Análise – Game Builder Garage (Nintendo Switch)

Melhor que a ideia, só a interface simples e intuitiva.

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A Nintendo tem a sua quota de jogos peculiares, mas este Game Builder Garage tem um conceito particularmente especial, pois é um jogo sobre programar jogos para jogar (nós, amigos e o resto da comunidade).

O menu inicial é muito simples, sendo composto apenas por duas opções: “Interactive Lessons” (lições interativas) e “Free Programming” (programação livre). Apesar de usar a lógica e conceitos gerais de programação, a linguagem (100% interativa) é única e dedicada, adaptada à criação de jogos e ajustada de forma a ser inclusiva, independentemente da idade de quem está a jogar. Posto isto, programadores experientes ou não, aconselho sempre a começar pelas lições interativas. Não só têm acesso a um processo de aprendizagem organizado e metódico, como ficam a saber o que é possível usar na hora de programar o vosso jogo, através de ótimos exemplos de aplicação dos comandos disponíveis.

As lições interativas são compostas pela programação de sete jogos distintos de raíz, sempre precedidos de cinco desafios para aplicar tudo o que se vai aprendendo, em tom de teste “ligeiro”. Ao longo das lições, somos presenteados com a companhia de duas bolinhas IA que servem de instrutores e, para além disso, existe ainda um guia (“Alice’s Guide”) que vai sendo atualizado progressivamente com explicações visuais detalhadas de aplicabilidade de comandos/funcionalidades já usadas na programação dos jogos.

Já na secção de programação livre, para além de ser onde ficam guardados os jogos elaborados nas lições interativas, é também onde vai acontecer toda a ação de Game Builder Garage, caso queiram dedicar-se a sério. Não é que seja uma secção complexa, porque não é, mas é nesta secção onde se criam novos projetos para elaborar jogos do zero. Para além disso, também é aqui que é feita a partilha de projetos próprios com a comunidade ou receber outros projetos de amigos (localmente) ou da comunidade do jogo (online).

Como já referi anteriormente, o conceito de Game Builder Garage é muito simples, mas extremamente bem pensado. A ideia passa claramente por cultivar o gosto pela programação nos mais novos logo desde cedo. Embora considere que seja um jogo para todas as idades, a forma acriançada como está construído deixa claro o objetivo de cativar os mais novos.

Agora mediante o objetivo final da Nintendo, este tanto pode ser um jogo genial, como um jogo bom, mas mal aproveitado… Passo a explicar. Se a ideia da Nintendo, com o lançamento deste título, for analisar jogos publicados pelos utilizadores e encontrar novos talentos “escondidos” para oferecer formações à priori ou até integrar na empresa em produções de jogos futuros, é uma jogada genial. Se não houver um objetivo maior por detrás deste jogo, fica a sensação de desaproveitamento, pois a Nintendo perde aqui uma oportunidade única para criar um modelo sustentável para desenvolver uma nova linha de jogos de referência e fortalecer os seus quadros de programadores criativos de jogos, tornando-se ainda mais numa empresa de referência na indústria.

Em relação a enquadramento de idades, creio que, apesar de ser um bom jogo para os mais novos, se calhar não é muito indicado para crianças com idades inferiores aos 12 anos. Isto porque, apesar de ser um jogo, é um jogo muito técnico, na medida em que a finalidade em vista é mais a aprendizagem do que a diversão. Pelo menos para já, que ainda não há muitos jogos criados e os sete jogos das lições são um pouco limitados. É precisa alguma dedicação e entrega por parte de quem está a jogar para tirar proveito do mesmo e divertir-se enquanto o faz. Embora fique um bocado de pé atrás caso seja um jogo para os mais novos jogarem a solo, tenho a certeza que, se o caso for um jogo para quem tem irmãos ou hábito de jogar no seio familiar, pode ser um exercício interessante e gratificante.

A nível de importância para a comunidade gamer, não tenho dúvidas nenhumas que a Nintendo sacou aqui um coelho da cartola. Game Builder Garage desvenda, de forma divertida e dinâmica, o que é preciso para construir um jogo e a complexidade por detrás de mecânicas simples dos jogos mais básicos. Inevitavelmente ficamos a pensar sobre o grau de exigência e complexidade para desenvolver um Ghost of Tsushima, um The Legend of Zelda, um Horizon Zero Dawn ou um Red Dead Redemption, e percebemos o porquê de GTA 6 só sair daqui a uns anos.

Caso a Nintendo decida apostar numa sequela para o Game Builder Garage, sou da opinião que deva incluir mais jogos nas lições interativas. O acréscimo do número de lições vai ajudar bastante a consolidar conceitos e funcionalidades de comandos. Acaba também por providenciar uma maior alavancagem para fazer com que o utilizador se deixe absorver pelo jogo e se dedique a sério ao mesmo. A introdução de temas diferentes também não era mau pensado, dado que o standard é, como já referi, um pouco acriançado, criando alguma saturação.

O veredito final é positivo. Primeiro porque o público geral fica com uma ideia (muito superficial) do que é preciso para construir um jogo. Depois é uma ideia útil, principalmente para os mais novos, que ficam com uma ideia geral do poder e importância da programação desde cedo. Por fim, ganha por ser um exercício muito interessante para ter em família (entre irmãos, primos ou pais e filhos) ou entre amigos, que inevitavelmente vai fomentar o espírito crítico, a entre-ajuda, a capacidade de raciocínio e de solução de quebra-cabeças.

Fica no ar é a dúvida se a Nintendo, enquanto empresa, vai aproveitar este jogo para algo maior em benefício próprio. Acaba por ser uma simbiose saudável, pois vai motivar os interessados e dar um empurrão nas vendas a médio/longo prazo.

Nota: Muito Bom

Disponível para: Nintendo Switch
Jogado na Nintendo Switch
Cópia para análise cedida pela Nintendo Portugal.

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