Análise – Persona 5 Strikers (PlayStation 4)

Joker e o gangue de ladrões regressam numa aventura que é tão spin-off como sequela oficial de Persona 5.

Persona 5 Strikers
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A popularidade da série Persona é um fenómeno. Como spin-off da franquia Shin Megami Tensei, esta aventura de estudantes contra forças sobrenaturais conquistou fãs por todo o mundo com a sua aposta num sistema de combate por turnos, utilizando ainda o sistema Press-Turn (onde um ataque crítico ou de fraqueza dá acesso a um novo turno), e elemento mais social onde, fora das masmorras, vivemos a fantasia da adolescência e conhecemos melhor as personagens que constituem a nossa equipa. É fácil perceber a sua popularidade, mesmo que faça parte do género RPG, mas ninguém esperava a fama que Persona 5 viria a conquistar, dando origem a vários spin-offs, relançamentos e animes ao longo de quatro anos. E agora, chegou a hora de revisitarmos o seu mundo com Strikers, um título que é tão spin-off como sequela.

De facto, reencontramos Joker e os seus Phantom Thieves meses depois dos acontecimentos de Persona 5. Se ainda não terminaram o original, escusado será dizer que vão encontrar spoilers, mas Strikers consegue, ainda que sob os alicerces do original, construir uma aventura que vive por si só. A reforma dos Phantom Thieves é assim interrompida e, durante as férias de verão, o grupo terá de enfrentar uma nova ameaça e regressar ao Metaverse para parar a investida de vilões que procuram roubar os desejos das pessoas. Para tal, Strikers segue uma estrutura muito próxima do jogo original, com Joker e a sua equipa a prepararem os golpes às prisões dos seus adversários, que se dividem por várias zonas – algumas com mecânicas únicas, como puzzles e novas formas de deslocação –e com um confronto no final. A equipa conta ainda com novas personagens, como a adorável Sophia, uma inteligência artificial que os guia através desta nova versão digital do Metaverse.

Como continuação, Strikers segue uma estrutura muito segura que não irá afastar os fãs de Persona 5. As personagens são praticamente as mesmas, tais como alguns cenários mais populares (como o café de Sojiro e a zona de Shibuya), e mantém o foco nas relações sociais entre o elenco principal e o secundário. No entanto, estas aproximações ao original terminam no sistema de combate e na progressão da campanha, onde a fórmula Musou faz-se sentir finalmente.

Persona 5 Strikers

Na verdade, Persona 5 Strikers é um monstro diferente do que vimos, por exemplo, em Hyrule Warriors: Age of Calamity. Apesar de manter o foco no combate em tempo real contra hordas de inimigos, a ATLUS e a Omega Force nunca se afastaram muito da fórmula da série, relegando a estrutura do jogo para bases mais próximas de um RPG, com zonas fechadas e não para campo extensos e pouco detalhados como em Dynasty Warriors. Criou-se, assim, um híbrido onde os combates mantêm o foco na ação, mas surgem quase como confrontos de um RPG de ação tradicional, com Joker a despoletar estes sequências ao aproximar-se dos inimigos ou ao apanhá-los desprevenidos.

De facto, Strikers mantém vivas algumas das mecânicas popularizadas por Persona 5, como os ataques furtivos, a utilização dos cenários para ganhar vantagem ou evitar combates, o uso de fraquezas para ganhar ataques adicionais ou despoletar um ataque em conjunto e, como não poderia deixar de ser, o uso de magias e Personas. Todos os elementos estão presentes, mas constroem-se através de um sistema de ação que funciona muito bem. As combinações são fáceis de utilizar e qualquer uma das personagens tem as suas vantagens e desvantagens, sendo que Joker continua a ser a mais equilibrada de todas. Tal como no original, Joker é também o único capaz de utilizar múltiplos personas, que agora são conquistados entre combates e não através de negociação, criando assim um leque de habilidades e ataques para qualquer situação – e tendo em conta a dificuldade do jogo, tentem ter um persona para todas as fraquezas possíveis. A sua utilização também é intuitiva e podem utilizar ataques físicos, a pistola ou qualquer habilidade dos personas sem quebrar as combinações, dando assim origem a combates frenéticos, mas nunca caóticos o suficiente para que percam os seus elementos mais estratégicos: não esquecer que estamos perante um Shin Megami Tensei e que os inimigos também conseguem (e vão) explorar as nossas fraquezas.

A evolução por níveis mantém-se sólida e podemos equipar as personagens com novas armas e equipamentos, tal como em qualquer outro RPG. Fora dos combates, as diferenças entre Persona 5 e Strikers fazem-se sentir numa maior aposta na linearidade, não existindo tanto espaço para a exploração ou para as relações sociais mais ambiciosas – é tudo muito mais simples e direto. No entanto, tenho de admitir algo: senti falta de um maior foco nos combates em grande escala.

Persona 5 Strikers

Como membro da família Persona, Strikers coloca as personagens e estória em primeiro lugar, quebrando constantemente o ritmo da jogabilidade para apresentar mais um trecho da narrativa, algo que se torna irritante quando consideramos o formato Musou em que se insere. Quando temos um sistema de combate tão fluído, intuitivo e variado o suficiente para eliminarmos hordas de inimigos, queremos explorar mais as suas mecânicas e Strikers sufoca-nos imenso durante as primeiras horas. A liberdade lá chega, felizmente, mas nunca pensei sentir tantas saudades da fórmula Musou como senti aqui. Mas existe, no entanto, um ponto positivo: ao menos não dura 100 horas, mas sim menos de metade, o que é ideal para quem quer experienciar uma campanha mais leve ou arriscar-se a completar tudo a 100%.

Uma coisa é certa: Strikers continua a jorrar estilo. Os gráficos e direção de arte continuam a ser impressionantes e mantêm a aposta em menus estilizados e sempre animados, dando um toque individual que não encontrarão noutro título do género. As cores fortes, os contornos sobressaídos e a presença das personagens entre menus criam uma afirmação artística forte por parte da ATLUS e da Omega Force, algo que se faz sentir, como não poderia deixar de ser, na banda sonora, agora a cargo de Atsushi Kitajoh, Gota Masuoka e Ayana Hira.

O desempenho nas consolas (analisámos a versão PS4) não é o mais sólido, mas não encontrei bugs ou problemas que dificultassem a minha experiência. Esperem apenas por algumas quebras ocasiões no framerate. O que senti, no entanto, foi uma falta de fluidez nos controlos, especialmente no manuseamento da câmara. Talvez esteja a recordar Persona 5 com nostalgia desmedida, mas quero acreditar que os controlos não eram tão rígidos. Não é tão fácil de controlar as personagens fora dos combates, especialmente quando existe uma aposta tão acentuada nas secções de plataformas e na deslocação rápida entre pontos estratégicos dos cenários. Poderá ter sido um problema pessoal, admito, mas fica a nota.

Persona 5 Strikers é um bom argumento de defesa para a criação de spin-offs. Não só existe um respeito incontornável pela franquia original, como adiciona novos elementos mecânicos à série e dá continuidade à estória de Joker sem desvirtuar o que vimos anteriormente. É uma vitória que irá satisfazer os fãs da série, ainda que os amantes de Musou possam encontrar um jogo menos acessível ou interessado nos combates infinitos.

Nota: Muito Bom

Disponível para: PC, PlayStation 4, PlayStation 5 e Nintendo Switch
Jogado na PlayStation 4
Cópia para análise cedida pela Ecoplay

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