Análise – Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm

Aventurem-se pelos sete mares neste novo RPG de ação que acaba de chegar à Nintendo Switch.

Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm
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O género de Aventura não seria o mesmo sem The Legend of Zelda. A demanda de Link, para salvar a princesa Zelda e derrotar o temível Ganon, marcou toda uma geração com o seu mundo aberto e aposta em várias masmorras desafiantes. A sensação de aventura, de descoberta e de deslumbramento deu à série uma grandiosidade que raramente vimos no género, influenciando produtores e estúdios por todo o mundo a tentarem captar a magia da sua fórmula simples, mas muito limada. A Cornfox & Bros. foi uma dessas produtoras e, depois do sucesso de Oceanhorn: Monster of Uncharted Seas, está de regresso ao género com uma sequela que procura elevar a fasquia com mais zonas, exploração e conteúdos, onde a influência de Breath of the Wild é incontornável – e nunca injusta.

Mais uma vez, Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm transporta-nos para um mundo dividido por pequenas ilhas, onde o mar é um dos seus protagonistas. No papel de um jovem guerreiro, novamente sem voz, embarcamos numa aventura pelo destino que nos coloca em rota de colisão com um império aterrorizador que quer conquistar o mundo. A estória não poderia ser mais cliché, com o jovem órfão, mas heroico, que se vê envolvido numa luta pela vida após a sua aldeia pacata ser destruída. Apesar da estrutura arquétipa, Knights of the Lost Realm torna-se convidativo, familiar e reconfortante, ao contrário do título anterior – que era muito mais frio e desinteressante –, conseguindo captar o espírito do género sem perder a sua inocência e boa disposição.

Se Oceanhorn se inspirou em A Link to the Past, já a sequela decidiu dar um passo à frente e construir um mundo totalmente em 3D. Os cenários são agora muito mais extensos, totalmente exploráveis e sem a limitação de ilhas e masmorras aborrecidas. O mundo é muito mais vivo, colorido e até familiar – apesar de não ter ficado convencido com os modelos das personagens e dos inimigos – e existe uma sensação de exploração muito mais palpável. Apesar de não ser um mundo aberto, encontramos campos mais amplos e divididos por zonas, como aldeias e masmorras, onde existem ainda localizações secundárias que escondem tesouros e outras surpresas. Com a possibilidade de viajarmos entre ilhas, temos assim um RPG de ação muito completo e com várias horas de conteúdos, onde poderão encontrar missões secundárias, novos equipamentos e colecionáveis.

Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm

A jogabilidade é muito familiar, como seria de esperar. O controlo do herói é intuitivo e responsivo, e temos acesso regularmente a novas habilidades e armas. A fórmula continua a ser idêntica ao que vimos no título anterior – com cada zona principal a dar-nos uma arma ou habilidade especial que teremos de utilizar para resolver puzzles simples –, mas está muito mais composta e fluída. Existe uma maior sensação de controlo, com o herói a conseguir atacar, mas também subir e escalar paredes, atirar objetos e até correr, utilizando uma barra de estamina para as ações mais exigentes. O design dos níveis também é mais ponderado quando comparado ao original, ainda que tenha sentido que as masmorras são, infelizmente, muito lineares. Alguns puzzles foram desafiantes, mas no geral, é um jogo pouco interessado em ser desafiante, mas sim divertido.

O combate não evoluiu muito nesta sequela, mas temos acesso a mais armas e habilidades. Podemos utilizar escudos, bombas, projéteis e até ataques elementais para queimar ou eletrocutar inimigos e certas partes dos cenários – com o jogo a apostar mais numa jogabilidade sistemática –, dando-nos opções de combate que não trazem nada de novo ao género. Os controlos são responsivos e a presença de um menu radial abre a possibilidade de trocarmos rapidamente entre armas e habilidades, mas senti-me cansado dos combates ao fim de poucas horas. Os inimigos são implacáveis em grupos, com a IA a ser agressiva – ainda que longe de inteligente –, mas nunca são divertidos de derrotar. Os seus padrões repetem-se constantemente e a presença de confrontos aleatórios nos mapas mais extensos cortam ainda mais a surpresa e a novidade destes combates.

A presença de companheiros de batalha poderia ter eliminado alguma da monotonia dos combates, mas, infelizmente, não foi isso que verifiquei. Os companheiros, a quem podemos dar ordem simples – como atacar ou ativar alavancas –, são demasiado passivos. Os seus golpes não são muito poderosos e o ritmo lento em que atacam retira qualquer apoio que poderiam proporcionar. Fiquei com a sensação que se trata de um elemento pouco desenvolvido na jogabilidade, até mesmo nos puzzles, onde só os utilizamos em momentos muito específicos. Os puzzles não são muito desafiantes ou inovadores e a utilização de Gen ou Trin revela exatamente isso, especialmente quando as suas habilidades são tão limitadas.

Oceanhorn 2: Knights of the Lost Realm

Outro elemento em conflito com a estrutura clássico do jogo é a presença de um sistema de níveis. Em Oceanhorn 2, podemos evoluir o nosso herói à medida que derrotamos inimigos e concluímos desafios adicionais – com uma boa variedade de tarefas distribuídas pelas várias zonas do jogo –, desbloqueando novos títulos e aumentando o número de itens que podemos carregar em simultâneo. No entanto, não melhoramos a vida ou ataque do protagonista. Os pontos de vida seguem o mesmo modelo de The Legend of Zelda, onde temos de encontrar peças de coração escondidos pelo mundo, e o ataque e defesa são influenciados pelos acessórios que equipamos nas armas e habilidades. Resta-me então perguntar: porque existe um sistema de níveis? Será apenas para considerarmos Oceanhorn 2 um RPG de ação e não um jogo de ação e aventura? É uma adição estranha e muito descartável, que já manchava o primeiro título, mas se quiserem ter a ilusão de que estão a jogar um RPG profundo, podem sempre divertir-se a evoluir o vosso herói.

Na Nintendo Switch, Oceanhorn 2 não apresentou grandes problemas de desempenho e não encontrei grandes bugs ao longo da campanha. No entanto, e como seria de esperar, deparei-me com alguns soluços e com a queda de frames nas zonas mais extensas. Em ambientes controlados, o jogo mantém-se solidamente nos 30fps, mas quando exploramos o exterior – com a câmara a ficar mais afastada – conseguimos sentir a Switch a esforçar-se para correr o jogo. São problemas comuns na consola híbrida da Nintendo e retiram alguma da magia de explorar o mundo de Oceanhorn 2.

Seja a pé ou de barco, a Cornfox & Bros. trouxe-nos um RPG de ação muito sólido e divertido, pegando no melhor de The Legend of Zelda para criar uma aventura que irá certamente encontrar os seus fãs. Existem mecânicas que não funcionam tão bem e que foram mal aproveitadas pela equipa, mas, no geral, Oceanhorn 2 é divertido do princípio ao fim, oferecendo aos jogadores muitas horas de conteúdos com tesouros escondidos, missões secundárias e várias zonas para descobrirem. É clássico, pouco inovador e existem momentos em que conseguimos ver claramente as suas inspirações, mas é uma aventura que não se irão importar de viver.

Nota: Bom

Plataformas: Nintendo Switch
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Plan of Attack.

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