Análise – Glyph (Nintendo Switch)

Um jogo de plataformas frustrante, mas perfeito para a Nintendo Switch.

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Começamos agosto com um conceito diferente de jogo de plataformas. Em Glyph, não exploramos cenários deslumbrantes ou mundo intergalácticos enquanto realizamos saltos impossíveis e colecionamos moedas, medalhas ou parafusos dourados por níveis expansivos. Não, em Glyph, o foco está na tensão, nos saltos milimétricos e na velocidade com que viajamos ao longo de níveis repletos de perigos e obstáculos que nos podem transportar para o início da corrida com apenas um erro. É difícil, frustrante, mas sempre viciante, o que torna Glyph num lançamento perfeito para a Nintendo Switch.

E digo isto porque Glyph constrói-se através de níveis curtos, divididos por várias zonas, onde a duração média ronda os dois minutos. O objetivo varia de acordo com o tipo de nível e, se num momento estamos a correr pelo melhor tempo, noutro somos obrigados a navegar as estruturas desérticas em busca de chaves e outros colecionáveis. O conceito é muito seguro e, se jogaram Marble Madness, irão reconhecer a sua junção entre saltos estratégicos e o controlo da força e da velocidade do nosso besouro dourado, com os controlos a manterem uma simplicidade que os tornam intuitivos, mas nunca o suficiente para perderem o seu foco na dificuldade.

A nível visual, os níveis não surpreendem devido à sua aposta numa estética em cores quentes, mas existem apontamentos que realçam não só as zonas de destaque, como os próprios poderes do nosso besouro. Em Glyph, podemos não só saltar, como planar, escalar paredes, mas também usufruir de novos poderes que nos permitem temporariamente saltar duas vezes e aumentar a eficácia da nossa personagem. Com níveis lineares e de fácil leitura, torna-se imperativo perceber como utilizar estas habilidades e como exponenciar o motor de física do jogo, algo que é enaltecido pela possibilidade de combinarmos todos os poderes numa só ação – como saltar duas vezes, planar e bater no chão para termos um salto adicional que nos permite viajar pelo nível sem cairmos nas suas areias movediças.

Apesar da sua jogabilidade acessível, Glyph cai regularmente na frustração devido à sua exigência em saltos quase milimétricos. Não existem dúvidas que o seu conceito constrói-se em torno desta jogabilidade de cortar a respiração, mas as mecânicas nem sempre acompanham e o motor físico, juntamente com o tamanho reduzido de certas plataformas, não justificam a sua aposta na velocidade. Ao contrário dos mais recentes Marble Madness, não há espaço para experimentar ou vontade em fazê-lo quando temos de colecionar constantemente as mesmas chaves para chegarmos ao final de um nível.

A progressão tenta colmatar este problema ao repartir o desbloqueio de novas zonas pelos vários colecionáveis em jogo, mas existe sempre um momento em que veremos o progresso interrompido pela falta de gemas ou moedas. No entanto, a sua recolha, tal como do cobiçado besouro dourado, é divertida e alguns dos segredos estão muito bem escondidos, com Glyph a pedir que repitamos várias vezes os seus níveis para que possamos memorizar padrões e melhorar o nosso tempo – tomara que não fosse tão frustrante.

Os templos abandonados de Glyph não surpreendem, mas é divertido ver o mundo a reconstruir-se à medida que avançamos e desbloqueamos novas áreas. A verdade é que existe muito para ver no novo jogo da Bolverk Games e a portabilidade da Nintendo Switch exponencia a nossa vontade em tentarmos “só mais uma vez”. É um jogo impróprio para cardíacos, cuja jogabilidade é suficientemente limada para uma experiência mais casual, mas igualmente sádica para aqueles que quiserem terminar tudo a 100%.

Nota: Bom

Disponível para: PC e Nintendo Switch
Jogado na Nintendo Switch
Cópia para análise cedida pela Press Engine.

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