Prinny Presents NIS Classics Volume 1: Phantom Brave: The Hermuda Triangle / Soul Nomad & the World Eaters – Louvado seja este título

Dois RPG de estratégia que servem de viagem ao passado, mas também de preservação do extenso catálogo da NIS.

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A NIS America não é estranha no que toca a relançamentos. Com um catálogo extenso de verdadeiros clássicos do género RPG, a produtora japonesa tem apostado não só na reedição de títulos, como no lançamento de remakes. A série Disgaea, por exemplo, já está envolta em remasterizações, remakes e reinterpretações desde a sua estreia, até dos seus spin-off, como a aventura dos Prinny, mas é bom fazer um desvio do seu mundo de demónios para conhecer mais sobre as produções da NIS durante a sexta geração de consola: e agora temos acesso ao primeiro volume do que espero ser uma vasta série de coleções da produtora.

A reedição de Phantom Brave: The Hermuda Triangle e Soul Nomad & the World Eaters, que constituem este primeiro volume, é uma tentativa de preservar dois clássicos esquecidos da sexta geração de consolas. Ao contrário de Disgaea, o estandarte da produtora japonesa, Phantom Brave e Soul Nomad sempre se assumiram como desvios estratégicos à fórmula da NIS, apresentando novas mecânicas e formas de jogar sem se desviarem por completo dos combates estratégicos. Este relançamento não procura reinventar os dois jogos ou dar-lhes uma nova camada de tinta, visto que ambos só apresentam cenários mais definidos e poucos mais – onde até a banda sonora mantém-se com uma qualidade reduzida (mas igualmente nostálgica para quem os jogou durante o seu lançamento original) –, mas apresenta-los a uma nova geração de jogadores.

E consegue. Não é a coleção mais impactante que a NIS poderia lançar, mas não existem dúvidas que Phantom Brave e Soul Nomad sempre foram dos títulos mais interessantes do seu catálogo. O primeiro mantém a aposta no humor e nas personagens extravagantes, a que Disgaea já nos havia habituado, mas adiciona várias mecânicas que mudam por completo o ritmo dos combates e a gestão da equipa. Ao contrário de outros títulos do género, Phantom Brave foca-se nas habilidades de Marona, a nossa protagonista, e na sua capacidade para falar e invocar espíritos. Mas esta invocação não requer apenas que coloquemos uma personagem em campo, mas sim que associemos o seu espírito a um objeto para que possa ter uma forma física. Isto significa que é importante saber quais são os objetos indicados para cada classe de lutadores, visto que os próprios objetos têm atributos associados – como a pedra, que adiciona mais pontos de defesa. Esta mecânica traz, no entanto, um senão, um pequeno elemento que complica e dificulta os combates, pois adiciona um limite de turnos para cada personagem. Quando passamos esse limite, as personagens são revertidas para os objetos que possuíram e ficam impossibilitadas de regressar.

Phantom Brave compensa esta limitação de turnos ao permitir que Marona invoque vários espíritos dentro e fora de combate, sendo necessário ocuparem regularmente a vossa equipa com novos membros. A mecânica de pegar e atirar, mais uma vez de Disgaea, também está presente e é essencial para a utilização de armas, especialmente quando outra personagem reverteu para o seu estado espiritual e deixou a sua espada ou cajado para trás. De resto, Phantom Brave desenvolve-se como qualquer outro título da NIS nesta geração, dividindo a campanha entre momentos narrativos e a sucessão de combates em arenas, desta vez sem o sistema de grelha e com uma movimentação mais livre, e pedindo ao jogador uma maior gestão de equipamentos e de membros da equipa. É uma pena não termos uma limpeza visual nos sprites e um maior cuidado visual, mas foi bom reencontrar Phantom Brave depois de tantos anos.

O mesmo não posso dizer de Soul Nomad. De todos os títulos da NIS, lançados durante a sexta geração de consolas, este RPG de estratégia foi um dos poucos que me escapou. Chegou tarde de mais, mesmo no final da geração, já quando a minha atenção estava centrada noutros jogos e noutros géneros, ao ponto de conhecer muito pouco sobre a sua jogabilidade. Pensava que seguia os mesmos moldes de Phantom Brave e Disgaea, mas é um produto muito mais peculiar do que antevia. Para começar, o foco mantém-se na equipa, mas desta vez criamos unidades que giram em torno de um líder, os mapas funcionam literalmente como mapas de pano, em toda a sua bidimensionalidade, e os combates relembram Advance Wars e Fire Emblem, com várias personagens a atacarem por turnos e de uma só vez. Até a movimentação regresso ao formato de grelhas.

Para minha surpresa, Soul Nomad é o meu destaque desta coleção. Não é propriamente o melhor ou o mais profundo RPG de estratégia do catálogo da NIS, mas adoro o seu classicismo e a aposta no posicionamento das personagens dentro de uma formação, ou Rooms, tal como a personalização simplificada da gestão e do desenvolvimento das personagens. Apenas o líder é capaz de evoluir de níveis e funciona como o centro de cada batalhas, tendo à sua disposição várias habilidades destrutivas que ficam disponíveis à medida que as batalhas avançam. Também temos o regresso de um mapa-mundo mais tradicional, com caminhos definidos e vários pontos de interesse que podemos visitar, relembrando-me constantemente do mapa que vimos em Final Fantasy Tactics. É um best-of de várias mecânicas clássicas e foi essa aposta nas raízes do género que me fizeram apreciar tanto o que Soul Nomad tem para nos oferecer.

Mas será este primeiro volume obrigatório? Por uma questão de preservação, diria que é ideal para os fãs do género e que serve como um novo olhar para um estilo que se diluiu muito nos últimos anos – apesar de nos ter dado alguns dos seus títulos mais interessantes. Depois temos a questão dos dois jogos já se encontrarem disponíveis no Steam em separado, o que retira alguma surpresa e novidade a esta coleção fora da Nintendo Switch, mas é impossível desvalorizar a qualidade dos dois jogos. Não é uma coleção obrigatória, mas é uma boa montra para o passado.

Cópia para análise (versão Nintendo Switch) cedida pela NIS America.

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