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Análise – Microsoft Flight Simulator

Até o tempo voa.

Microsoft Flight Simulator

Uma das novas apostas da Microsoft, ou melhor, dos Xbox Games Studios, é um exclusivo para PC (pelo menos por enquanto), tendo o objetivo de revitalizar a longa série de simuladores de aeronáutica, que já existia muito antes de termos simuladores de tudo.

Mais focado no realismo puro e duro, temos então Microsoft Flight Simulator, naquele que promete ser o mais ambicioso que a série alguma vez já viu e que se mostra como tal até para quem nunca jogou um título anterior.

Sempre tive um enorme fascínio por aviões. Na realidade por qualquer veículo que voasse, fosse ele real ou de ficção científica, e, durante muito tempo na minha infância, eu tinha um sonho: andar de avião. Durante esse mesmo período fiz coleções, montei inúmeros modelos da Revell, aprendi mais sobre aviões do que sobre Pokémon e, eventualmente, o sonho evoluiu para “pilotar um avião”, mas eventualmente percebi que as minhas competências físicas e académicas não estavam muito para aí viradas.

Jogar Microsoft Flight Simulator em 2020 foi um pouco nostálgico em certos aspetos. Por um lado, despertou de novo o meu interesse na aviação, que esteve anos adormecido; por outro lembra-me dos pesadelos de experimentar as demos de títulos anteriores, vindas em discos da revista Mundo do CD-ROM, onde não sabia como raio levantar voo.

Desenvolvido pela produtora francesa Asobo, que recentemente nos trouxe algo completamente diferente em A Plague Tale, esta nova aposta pode parecer bastante intimidante. Aqui, temos a possibilidade de interagir com os aviões e o ambiente à nossa volta de uma forma que podemos fazer um completo role-play de capitão de um Boeing 747, com uma variedade de ações que nos levam à observação da pista, tráfego, condições atmosféricas, gestão e manuseamento de mil e um botões no cockpit e até fazer pequenas chamadas para as torres de controlo, muito antes de metermos o nosso veículo com asas a trabalhar.

Felizmente para os fãs mais hardcore, a Asobo parece ter-se dedicado a 1000% em todas as possibilidades e atividades que um piloto tem diante dos seus olhos e das suas mãos quando se senta na cadeira de avião. Já para os mais novatos e curiosos, a produtora fez também um excelente trabalho em tornar tudo tão simples ao ponto de podermos voar num registo quase mais “arcade”, com diferentes níveis de dificuldade por escolher e uma incontável lista de parâmetros de assistência que podem ser ativos e desativados, de acordo com a forma como queremos experimentar Microsoft Flight Simulator.

Experiência é a palavra chave em Microsoft Flight Simulator, até porque este “jogo” não se joga. Há objetivos, há missões, há até tabelas de pontuação, mas o objetivo não é sair vencedor ou passar de nível através dos objetivos propostos. É, sim, aprender, relaxar e depois explorar.

Não esperava outra coisa e, confesso, não sou muito fã de jogos que me levem pelas mãos, mas foi extremamente reconfortante encontrar um tutorial extenso, dividido por lições, que nos oferece as bases de condução e navegação pelo jogo. Alguns bugs de parte (como por exemplo objetivos propostos que não apareciam logo na primeira missão), o tutorial de Microsoft Flight Simulator não é extenso ao ponto de tirarmos a carta de avião, mas é suficiente para podermos desfrutar da experiência que nos aguarda nas missões de viagem, de aterrar em condições complicadas e de exploração.

Com o mundo inteiro à nossa espera (literalmente), com todos os aeroportos do mundo, onde quase meia centena está recriada à mão, não há barreiras nem limites por onde podemos viajar. Ambicioso na teórica, mas extremamente exequível na prática, viajar por Microsoft Flight Simulator é, no fundo, como usar um serviço tipo Google Earth, marcando pontos de interesse e passagens por alguns dos locais mais exóticos da Terra, que podemos viajar em tempo real, com condições atmosféricas reais (aproximadas de acordo com a atualização dos servidores) e com trafego aéreo real.

Esta ambição é fantástica quando podemos viajar por alguns dos locais mais belos do mundo, onde, visto por cima, tudo tem uma beleza incontornável, e que para muitos de nós nunca poderá ser apreciada de outra maneira. Por outro, há alguns sacrifícios, com locais, incluindo capitais, onde o sistema de procedural resulta em aproximações visuais um pouco desapontantes. Por cada bela skyline detalhada de uma Nova Iorque, temos várias regiões, como Lisboa, com pontos de interesse substituídos por pontes genéricas e edifícios que não têm nada a ver com o seu paralelo real.

Mas estes defeitos não afetam tanto a experiência como estava à espera. Afinal de contas, a representação real que temos em serviços de mapas semelhantes também fica, por vezes, longe do real, e quando estamos dentro de um cockpit ou a voar a mais de 10 mil pés de altura, a imersão não quebra. E também porque muita da beleza do jogo encontra-se na geografia terrestre, colorida e detalhada com um enorme realismo, que ganha mil e uma dimensões diferentes dependendo do horário e condições atmosféricas dinâmicas. Contudo, há muitos locais mais exóticos que beneficiam por passagens bem mais rasantes onde até alguma fauna podemos ver a deambular em regiões abertas, ou aves a voar em bandos.

São também de destacar, obviamente, os belos visuais do jogo. Sendo extremamente realistas, produzem belíssimas paisagens, criam atmosfera e tensão e permitem-nos relaxar dentro dos aviões, muitíssimo bem reproduzidos até mesmo ao mais ínfimo detalhe. É um autêntico portento gráfico que nos responde facilmente porque é que Flight Simulator ainda não teve um lançamento para consolas, nomeadamente da geração atual com a Xbox One. Não seria, de todo, impossível, tendo em conta que o título corre bastante bem num computador mais modesto, mas só se desfruta na sua totalidade numa máquina mais exigente.

Como referia em cima, Flight Simulator é mais uma experiência do que um jogo. E diria até que é até uma plataforma de relaxamento, com missões e objetivos que fazem com que o tempo também voe graças à sua imersão e beleza. Uma plataforma no sentido em que, no fim do dia, uma viagem entre dois aeroportos pode servir de momento de meditação ou para por em dia os nossos podcasts favoritos, tudo isto enquanto procuramos a melhor e mais segura rota para uma aterragem perfeita.

Flight Simulator pode não ser para todo o tipo de jogadores, mas irá certamente agradar ao seu público alvo. É, sem qualquer dúvida, um jogo a espreitar, especialmente se tiverem 150GB de espaço no vosso disco e o acesso à biblioteca do Xbox Game Pass.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Plataforma: Windows 10 PC
Este jogo foi cedido para análise pela Xbox Portugal.

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