Análise – Ori and the Will of the Wisps

Após alguns atrasos e adiamentos, eis que a Xbox e a sua família, agora estendida até ao Windows 10, recebem finalmente a sequela de um dos pesos pesados da Microsoft desta geração. Falamos de Ori and the Will of the Wisps.

Ori and the Will of the Wisps

O atraso foi de apenas um mês, mas deu-me oportunidade para colocar em dia a falha de nunca ter jogado Ori and the Blind Forest, apesar de ter uma Xbox e de ser subscritor do Xbox Game Pass desde o seu lançamento. As minhas impressões do primeiro jogo não foram tão bombásticas como a generalidade da comunidade e da imprensa, mas, ainda assim, achei que é, por si só, um belo jogo de aventura e ação 2D memorável, emocional e acessível, que abriu a porta a um mundo muito maior e emocionante que Ori and the Will of the Wisps foi bem capaz de explorar.

A nossa aventura começa precisamente a seguir aos eventos do primeiro jogo. Logo no início, temos mais um prólogo que nos apresenta a nova companheira de Ori, a pequena coruja Ku, com quem iniciamos uma aventura que, como se pode esperar, não corre assim tão bem. Ori and the Will of the Wisps leva-nos de novo numa jornada de resgate que serve também de salvação do mundo, ao ajudar os seus habitantes e ao acordar a bondade das criaturas que reinam as zonas consumidas pela escuridão.

Entre novas regiões, que são agora um pouco mais fáceis de ler no mapa, visitamos florestas, pântanos, ruínas, desertos e cavernas, num leque de localizações e de níveis muito bem desenhados e intrinsecamente ligados, tão bonitos como motivantes de explorar.

Ori and the Will of the Wisps

Se Ori and the Blind Forest já era um jogo bonito, a sua sequela é ainda mais. Com uma palete de cores bem mais variada e novas regiões também elas com novas cores e ambientes, Ori and the Will of the Wisps é extremamente vibrante e dinâmico, com personagens amigas e inimigas a popularem o mundo com alguma densidade, com ramos e folhas que mexem com o vento e muitos elementos interativos simplesmente ao nosso toque. A direção artística continua também no ponto, oferecendo uma atmosfera tão boa ou melhor que a do primeiro jogo.

De gabar é também a excelente banda sonora orquestrada que, além de pegar em temas familiares, traz consigo temas de ambiente que encaixam que nem uma luva no tom e no tema dos níveis e que chegam a ser tão bons que dão vontade de ficar em determinados níveis só para ouvir as fantásticas melodias criadas para aquela zona ou situação.

Se até agora tudo soa a “mais e melhor”, é normal: é a única forma de descrever Ori and the Will of the Wisps. Com uma longevidade e tempo de jogo que não só duplica, mas facilmente triplica o progresso do jogo comparado ao primeiro, Ori and the Will of the Wisps inclui desta vez uma série de side-missions e desafios que vão por à prova as nossas habilidades.

Desde trials de combate, a corridas contra o tempo, ou simples fetch-quests de exploração de zonas que, de outra maneira, não visitaríamos no jogo, Ori and the Will of the Wisps está cheio de objetivos e coisas para fazer, o que é ótimo, porque a sua jogabilidade dá mesmo muita vontade de continuar a jogar.

Talvez a maior e mais drástica diferença de Ori and the Will of the Wisps seja mesmo a sua jogabilidade e todas as oportunidades que oferece ao jogo. Se, no anterior, a nossa “única” arma de combate era o uso de projéteis e o nosso corpo em movimento, desta vez o foco está mesmo no combate corpo a corpo e num set personalizado de poderes, desbloqueados à medida que progredimos no jogo, que podem ser atribuídos a três botões.

De armas a utensílios, o destaque vai para o primeiro que desbloqueamos, um bastão que, embora possa não ser utilizado, deverá ser dos mais usados pelos jogadores por não gastar energia, como é o caso de alguns ataques mais poderosos.

Ori and the Will of the Wisps

A gestão de energia e vida pode ser usada como anteriormente, mas apenas se tivermos essa mesma habilidade. Graças a uma restruturação completa desse sistema, temos agora alguma liberdade e menos frustração. Ao longo do jogo, temos disponíveis os cristais e plantas de vida, tal como no original, mas cada inimigo abatido dá-nos a energia suficiente para recuperar, uma mecânica que, também ela, pode ser evoluída a nosso favor.

Outra vantagem desta reestrutura é que já não é preciso usar qualquer tipo energia para fazer save do nosso progresso. Ori and the Will of the Wisps conta com um sistema de autosave que nos impede, na maioria do tempo, de perder grandes porções de jogo por esquecimento.

Porém, tudo isto era excelente se Ori and the Will of the Wisps quisesse que gostássemos mesmo dele. A minha aventura com Ori foi passada na Xbox One X e, por algum tempo, também na sua versão PC e, tanto num lado como do outro, a experiência foi, na maior parte do tempo, ótima. No entanto, ao longo da minha jornada, foram vários os problemas técnicos que encontrei. Ori and the Will of the Wisps já tem um patch Day One preparado para o lançamento, mas alguns dos problemas encontrados ainda se mantém, enquanto que outros são muito difíceis de replicar, algo que me leva a crer que talvez mais um mês no forno não teria sido mal pensado por parte da Moon Studios e da Microsoft.

Com suporte 4K e HDR, Ori and the Will of the Wisps aponta para os 60FPS, algo que se sente a maioria do tempo, mas onde é notável aquela pequena flutuação ali na casa dos 50FPS, com áreas onde parece que o jogo não corre tão bem como devia. Este aspeto pode não ser muito notório nem interfere com o ritmo frenético de alguns combates, mas um olho treinado irá sentir isto com regularidade.

Há que referir, também, os longos períodos de loading, em particular o primeiro, alguns momentos de freeze frame ao trocar de áreas ou simplesmente ao abrir e fechar os menus, momentos em que o jogo deixava de responder (algo já resolvido no recente patch) ou de ter efeitos de áudio e, talvez o pior de todos os problemas que encontrei, a falha do autosave sem me aperceber, levando-me a repetir longas porções de jogo após uma morte ou um reiniciar devido a um ou outro bloqueio.

Por norma, não costumo apontar tantos defeitos a um jogo pelos seus bugs e problemas técnicos, mas Ori and the Will of the Wisps é, provavelmente, o título mais afetado por este tipo de problemas que joguei este ano e é, também, um dos jogos onde menos esperava encontrar tal coisa. Embora tenha sido possível completar o jogo sem grandes problemas, houve momentos em que estes se acentuaram de forma a criar alguma frustração.

Não quero, contudo, dizer que Ori and the Will of the Wisps é um mau jogo, antes pelo contrário. Apesar dos seus problemas, naquilo que é e pretende ser, é incrível e não irá deixar os fãs do original desiludidos.

Ori and the Will of the Wisps é, sem dúvida alguma, mais e melhor. Com uma nova montanha russa de emoções e alguns twists bem interessantes, a Moon Studios expande o mundo de Ori como uma sequela o deve fazer, largando alguns aspetos menos positivos do seu antecessor e construindo algo mais ambicioso por cima das suas fundações.

Com muito mais foco no que pretende oferecer, uma história mais ambiciosa, muito conteúdo novo, um sistema de combate renovado e viciante e visuais absolutamente lindos, Ori and the Will of the Wisps cumpre a sua promessa e abre a temporada de 2020 dos grandes lançamentos da Xbox da melhor forma possível.

Ori and the Will of the Wisps fica disponível na Xbox One, Windows 10 PC e para subscritores do Xbox Game Pass no dia 11 de março.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Plataforma: Xbox One, Windows 10 PC
Este jogo foi cedido para análise pela Xbox Portugal.

Ori and the Will of the Wisps é uma excelente sequela do original de 2015, expandido o mundo de Ori de forma mais ambiciosa e emocional. Apesar de alguns problemas técnicos que podem ser resolvidos via patch, Ori and the Will of the Wisps é mais e melhor.

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