Análise – Evoland: Legendary Edition

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Com alguns jogos a aproveitarem a recente popularidade da nostalgia, é interessante ver como Evoland consegue pegar numa formula tão conhecida para construir a sua homenagem/paródia ao género RPG. Depois de um lançamento no PC, que apanhou os fãs de surpresa, a série chega agora às consolas na sua edição definitiva, contando com os dois títulos completos num pacote perfeito para os mais saudosistas.

Evoland é um exercício interessante na forma como recria, quase fielmente, alguns dos títulos mais populares do género RPG, juntamente com as suas mecânicas e clichés narrativos. Tal como o nome sugere, é uma série que nos leva numa viagem temporal, de evolução, através de uma campanha que mistura histórias que nos relembram clássicos como Final Fantasy VII ou Adventure of Mana.

A série jorra nostalgia e a forma como consegue emular a jogabilidade das diferentes eras dos videojogos é muito eficaz e quase idêntica aos títulos originais, criando uma experiência não só sólida como reconfortante, na medida em que reconhecemos facilmente todas as suas inspirações. Este reconhecimento é necessário para a nossa degustação dos dois jogos e é no seu equilíbrio entre homenagem e paródia que encontramos alguns dos momentos mais cómicos e desafiantes, onde o novo e o velho atingem um equilíbrio.

É no primeiro jogo que sentimos mais esta aposta na evolução e na construção de uma montra temporal. Evoland tem um ritmo muito acelerado e, em pouco tempo, coloca-nos a desbloquear várias mecânicas essenciais para o género através de baús espalhados pelo mapa.

À medida que avançamos, o jogo disponibiliza mais cenários e faz com que a ação evolua desde cenários 2D até a modelos em sprites ou cidades pré-renderizadas e, por fim, desbloqueando todo um mundo em 3D. Há uma evolução constante e muito bem construída que torna palpável todas as décadas de desenvolvimento que o género foi sofrendo entre gerações de consolas.

A série consegue, no entanto, ir mais além. Não estamos perante uma simples adaptação gráfica, mas também de mecânicas. Quando falamos em viagem temporal, estamos a ser o mais diretos e sinceros possíveis, e Evoland não perde tempo em demarcar bem a sua estrutura. Se o jogo começa por ser um clone de The Legend of Zelda, rapidamente nos leva para cenários onde teremos de lutar através de combates aleatórios e por turnos, até à exploração de masmorras ou a níveis claramente inspirados em Diablo e noutros RPG de ação. É neste ritmo de descoberta que a campanha nos agarra e se torna tão viciante, deixando-nos numa constante curiosidade sobre qual a próxima mecânica a ser apresentada.

O problema do primeiro jogo é que se torna um pouco cansativo, apesar da sua curta duração. O ritmo é frenético, sem dúvida, e a jogabilidade muito próxima dos originais, mas há algo que falha no sistema de combate de Evoland. Os golpes não têm grande impacto e o posicionamento dos inimigos é mais chato e injusto do que desafiante e divertido. O facto de só ganharmos pontos de experiência nos combates por turnos tira alguma da necessidade de lutarmos nos restantes cenários do jogo, tornando a exploração mais chata do que seria de esperar e condicionando a evolução da própria personagem (onde os níveis não têm qualquer efeito).

A falta de puzzles interessantes e visualmente apelativos, de um mapa mais extenso ou de uma maior coesão entre mecânicas e homenagens, são outros sinais claros que Evoland vive mais da sua ideia do que da própria experiência que proporciona.

O que salva a coleção de ser uma mera curiosidade é a sequela. A aposta na evolução continua a estar presente, mas há um maior cuidado em tecer uma história mais interessante e mais competente na organização e desenvolvimento dos clichés do género. Kuro, o nosso protagonista, é, como seria de esperar, um jovem amnésico que tem de descobrir as suas origens enquanto luta contra uma misteriosa força, algo que marcou a maioria dos RPG na década de 90. É um cliché enorme, mas que hoje é visto com alguma ternura pelos fãs, e Evoland 2 consegue pegar nestes elementos e construir um mundo mais sólido que vive para além das suas homenagens.

Os gráficos estão também mais apurados, desde os cenários em 2D até aos modelos 3D, apresentando um mundo muito mais colorido e variado, tanto no número de zonas como na presença de vários modelos de personagens e de inimigos.

É também um jogo muito mais fácil de controlar, ainda mais intuitivo e que adiciona novas mecânicas, como a presença de um parceiro com habilidades especiais, tanto na exploração como no combate e na resolução de puzzles. É um mundo mais competente em todos os sentidos e é fácil de perceber como Chrono Trigger, Dragon Quest V e até a série Professor Layton influenciaram a sua produção. Mas aqui, sem grandes problemas para destacar.

Claro que tanto Evoland como a sua sequela nunca deixam de ser pequenas homenagens, mas é interessante ver como a série evoluiu de jogo para jogo, nomeadamente na construção do mundo e no equilíbrio entre homenagens e paródias. Não sabemos até que ponto há espaço para crescer, mas com um género tão vasto como este, onde existem tantas mecânicas e histórias clássicas, talvez existe ainda uma perspetiva por explorar.

Evoland: Legendary Collection é perfeito para os fás de RPG, especialmente para aqueles que adoram e seguiram a evolução das produções japonesas. Existem inúmeras referências para descobrir e são dois jogos que jorram amor pelo género que homenageiam, algo que se torna contagiante à medida que avançamos e compreendemos o nível de cuidado em cada jogo.

Estão longe de serem perfeitos, mas com uma sequela tão sólida como Evoland II, que tanto faz para se distinguir de uma mera homenagem, torna-se difícil de não recomendar, ainda que tenhamos de sublinhar a curta duração dos dois títulos e a sua falta de imaginação em alguns momentos de ambas as campanhas.

Mas se quiserem uma valente bomba nostálgica, esta coleção irá deixar-vos mais do que satisfeitos.

Evoland está disponivel para PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Este jogo (versão PS4) foi cedido para análise pela Shiro Games.

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