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Análise – Fe – Um jogo de plataformas adorável

Entre altas produções e sequelas de propriedades já estabelecidas, a Electronic Arts tende a apostar, por vezes, em jogos mais independentes, abraçando as ideias e visões de estúdios mais pequenos.

Um desses jogos é Fe, da produtora Zoink, que a EA distribuiu fazendo parte da sua coleção EA Originals.

Lançado em fevereiro, Fe pode ter passado despercebido aos olhos de muitos jogadores, o que é uma pena, porque é um dos jogos mais interessantes deste ano.

Algo que podemos comentar de imediato é a sua apresentação. Fe é um jogo extremamente bonito. Com uma estética baseada em low-poly, com modelos e ambientes de formas simplificadas, o mundo de Fe é todo ele cristalizado e cheio de formas pontiagudas e angulares, onde a iluminação e a paleta de cores dão forma a tudo o que vemos no ecrã.

O aspeto fractal deste mundo contraria a temática apresentada, mas de uma forma propositada. Num mundo onde tudo parece sintético, quase tudo o que nele habita é, na realidade, orgânico, cheio de plantas, árvores, animais, rios e lagos.

Em Fe vamos controlar um pequeno ser que se assemelha a uma pequena raposa de cristal. No início é apenas adorável, e pouca personalidade tem para além do seu aspeto, mas, ao logo do jogo, começamos a encontrar algo de especial neste ser.

Fe é um título que prima por comunicar através de imagens e som. Não há textos, não há vozes, nada. Apenas indicadores visuais, animações e os gritos dos animais. É um jogo que dá uma grande importância à comunicação não só peles mecânicas, mas pelo modo como informa o jogador, ou como o mundo interage e reage.

A base deste jogo é, no fundo, o modelo de plataformas à antiga, em que exploramos um mundo semiaberto com diferentes áreas de exploração que vão abrindo e mostrando caminhos alternativos à medida que vamos progredindo no jogo.

O nosso objetivo é libertar este mundo das forças do mal. Uma raça robótica instalou-se neste planeta e começou a raptar uma série de animais. Com a ajuda da nossa raposa, vamos ter que criar amizades com diferentes raças e usar as suas habilidades para limpar essas áreas do mal.

Se ao início Fe pode parecer deprimente e demasiado simples, o jogo rapidamente torna-se bastante interessante e profundo. Como se de matemática se tratasse, em que começamos com contas de somar e avançamos para grandes equações, a jogabilidade de Fe torna-se interessante quando podemos ter diferentes abordagens para passar um obstáculo, seja ele com recurso às nossas habilidades ou com a ajuda de outros seres por perto.

É neste aspeto que Fe requer alguma atenção. Cada obstáculo é uma espécie de puzzle, quer pelos caminhos a tomar ou pelas habilidades a usar. No fim acaba por haver um grande sentimento de recompensa, juntamente com o de vontade de dar uso às novas habilidades e amizades no nível seguinte.

As habilidades disponíveis são variadas. Existem seis centrais ao uso da voz da nossa raposa e outras habilidades físicas, como a de trepar árvores, voar ou agarrar e atirar objetos, criando uma enorme flexibilidade na forma de jogar.

Também ao longo do jogo o mundo vai ficando alterado. Novas áreas ficam disponíveis, surgem novos animais, mas, acima de tudo, torna o jogo extremamente mais agradável a nível visual, ficando mais colorido e vivo do que inicialmente.

A jogabilidade, apesar de profunda e interessante, é o elemento que perde algum do seu brilho e pode frustrar um pouco os jogadores com a sua imprecisão nos controlos.

Saltar de árvore em árvore ou de plataforma em plataforma com o recurso das asas é viciante, mas requer um cuidado acrescido, caso contrário o personagem morre e, por vezes, isso pode significar um recuo significativo em relação ao ponto onde já estávamos no nível.

Há também alguns momentos em que a inteligência artificial não se comporta como queremos, especialmente em partes do jogo que nos obrigam a seguir uma personagem. Uma pequena distração pode deixar-nos perdidos e, no caso de precisarmos de uma determinada habilidade e voltarmos para trás, pode ser necessário voltar ao menu inicial para recarregar o jogo.

O áudio é dos elementos mais importantes do jogo. Não só nos fornece dicas sobre o que fazer, como é a base das habilidades e da comunicação entre os diferentes animais. Contudo, pode ser um pouco irritante, uma vez que qualquer ação liberta gritos agudos que, por vezes são essenciais.

Fe é um jogo pequeno, algo que seria mau noutro tipo de jogo. Neste caso, as quatro-cinco horas passadas em Fe, divididas em pequenas porções, mostram uma longevidade perfeita para o que oferece. Curto, mas satisfatório.

Claro que quem tiver paciência e curiosidade para obter todos os troféus e explorar todos os segredos também o poderá fazer a qualquer momento, aumentando, assim, a sua longevidade.

Fe é, sem dúvida, um bom jogo, com muito mais história e progressão do que aparenta. É uma jornada colorida, dinâmica e cheia de charme, com potencial para se tornar num pequeno jogo de culto a longo prazo.

Fe está disponível para PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

FE
Nota: 8/10

Este jogo foi cedido para análise pela Electronic Arts.

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