Análise – LEGO DC Super Villains

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Eu já sabia onde me ia meter. Sabia perfeitamente que, ao analisar LEGO DC Super Villains, iria sentir aquela… enfim… irritaçãozinha. Não por causa da idade-alvo deste jogo. Não porque tenha algo contra a DC Comics. A minha irritaçãozinha é dirigida a jogos que, simplesmente, não acrescentam nada.

Passo a explicar. LEGO DC Super Villains encaixa-se na saga dedicada ao “Homem-Morcego” (ou Homem-Lego-Morcego?) e narra a história dos Justice Syndicate, a versão duma dimensão alternativa da Justice League. Eles invadiram a Earth-3 e expulsaram a Justice League, fazendo-se passar por bons da fita. No meio desta trama surge a nossa personagem, customizável, que possui a estranha capacidade de absorver super-poderes diferentes.

Cabe, assim, aos vilões juntarem-se todos para conseguir salvar o Planeta Terra e ficar sem oposição alguma. Dito assim, até parece um enredo demasiado pesado para crianças. Mas não é. Se há ponto onde LEGO DC Super Villains acerta, é no humor. A sensação que fica é que estamos a ver um desenho-animado ao fim-de-semana, e não se levando demasiado a sério, torna a experiência mais divertida, seja qual for a idade do jogador.

O outro elogio que tenho reservado para este jogo é a galeria de personagens que podemos usar. Efetivamente, são várias dezenas de rogues da DC Comics. Para os fãs mais casuais como eu, temos ícones como o Joker, Lex Luthor ou Grood, mas há aqui personagens para todos os gostos, desbloqueáveis à medida que progredimos na história.

Cada uma destas personagens tem um super-poder associado, para podermos utilizar nos vários puzzles espalhados pelos níveis. E ainda bem que mencionei puzzles, porque esta vai ser a porta de entrada para começar a análise mais crítica. É que chamar “puzzles” aos obstáculos que surgem nos vários níveis é ser-se extremamente simpático.

A mecânica de cada nível é básica. Precisamos de destruir todo o cenário para conseguir obter peças LEGO. Estas funcionam como dinheiro para desbloquear alguns dos heróis da DC, utilizáveis na secção Free Play, que mais não é que um revisitar dos níveis da história para entrar em novos caminhos e obter peças escondidas.

No meio desta destruição, existem ondas de inimigos que temos de ir vencendo, à medida que vamos progredindo no nível. Isto acontece ininterruptamente, até nos darmos de caras com barreiras que apenas conseguimos transpor com a personagem correcta. Agora perguntam vocês: como é que descobrimos qual a personagem correcta? Pelo formato do obstáculo? Pistas que cada barreira apresenta? Tentativa e erro?

Nada disso. Descobrem, porque assim que encontram uma barreira, surge o ícone da personagem a utilizar. Clica-se no O (na versão PS4) e tau! Barreira superada. Puzzle concluído. E aqui está o ponto fulcral que me impede de recomendar este jogo. É que, por um lado, o pacote geral está muito bem conseguido. As personagens em versão Lego têm imensa personalidade e todas elas ligam-se bem, umas com as outras.

Os gráficos também estão bem conseguidos, tendo em conta que a exigência também não era muito alta. Porém, nota-se que existe muito respeito e carinho pela franquia, no seu todo. Este é, aliás, um ponto em comum com todos os jogos Lego. Não nos esqueçamos que, para além de videojogos, estes em específico são produtos de marketing, criados para suscitar interesse na compra de produtos LEGO.

A música também é interessante e é muito curioso ressalvar a personalidade que a mesma tem, versus outros jogos de super-heróis como o Marvel’s Spider-Man, que mais não é que a remistura de temp music utilizada nos mais variados filmes da Marvel. Os segredos no mundo aberto também são interessantes, enquanto mecânica para aumentar a longevidade do jogo.

Mas a simplificação extrema da jogabilidade não é desculpável. Percebo que o jogo esteja canalizado a um público-alvo muito mais jovem, mas é justamente isso que me deixa ainda mais reticente. Um videojogo existe para divertir e estimular. Ora, LEGO DC Super Villains estimula a componente visual e auditiva, sim. Mas não nos faz aprender a jogar melhor.

Cada elemento de jogabilidade está construído para ser transposto com o mínimo desafio possível. Tens que ir a um sítio? Toma um marcador no mapa, mais um trilho iluminado a indicar o caminho, mais uma luz fluorescente que te diz que é para ali que deves ir. Encontraste uma barreira num nível? Nem percas tempo a pensar. Cada nível é jogado com um set definido de personagens, para que nem tenhas de te preocupar com o balanço da tua equipa.

Estão muitos adversários à tua volta? Se premir a tecla de ataque furiosamente te está a cansar (e acreditem, é mesmo só isso que é necessário), pressiona a tecla para agarrar e utilizar um super-poder. Curiosamente, todos eles dizimam qualquer adversário normal.

O boss está a ser mais complicado que o normal? Não há problema – o jogo escolhe-te a personagem ideal para lutares com ele, ao invés de pensares por ti próprio e decidir quais os melhores super-poderes para vencer aquele padrão. And so on, and so on, and so on.

Os adultos de 30 anos entraram no mundo dos videojogos com Legend of Zelda, Metroid, Final Fantasy, Dragon Quest. Jogos direcionados para crianças, mas sem lhes dar a mão. Estimulando-as a descobrir, a desafiar, a experimentar, a desbravar. LEGO DC Super Villains cria um produto muito polido, sem grandes falhas ou riscos, com muito respeito pelo material de origem. Mas não se enganem: isto é um produto. É marketing.

Existem alternativas muito melhores, menos dispendiosas e bem mais conseguidas no mercado. Tanto para crianças, como para graúdos. Aconselho o jogo apenas e só se forem muito apaixonados pela DC Comics e pela Lego, em geral.

Este jogo foi cedido para análise pela UpLoad Distribution.

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