Marvel’s Guardians of the Galaxy – 2021 Odisseia Galática

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Estes não são os Guardians of the Galaxy que conhecem. São melhores. Num jogo que é um reflexo do carinho dos criadores em contarem histórias emocionantes e com muita alma.

Há uma tendência de constante avaliação sequencial e crítica para quem joga novos jogos com alguma regularidade e está sempre a par das últimas novidades A cada título novo que gostamos muito, temos tendência de o atirar para a nossa lista de jogos do ano, e por vezes de forma cega. E não há nada de errado nisso. Um jogo que tenha esse efeito significa que, apesar das suas falhas, mexeu connosco a nível emocional. E significa também que, com ele, passámos um ótimo bocado.  

Marvel’s Guardians of the Galaxy foi um dos jogos mais recentes que me deixou nesse estado. Após terminá-lo, tive uma pequena branca e, tirando um ou outro jogo de destaque, a minha memória estava varrida e limpa de outras grandes malhas que joguei nos últimos 11 meses. Foram breves momentos, mas o tempo suficiente para ter que pegar nas minhas cábulas e largar um “ah pois foi, também joguei isto que é muito bom e já me estava a esquecer”.

Se ainda não entenderam, vou ser claro: adorei Marvel’s Guardians of the Galaxy. Não é um jogo perfeito – sofre bastante de alguma falta de polimento -, mas foi uma surpresa tão grande que, mesmo com outros jogos que muito antecipava para este ano já nas minhas mãos, era desta aventura espacial da qual não conseguia escapar.

Desenvolvido pela Eidos-Montréal, que nos trouxe os novos Deus Ex e Shadow of the Tomb Raider, Marvel’s Guardians of the Galaxy é um dos projetos mais inesperados deste ano, não só para mim, mas para o público em geral, especialmente depois do sabor amargo que Marvel’s Avengers deixou com o seu foco no multijogador, problemas de design e pelo “potencial” de expansividade do Universo de Jogos da Marvel. Felizmente, Marvel’s Guardians of the Galaxy não podia ser mais diferente.

Também sob a chancela da Square Enix, Marvel’s Guardians of the Galaxy apresenta uma história completamente nova e isolada de qualquer outro jogo, ou dos dois filmes realizados por James Gunn, mas de onde tira algumas inspirações. É também um jogo focado na experiência a solo, com uma aventura linear num formato que apenas a Sony e o seu catálogo de exclusivos tem trazido para cima da mesa. Este formato é, provavelmente, o aspeto mais surpreendente, tendo em conta que o elenco de personagens de Marvel’s Guardians of the Galaxy tinha tudo para pedir uma experiência co-op. Mas ainda bem que tal não aconteceu.

Na pele de Star-Lord, somos atirados para a missão mais “Guardians of the Galaxy” possível, uma que corre obviamente mal e que se desenvolve numa sequência contínua de peripécias numa espécie de bola de neve, até se confrontarem com a mãe de todas as ameaças para aquela galáxia. De dívidas para pagar, a assaltos mal conseguidos, a exércitos galáticos em perseguição, o ritmo narrativo é perfeito para esta aventura de sensivelmente 20 horas e a escala dos eventos eclipsa tudo o que foi tentado, por exemplo, nos filmes.

Mas a escala destas situações e premissas épicas seriam ocas se não houvesse recheio, ou coração, algo que Marvel’s Guardians of the Galaxy tem até à exaustão. Especialmente no desenvolvimento do seu elenco de personagens bem mais extenso e interessante que o grupo principal composto por Star-Lord, Gamora, Drax, Rocket e Groot. Estes cinco e outras personagens conhecidas ou mais obscuras são todas usadas com a devida atenção e espaço para marcarem a história de alguma forma, não se reduzindo a meras referências e cameos.

Este tipo de atenção existe um pouco por todo o jogo. Nada parece ser por acaso e Marvel’s Guardians of the Galaxy abraça tudo o que pode fazer com a maior das suas forças. Um exemplo disso está na sua incrível playlist, composta por um álbum metal feito em exclusivo para o jogo da banda fictícia Star-Lord e por uma seleção de músicas populares dos anos 80, que incluem malhas tão boas como “Holding Out for a Hero” de Bonnie Tyler, “I Ran” de A Flock of Seagulls, “Take On Me” dos a-ha, “The Final Countdown” dos Europe e, a cereja no topo do bolo, “Never Gonna Give You Up”, de Rick Astley, que não são um simples set-dressing do jogo, mas que ajudam a avançar a narrativa de formas emocionantes e até surgem numa das mecânicas principais de jogabilidade.

Mas sem dúvida alguma que o mais apaixonante nesta aventura é a dedicação que a equipa da Eidos-Montréal depositou na direção artística e na escrita de Marvel’s Guardians of the Galaxy. Dos níveis altamente detalhados e vibrantes apresentados como se tivessem saído das páginas de um artbook, passado pelo design das personagens mais próximo do material original do que das suas contrapartes fílmicas, à incrível caracterização de cada uma delas, com personalidades mais interessantes e bem desenvolvidas do que James Gunn conseguiu traduzir para o grande ecrã, tudo é maravilhoso. Star-Lord é mais aventureiro e atento a tudo o que se passa em seu redor, com preocupações legítimas e de cabeça mais fria, tornando-o extremamente empático; Gamora apresenta-se mais aberta e disposta a querer fazer parte do grupo, apesar das suas raivas; Drax apresenta-se surpreendentemente mais inteligente e estóico, tornando as suas tentativas de sarcasmo muito mais eficazes; Rocket é um absoluto louco; e Groot… bem, Groot é o Groot, adorável e com os seus momentos de destaque.

Com um tom de ação e aventura, todo o jogo faz-se acompanhar de incríveis interações entre os personagens que parece que nunca se calam, tornando os momentos de exploração e combate, parte integral da narrativa, em cenas de ação interativas. Existe, no entanto, alguma repetição de citações e catchphrases que são impossíveis de fugir, mas, no geral, há um cuidado em manter o texto contínuo e fluído de momento para momento, agarrando-nos ao comando por mais um checkpoint ou outro.

Visualmente, Marvel’s Guardians of the Galaxy é um portento gráfico, muito graças à direção artística e à apresentação das suas cinemáticas altamente bem realizadas. As áreas que vamos explorar são diversas, coloridas e psicadélicas, e algumas até com atmosferas mais sombrias e aterradoras, que servem de pano de fundo para sequências épicas. Não é, no entanto, uma constante, com cinemáticas secundárias mais pobres e algumas animações durante o jogo menos bem conseguidas, revelando alguma falta de polimento num jogo que parece ser uma rara pérola.

Também menos bem conseguida é, infelizmente, a sua jogabilidade. O jogo divide-se em duas partes, exploração e combate. Na exploração temos puzzles ambientais e procura de itens, como fatos alternativos e pontos para atualizar habilidades, que ocupa cerca de 50% da experiência e ajuda a manter o ritmo perfeito do jogo. Já no combate, Marvel’s Guardians of the Galaxy podia ser mais bem trabalhado, com impactos mais fortes e uma gestão de controlos mais imediata – menos atalhos dentro de atalhos -, porque afinal de contas, apesar de controlarmos Star-Lord nos momentos mais caóticos, com as suas quatro habilidades, temos também a possibilidade de ordenar cada um dos Guardiões, também com quatro habilidades cada um. A jogabilidade é, no fim de conta, simples, mas a sua profundidade é desnecessariamente complexa e, infelizmente, imutável até ao final do jogo.

Existem, contudo, sequências surpresa e outros momentos de jogo que só seriam possíveis num meio interativo como este, ajudando a tornar Marvel’s Guardians of the Galaxy em algo ainda mais especial. Quando chegou a hora de me despedir dos Guardiões, senti uma imediata saudade e sede por uma continuação, ao mesmo tempo que estava com dificuldades em verbalizar o quanto gostei desta aventura.

Apesar das suas falhas e até problemas técnicos relatados por outros jogadores, Marvel’s Guardians of the Galaxy marcou-me o suficiente para o colocar ao pé de outros grandes jogos deste ano. É pessoal, pois claro, mas há características neste título que são inegáveis, e uma delas é que é um jogo que existe graças a um enorme carinho dos seus criadores. E isso é excelente.

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Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Bandai Namco.

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