Len’s Island – O aborrecimento da rotina

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Apesar das suas boas ideias, Len’s Island está demasiado incompleto para agarrar os jogadores, especialmente quando existem ofertas mais sólidas no mercado.

A minha experiência com Len’s Island foi inglória. Admito-o. Parece que caí numa sucessão de acontecimentos improváveis que se foram agigantando numa campanha pouco ou nada divertida. Secalhar bastou uma má decisão para entrar nesta espiral decadente ou talvez seja o resultado do mau design de Len’s Island. Neste momento é difícil saber, mas quero dar o benefício da dúvida e não vos prevenir do que este jogo de exploração e sobrevivência tem para oferecer. Mas, num registo mais pessoal, teria intenções de regressar? Não acredito.

Len’s Island ainda está em Early Access. Existem muitos elementos que podem mudar e melhorar com o tempo, mas, por agora, trata-se de um dos jogos de sobrevivência mais básicos e seguros que já joguei. Depois de criarmos a nossa personagem, caímos num arquipélago, onde temos um conjunto insatisfatório de ilhas para explorarmos. Não temos uma direção, um mapa ou um objetivo para concluir. Estamos entregues às nossas próprias ações. A liberdade é tão sufocante que eu fiquei desorientado. O que fazer agora? Quais são as mecânicas e as exigências do jogo? Comecei por recolher recursos, como madeira e pedras, à medida que me habituava ao esquema de controlos, onde controlamos a personagem unicamente com o rato, tal como um point and click. Mas o que fazer com estes recursos? E onde construir? As perguntas continuavam a amontoar-se.

A recolha de recursos não é muito diferente do que vimos noutros jogos. Aproximamo-nos de uma árvore, ou pedra, selecionamos a ferramenta correta – aqui sem o risco de se quebrarem ao fim de algumas utilizações –, e começamos a lascar os objetos em busca dos itens que nos permitirão construir de tudo um pouco. Len’s Island tenta dar alguma profundidade a esta atividade aborrecida ao adicionar um sistema de combinações e timing correto, algo semelhante ao sistema de combate de Phantasy Star Online, onde temos de acertar no momento indicado para aumentar o poder de ataque. Isto significa que é mais importante sermos ponderados nos ataques do que rápidos, seja na recolha de recursos ou em combate. Também temos acesso a habilidades que se desbloqueiam de acordo com as armas que temos à nossa disposição, mas em Len’s Island não temos acesso a uma lista de armamento até desbloquearmos a mesa de trabalho, o que significa que terão de explorar as ilhas para encontrar melhor armamento.

Com os recursos em mãos, temos a possibilidade de construir a nossa casa. Para tal, acedemos ao menu rápido que nos mostra todas as opções que temos, desde os vários elementos que constituem uma casa – como as paredes e o chão, seja em pedra ou em madeira –, até a objetos mais decorativos que procuram dar alguma personalidade às vossas criações. O sistema de construção é muito acessível e intuitivo quando funciona. Digo isto porque encontrei vários momentos em que não consegui rodar o ecrã e posicionar os itens onde queria, criando alguma confusão e frustração desnecessárias. E este é o problema principal de Len’s Island: não existe grande satisfação na jogabilidade. As mecânicas são sólidas, mas falta-lhes alma e motivações para levar os jogadores numa longa aventura.

O arquipélago esconde vários locais, mas não existe motivação para os encontrarmos. Esta foi a minha reação quando me apercebi que estava constantemente a deparar-me com a promessa da exploração, mas sem sentir que estava a descobrir uma nova zona. Por exemplo, é normal encontrarem entradas para cavernas, altares e até ilhas temáticas – como a ilha dos piratas –, mas existe muito pouco para fazer nestas localizações. Andamos, clicamos, lutamos ocasionalmente e continuamos em frente. A liberdade deve ser sempre um objetivo para este tipo de jogos e podemos argumentar que Minecraft apostou na mesma estrutura e transformou-se num colosso da indústria, mas falta algo a Len’s Island. Esperemos que seja apenas um sintoma do lançamento em Early Access, pois não termos acesso a um mapa é um erro crasso e indesculpável, especialmente quando existem tão poucos monumentos e locais de interesse que nos guiem. As ilhas são muito idênticas entre si.

Por agora, Len’s Island é isto. Um misto de potencial e de falta de ambição. Não posso censurá-lo demasiado porque ainda não está concluído. É suposto faltar algo. No entanto, a falta de direção, os cenários vazios, a ausência de motivação para construir o nosso próprio reino retiraram-me completamente do jogo, ao ponto de não ter vontade em regressar. É a base para algo mais e agora resta saber o que a Flow Studio irá fazer. Manter-me-ei ao longe, de binóculos. A liberdade extrema nos videojogos pode ser tão assustadora, como fascinante.

Cópia para análise (versão PC) cedida pela Decibel PR.

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