Análise – Mudrunner: A Spintires Game – American Wilds

por David Fialho

Spintires: MudRunner é a sequela do jogo de simulação off-road de 2014 conhecido apenas como Spintires.

Lançado originalmente no ano passado, Mudrunner recebe agora uma expansão, American Wilds, que leva os jogadores até aos terrenos dos Estados Unidos da América depois de ter passado pela Europa de leste Soviética.

Ao contrário dos jogos de simulação off-road onde a destreza e a rapidez são o mais importante para concluir as etapas, Mudrunner assemelha-se mais a jogos como Truck Simulator e, por vezes, Farming Simulator.

O conceito fundamental de Mudrunner passa por ir de um ponto A a um ponto B, percorrendo estradas e caminhos agrestes com o mínimo de danos nos nossos veículos e na mercadoria que levamos.

A novidade aqui, já introduzida em Spintires, está na tecnologia de simulação de terrenos e nos obstáculos e desafios que apresenta.

Os nove mapas presentes no jogo principal e os dois adicionais em American Wilds estão cobertos de estradas e caminhos lamacentos, dos quais o jogador terá que planear muito bem o seu percurso para cumprir os objetivos propostos.

Não é, certamente, um título para todos, mas é extremamente interessante perceber como um dos aspetos mais chatos em jogos de corridas ou exploração, em que por vezes queremos subir uma colina ou sair de uma zona com força, se torna no ponto mais divertido e cerebral do jogo.

Os terrenos mais agrestes apresentam-se extremamente desafiantes, com a lama a ficar colada às ranhuras dos pneus dos veículos e estes a afundarem de acordo com as suas dimensões e pesos. A expressão “patinar na lama” é o lema deste jogo e, para ultrapassar estes momentos, vamos ter uma série de ferramentas ao nosso dispor, como ganchos que podem ser presos à vegetação e edifícios. Podemos até recorrer a outros veículos ao nosso dispor, como jipes, tratores e outros camiões.

A jogabilidade e a condução dos veículos também é bastante diferente do comum. Por exemplo, os ângulos de viragem do volante são enormes e o controlo tem algum atraso, dando, por vezes, a sensação de que estamos a controlar veículos telecomandados e não uma representação virtual que responde imediatamente às nossas ações.

A física e a forma como os veículos interagem com os terrenos e as diferentes elevações é impressionante, com os eixos e suspensões em constante movimento e uma deformação de pneus em tempo real exagerada, mas muito interessante.

Visualmente não é dos jogos mais bonitos, mas é extremamente consistente, quer no aspeto, quer em performance. Na PlayStation 4 normal, onde foi testado, Mudrunner pode ser jogado com framerate bloqueado nos 30fps ou livremente. A primeira opção é, sem dúvida, onde encontramos a experiência mais autêntica. O jogo corre bastante bem e esta fluidez torna-se bastante importante pela forma como controlamos o jogo.

Os modelos dos veículos licenciados são bastante sólidos e detalhados, representando bastante bem as suas versões reais em que se baseiam. No jogo base, encontramos uma coleção de veículos maioritariamente da região soviética, já em American Wilds temos veículos mais ocidentais, como por exemplo os Frightliner Trucks, Fords e Hummvees.

Os menus são simples e até algo arcaicos, mas bastante funcionais e fáceis de navegar. A interface em jogo, apesar de não ser nada de especial, é bastante intuitiva de se usar e de navegar. Os controlos importantes estão sempre no ecrã e é fácil perceber as diferentes funções mesmo saltando o tutorial, ainda que seja essencial.

Já os interiores dos veículos deixam a desejar, apresentando pouco detalhe e um aspeto muito genérico. Felizmente, o nosso foco está nas câmaras exteriores, e é aqui que o jogo apresenta um conjunto de câmaras bastante práticas, fáceis de controlar e, na maioria das vezes, focadas nas nossas ações.

Menos bom é o áudio do jogo, especialmente na música, que, para além de apresentar uma seleção fraca de faixas, a própria qualidade sonora deixa muito a desejar. A música, em particular, apresenta-se cheia de ruído, recomendando-se a sua desativação.

Com dois novos mapas representativos dos estados de Montana e Dakota do Norte e nove novos veículos ao nosso dispor, o jogo larga o tom cinzento e apresenta-se um pouco mais colorido. A qualidade do ambiente sofre também alterações com diferentes tipos de vegetação, formações rochosas e estruturas espalhadas pelos dois mapas.

Há uma sensação de liberdade maior na exploração, com espaços mais abertos, mas mantendo o mesmo desafio e sentimento de urgência nas fases mais críticas.

Esta expansão é dirigida para os fãs do género ou para quem procura um desafio extra, com uma seleção de veículos, na sua maioria, mais confortável em porções de asfalto, mas que, pela natureza do jogo, terão que ser usadas em estradas lamacentas. O desafio é maior e requer paciência, assim como muita tentativa e erro.

No geral, Spintires: MudRunner – American Wilds não são uma experiência para qualquer tipo de jogador. O título tem ferramentas e funções bastante convidativas e um conceito bastante interessante, mas é necessário uma mente aberta para entrar no espírito lamacento de Mudrunner.

Spintires: MudRunner – American Wilds está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

Este jogo foi cedido para análise pela Ecoplay.


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