Análise – Dreams

Sete anos depois do seu anúncio, a Media Molecule regressa com mais um jogo criativo que promete explorar a criatividade dos jogadores até novos patamares. Falamos de Dreams, que chegou à PlayStation 4 no dia mais romântico do ano, 14 de fevereiro, como se de uma carta de amor aos videojogos se tratasse.

- Publicidade -

Com uma fase de acesso antecipado lançada durante o ano passado, não tive a oportunidade de começar logo a criar e a experimentar as capacidades de um jogo cheio de potencial. O meu primeiro contacto foi com a versão final, como será para muitos jogadores agora, e, de alguma forma, sinto que a espera valeu a pena.

Dreams não é propriamente um videojogo convencional. Não está limitado às características clássicas que definem um jogo. Não tem um único género, não tem um único tipo de jogabilidade e não se pode definir pelos seus gráficos ou direção artística, isto porque Dreams é uma plataforma onde toda a gente pode criar o seu jogo, filme, música, experiência, visão, etc.

Dreams

O que normalmente está limitado a engenheiros e profissionais criativos, com anos de experiência em código e programas avançados de construção de jogos, com Dreams essa barreira desaparece. Graças a um conjunto de tutoriais simples de seguir, controlos intuitivos com o sensor de movimentos do DualShock 4 e uma panóplia de assets e elementos prontos a serem usados, tudo o que é preciso para começar a fazer um jogo é uma ideia, criatividade e, como é obvio, alguma destreza e conhecimento dos controlos. O potencial de criar obras únicas é enorme e a minha breve experiência no jogo tem sido fascinante.

Apesar de não ter criado nada de que me sinta orgulhoso ou seguro de partilhar com o mundo, vagueei pela galeria de conteúdos que já conta com centenas de mini-jogos e experiências inspiradoras que nos deixam a sonhar com o potencial de Dreams nas mãos de pessoas dedicadas.

Tendo eu passado muito tempo em diferentes comunidades criativas, que levam ao limite as capacidades dos videojogos para explorar lados mais artísticos (como por exemplo a criação de artes nas portas de carros em Forza e Gran Turismo ou os níveis em Super Mario Maker), o que encontrei em Dreams já ultrapassa qualquer expetativa.

Numa simples busca encontrei jogos e experiências com níveis de produção equivalentes a alguns jogos independentes, museus virtuais com artes e animações altamente profissionais e até curtas bem realizadas com músicas e trabalhos de vozes originais, feitos inteiramente em Dreams.

Viajar entre projetos é uma aventura e, claro, como seria de esperar, é fácil encontrar muita palha e projetos menos interessantes, mas inspiradores o suficiente para podermos tirar ideias, fazer melhor ou até aproveitar o trabalho feito pelos jogadores.

Além desta componente criativa e social, a Media Molecule não nos deixou de mãos a abanar sem uma experiência única e talvez mais convencional. Entre vários exemplos de mundos e experiências criadas pela produtora no seu próprio jogo, temos Art’s Dream, uma espécie de longa metragem animada interativa que explora quase todas as dimensões de Dreams.

A pequena história, de cerca de duas horas, inclui tanto conteúdo que quase vale a pena a aquisição do jogo apenas por esta experiência. É, em parte, um filme, um jogo de point and click, um jogo de aventuras e plataformas, um shooter, um musical e muito, muito mais.

Art’s Dream serve de experiência interativa e de montra de tudo o que é possível criar no jogo, com uma mistura de elementos visuais rara num jogo convencional, onde navegamos pelas memórias, sonhos e mente de um artista em busca de autoconfiança. Tudo isto através de uma história adorável e muito emocionante.

Além deste pequeno segmento, temos uma série de conteúdos e escolhas da própria produtora, atualizados com regularidade sem qualquer custo adicional, que prometem dar uma longevidade a Dreams sem qualquer comparação.

Apesar de Dreams ainda viver apenas do potencial da comunidade e da criatividade dos jogadores, já é um pacote completo até para quem acha que não consegue criar, mas há tanto para explorar, tanto para aprender, tanto para nos inspirarmos que é impossível negar que a Media Molecule não só tem aqui algo de especial, como cumpre a promessa com um dos jogos mais ambiciosos, talvez, de sempre.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Dreams

Plataforma: PlayStation 4
Este jogo foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

Mais do que um jogo, Dreams é uma plataforma social e criativa, com o potencial de podermos mesmo criar as nossas obras de sonho. Uma carta de amor aos videojogos e um dos projetos mais ambiciosos desta indústria.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Análise – Samurai Warriors 5 (PlayStation 4)

1 contra 1000: quem irá ganhar? É melhor apostarem no primeiro.

Análise – Olympic Games Tokyo 2020 – The Official Video Game (Xbox One)

Olympic Games Tokyo 2020 – The Official Video Game é claramente uma abordagem simples, familiar e intuitiva aos Jogos Olímpicos, sendo um complemento perfeito nesta época em que acompanhamos os nossos atletas e desportos favoritos.

Análise – Within the Blade (PlayStation 4)

Vivam a experiência de serem ninjas num jogo competente, mas com alguns problemas de jogabilidade.

DreamsCom regressa com mais um festival virtual de experiências feitas no Dreams

A DreamsCom 21 começa já no próximo dia 27 de julho.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Bem Bom é o filme português mais visto desde 2019

Já precisávamos de boas notícias.

Afinal, os bares podem funcionar já a partir de 1 de agosto

Desde que apliquem as regras dos restaurantes.

Governo anuncia três fases para a “libertação”. Discotecas poderão voltar a funcionar em outubro

Espera-se que, em finais de outubro, 85% da população portuguesa esteja totalmente vacinada.