optar por usar lentes graduadas, pois correm o risco de cair acidentalmente.

E por falar na graduação, os Razer Anzu podem não ser um bom investimento para quem precisa de lentes personalizáveis. A Razer uniu forças com a Lensabl, oferecendo 15% de desconto em lentes graduadas, mas dependendo de utilizador para utilizador, esta poderá não ser uma opção viável.

Há muito para gostar nos Razer Anzu, com a aposta da Razer em produtos de lifestyle a ter certamente futuro. Esta primeira geração de óculos inteligentes pode não marcar pontos em todas as suas dimensões, mas é certamente uma solução interessante num segmento relativamente novo e com um valor algo competitivo para o tipo de experiência que oferece.

Os Razer Anzu já podem ser adquiridos a partir de 209,99€, em dois designs e tamanhos distintos.

Este dispositivo foi cedido para análise pela Razer.

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