Análise – No More Heroes 1 & 2

Enquanto esperamos pela sequela, está na hora de revisitarmos Santa Destroy em todo o seu esplendor.

No More Heroes 1 & 2
- Publicidade -

Existem poucas séries como No More Heroes, com um humor tão rude e cru, mas igualmente imaginativo e inteligente, e uma vontade tão acentuada em destruir as convenções do seu género. Esta magia, que raramente vemos na indústria, seria impossível sem Goichi Suda, ou Suda51, o seu diretor e produtor, que nos trouxe também Killer 7, Let It Die e Shadows of the Damned, entre outros. 13 anos depois da sua estreia, No More Heroes, exceto em alguns problemas na jogabilidade, continua tão atual e refrescante como era: e isso é impressionante.

Com o terceiro título a caminha da Nintendo Switch, é um alívio reencontrar a série fora da Wii e da PS3. Pela primeira vez em vários anos, não contando com o spin-off – Travis is Back – , temos Travis Touchdown em todo o seu esplendor e em duas aventuras que o levam numa demanda pelo título de melhor assassino do mundo. Pelo caminho, encontra adversários de peso, muito humor, sangue e vísceras, à medida que quebra a quarta dimensão e nos dá duas campanhas que são tão fruto do seu tempo, como intemporais – ainda que longe de serem perfeitas.

No More Heroes é um jogo de ação e aventura, muito focado no combate. Até certo ponto, podemos compará-lo a Shadow of the Colossus, onde a estrutura se foca quase exclusivamente no combate contra outros assassinos. No entanto, Suda51 injeta uma maior sensação de crescimento e aventura na campanha ao permitir que Travis explore Santa Destroy e descubra novas missões – onde terá de juntar dinheiro para poder enfrentar cada um dos bosses –, colecionáveis, ginásios – para melhorar os seus atributos – e novas indumentárias para vestir entre combates.

Se retirarmos a sua irreverência mecânica e visual, No More Heroes é muito mais tradicional do que aparenta ser. De facto, é um jogo de ação muito seguro, com Travis a utilizar a sua katana laser para disferir combinações muito básicas e golpes mortais que eliminam rapidamente os vários inimigos. Existem mecânicas interessantes, como o recarregar da katana a meio dos combates e a utilização de movimentos de wrestling, mas segue à risca uma estrutura simples e que já vimos noutros jogos: eliminem os inimigos, naveguem por níveis simples e lutem contra o boss. E depois é só repetir.

No More Heroes 1 & 2

Mas funciona. E bem. No More Heroes é tão exagerado, com sangue a jorrar exageradamente de cada adversário derrotado, que se torna cativante. Queremos ver o que vem a seguir, que loucura iremos encontrar e como serão as habilidades especiais dos outros assassinos. As batalhas finais são o ponto alto dos dois jogos e Suda51 conseguir criar um leque de personagens impressionante não só nas suas personalidades, muitos deles loucos e imprevisíveis, como nas suas habilidades. Cada confronto é um evento e nunca saberemos o que nos espera e como teremos de os derrotar.

No entanto, existem algumas decisões de design que acabam por não satisfazer, seja no primeiro jogo ou na sua sequela. No original, temos Santa Destroy, a cidade que serve de palco para a aventura louca de Travis e que pode ser explorada livremente. Com a sua moto, Travis pode visitar os vários locais de interesse e descobrir colecionáveis espalhados pelos quintais e lojas da cidade. Qual é o problema? Santa Destroy é aborrecida. O deslocamento é lento e a cidade é demasiado longa para os conteúdos que oferece, tornando-se frustrante viajarmos entre os seus pontos importantes. É frustrante iniciar uma missão de assassinato e depois deslocar-nos, quase de uma ponta à outra da cidade, para encontrarmos o local específico. No combate, temos uma mecânica de sorte, onde temos a possibilidade de ativar ataques especiais e novas habilidades sempre que derrotamos inimigos. Esta mecânica é incontrolável e funciona como uma verdadeira slot machine, não existindo qualquer controlo sobre ela. Isto leva ao ponto de podermos ativar os poderes de Travis mesmo quando terminamos um combate, invalidando assim a sua utilização. Esta falta de controlo e o desperdício de habilidades, que nos podiam ajudar mais à frente, são dois problemas graves numa jogabilidade que já é, por si só, pouco imaginativa ou variada. Felizmente, nunca chega a quebrar o sistema de combate.

Na sequela, Desperate Struggle, o mundo aberto foi substituído por um design mais automático e, em vez de explorarmos as ruas de Santa Destroy, temos à nossa disposição um mapa com várias localizações que podemos visitar. As zonas estão à distância de um botão: perfeito! Os minijogos, ou trabalhos em part-time de Travis, também sofreram uma transformação e são agora inspirados em jogos clássicos de 8 bits. Esta parece ser uma mudança vencedora, e até certo ponto é, sem dúvidas, mas os minijogos nunca deixam de ser cansativos. Em vez de limite de tempo, agora temos vários níveis que temos de concluir para recebermos o pagamento. É cansativo, mas funciona. No entanto, espero que a próxima sequela seja mais criativa neste departamento.

No More Heroes 1 & 2

Quero também sublinhar que estas são as versões Wii e não temos grandes mudanças ou melhorias em relação ao que vimos nas edições originais. Os gráficos estão mais limpos, agora em alta definição, mas os modelos, cores e detalhes não sofreram alterações neste salto geracional. No entanto, No More Heroes tem tanta personalidade e um estilo tão animado e colorido que nunca senti – fora os seus cenários mais vazios e poligonais – que estava a jogar dois títulos da Wii.

Não são novas versões ou reedições de luxo, mas isso não me proíbe de dizer que são essenciais. São dois jogos incríveis do catálogo da Wii que têm agora a oportunidade de encontrar um novo público. Mesmo com a sua idade e problemas inerentes ao ritmo e jogabilidade, continuam a ser recomendáveis para todos os fãs de ação, humor e de Suda51.

Não são todos os dias que recebemos jogos como No More Heroes na Switch, não com esta criatividade, estilo e estilo narrativo tão únicos. Não deixem passar a oportunidade.

Nota: Muito Bom

Plataformas: Nintendo Switch
Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela Decibel PR.

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

12,401FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
653SeguidoresSeguir

Relacionados

Análise – Angry Video Game Nerd 1&2 Deluxe

Está na hora de regressarmos ao passado para jogarmos dois jogos que pensávamos estarem perdidos no tempo!

Análise – FIFA 21

FIFA 21 vem com muitas novidades e algumas melhorias face ao capítulo anterior, mas falha onde não pode: dificuldade da AI da consola em jogo offline.

Digimon Survive foi adiado para 2021

E não é a primeira vez que o futuro RPG é adiado.

Jogo português Pecaminosa chega ao PC e consolas em 2021

Preparem-se para uma viagem até um mundo pixel-art inspirado em clássicos noir.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Horizon Zero Dawn junta-se ao PS Now

Há meia dúzia de novos jogos no serviço de streaming da PlayStation.

Control chega ao Xbox Game Pass juntamente com mais de uma dezena de jogos

Dezembro leva até à subscrição mais de uma de jogos para PC, consolas e smartphones.