Análise – John Wick Hex

Um olhar ao que vai na mente do Baba Yaga nos momentos mais delicados.

John Wick Hex

Lançado originalmente no final do ano passado para PC e Mac, depois da febre do terceiro capítulo da saga de ação cinematográfica, John Wick dispara finalmente nas consolas, mais precisamente na PlayStation 4.

Parece que há um consenso generalizado na crítica e na comunidade: John Wick Hex, a primeira adaptação a jogo licenciada da saga, é uma surpresa, no sentido em que não é o shooter tradicional na primeira ou na terceira pessoa que facilmente seria traduzido para os mundos virtuais, mas sim um jogo tático, reminescente de jogos de tabuleiro e estratégia.

Esta abordagem faz todo o sentido quando percebemos o que está em jogo, que é o tempo e os reflexos rápidos da personagem titular, ou seja, as habilidades que lhe dão a vantagem nas frenéticas cenas de ação dos filmes. Em John Wick Hex, nós não só controlamos Wick pelos vários níveis, como espreitamos como funciona a sua “mente”, ao podermos escolher a melhor e mais eficaz ação em pequenas frações de tempo.

Esta descrição poderá dar a entender que John Wick Hex é rápido e frenético, mas, neste caso, não é bem assim. Para cada ação ou movimento, há uma porção de tempo que é gasta e apresentada na parte superior do ecrã, com o relógio do jogo em pausa entre cada uma dessas ações. E para apimentar a coisa, a escolha de cada uma dessas ações afeta o movimento do mundo, incluindo inimigos que se aproximam ou atuam autonomamente para nos atacar, criando regularmente momentos de tensão e ansiedade a cada encontro.

Na mesma barra de tempo que nos mostra o gasto por ação, temos também linhas de tempo para cada ação dos inimigos que podem demorar mais ou menos do que as nossas, dando-lhes vantagem ou desvantagem nas rápidas trocas de tiros. É um jogo de estratégia ativo, inspirado no modelo por turnos, mas com um twist bastante interessante, obrigando-nos a tomar as decisões mais eficazes possíveis.

John Wick Hex

A jogabilidade torna-se ligeiramente mais profunda com a atenção a pormenores mais tradicionais de videojogos, como a gestão de energia – importante para movimentos mais rápidos de cobertura ou para ataques corpo a corpo -, gestão de vida e, como seria de esperar, a gestão das munições, fazendo com que tenhamos de mudar constantemente de arma com as que vão sendo deixadas pelos inimigos.

Felizmente, o jogo conta com uma variedade de armas muito limitada, o que nos retira a preocupação de apanhar “as melhores” e, assim, qualquer arma serve. O sucesso das nossas missões depende mais da nossa habilidade em percorrer o mapa eficazmente do que limpar todos os inimigos.

Removendo toda esta camada estratégica, conseguimos imaginar como é que este modelo traduz tão bem o que pensa John Wick durante os seus combates nos filmes. Aliás, é para isso que serve o modo de replay, que mostra, de uma forma mais ou menos cinemática, como foi o nosso desempenho ao longo dos níveis.

Lançado depois de Chapter 3, John Wick Hex é uma prequela da trilogia, com uma missão tão simples e direta como a dos filmes. Em vez de uma missão de vingança ou fuga, em Hex temos uma missão de resgate dos amigos de John Wick, Winston e Charon (que são novamente protagonizados pelos atores dos filmes, Ian McShane e Lance Reddick), das amarras do vilão titular, Hex, aqui protagonizado por Troy Baker.

A história do jogo é contada através de painéis estáticos, narrados pelos três atores, que vão trocando linhas de diálogo à medida que John Wick, neste jogo mudo, viaja entre ruas, discotecas, galerias de arte, montanhas e outros locais para derrotar a rede de Hex.

John Wick Hex

A apresentação do jogo é altamente inspirada na estética de banda desenhada, com uma palete de cores limitada a tons de rosa e roxo e modelos de personagens exagerados. A direção de arte é, no geral, interessante, mas, tal como o género do jogo, distancia-se do tom cinemático dos filmes, sendo muito fácil distanciarmo-nos desse mundo.

A nível de animações, John Wick Hex é também relativamente simples, e a sua quantidade de ações limitadas vão tornando o jogo relativamente repetitivo de missão para missão, com apenas um pano de fundo e, eventualmente, a estratégia de ataque contra bosses e inimigos mais poderosos.

John Wick Hex é uma recomendação estranha para quem é fã da ação explosiva dos filmes. É uma aposta inesperada, mas curiosa, e que merece a atenção dos jogadores que procuram um jogo de estratégia, mas não muito cerebral.

Oferece um olhar interessante ao mundo de John Wick, com mais um capítulo no seu currículo, mas que poderá ser facilmente descartável até para os grandes fãs.

John Wick Hex está disponível para PC, Mac e, agora, na PlayStation 4.

Nota: Bom

Plataforma: PC, Mac e PlayStation 4
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Cosmocover.

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