Análise – Devil May Cry 5 Special Edition

Um mimo para os fãs, na nova geração, com um pacote completo.

Devil May Cry 5 Special Edition
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Em 2019, a série Devil May Cry quebrou um sono profundo de 11 anos desde o seu último jogo numerado, com Devil May Cry 5, um jogo de ação que elevou a fasquia no frenesim caótico de um hack and slash, acompanhado por visuais incríveis, uma banda sonora poderosa e, claro, um sentido de estilo muito apurado.

Com as novas consolas já aqui, a Capcom aproveitou para relançar o seu mais recente jogo, com uma já tradicional para a série Special Edition, desta vez exclusiva para as novas consolas da Sony e da Microsoft, as PlayStation 5 e as Xbox Series X e Series S.

Para já, apenas em formato digital, mas em breve em formato físico, além de conteúdos anteriormente adicionados ao jogo original, esta nova edição destaca-se pela adição de Vergil, uma personagem que foi durante o lançamento um enorme spoiler para quem estava a jogar pela primeira vez, mas um spoiler bastante difícil e evitar quando os fãs pediram incessantemente que a Capcom o adicionasse como personagem jogável.

Vergil apresenta-se, assim, como personagem jogável logo de início, com a possibilidade de jogarmos pelos níveis todos do jogo, tal como quando jogamos com as restantes três personagens do elenco, onde vamos acumular orbs e desbloqueando o poder adicional das habilidades do irmão de Dante.

A sua jogabilidade é, como seria de esperar, diferente da de Dante, Nero ou V, mas pede um pouco emprestado a ambos, desde a agressividade de Dante ao posicionamento estratégico de V, dependendo das armas e dos poderes escolhidos. Há, sem dúvida alguma, uma curva de aprendizagem para os movimentos e combos, especialmente para quem não joga Devil May Cry 5 há algum tempo. Porém, a progressão ao longo dos níveis, o desbloqueio de habilidades ou a possibilidade de jogar a campanha original são mais do que razões suficientes para pegar em Vergil e começar a limpar demónios.

Devil May Cry 5 Special Edition

É divertido, é frenético, é caótico e viciante. Vergil distingue-se facilmente das restantes personagens, oferecendo aqui mais uma razão para revisitar o jogo com uma nova perspetiva. E, para a cereja no topo do bolo, conta também com o seu próprio tema que o acompanha ao longo de cada confronto.

Com Vergil adicionado, Devil May Cry 5 Special Edition é, virtualmente, o mesmo jogo que o original, sem tirar nem por. É um jogo que, por si só, é excelente, aparecendo nesta altura também para tentar puxar um pouco mais pelos seus já incríveis visuais com o poder das novas consolas, nomeadamente a PlayStation 5 e a Xbox Series X, onde o jogo recebe suporte de Ray-Tracing e suporte de resoluções 4K até 120fps.

Com acesso ao jogo para a PlayStation 5, não me foi possível testar os 120fps de forma ideal, por limitações do meu ecrã, mas pude explorar algumas das opções extra disponíveis nesta edição do jogo. O ray-tracing pode ser ligado, desligado e tem até uma opção de estar ligado em modo de desempenho. E temos ainda o modo High Framerate mode, que desbloqueia os tais 120fps.

Na prática, o comportamento é interessante e, por vezes, redundante, especialmente para a maioria dos jogadores sem ecrãs e monitores capazes de reproduzir 120fps a 4K. No modo High Framerate, o jogo opera até 120fps, o que pode dar a sensação de maior fluidez aos jogadores mais sensíveis. No meu caso, a experiência não foi muito diferente da que já estava habituado no jogo original. Neste modo, o Ray-Tracing não está ativo, o que também ajuda nesse sentimento de familiaridade.

Devil May Cry 5 Special Edition

Já os modos ray-tracing, por muito ambiciosos e promissores que sejam para esta nova geração, acrescentam menos do que seria de esperar para um jogo como Devil May Cry 5. No modo de baixa qualidade começamos a ver vidros, espelhos e metais a refletir personagens e cenário de forma realista, bem como cores de superfícies a iluminarem interiores e objetos com diferentes tons. Contudo, a ação do jogo, e das suas cinemáticas, é tão frenética que só é possível admirar e sentir essa diferença quando paramos para procurar esses pormenores que, na realidade, não são de tão boa qualidade como, por exemplo, o que já vimos em Marvel’s Spider-Man Miles Morales.

Neste modo, o jogo opera de forma igualmente fluida, orgânica e sem perdas. O mesmo não se pode dizer do modo de alta qualidade de ray-tracing que, para o detalhe extra, já se sente o peso e uma flutuação de fluidez abaixo do que seria de esperar para uma experiência a 60fps. Conta com as mesmas vantagens do modo anterior, com uma ligeira melhoria de qualidade, mas com um custo de desempenho demasiado elevado e redundante para a experiência Devil May Cry.

No caso da PlayStation 5, o jogo tira partido de algumas funcionalidades do DualSense, nomeadamente a nível de vibração e da saída de som da sua coluna, em efeitos na navegação de menus, mas nada que se revele um muito diferenciador da experiência na geração passada.

Devil May Cry 5 era um fantástico jogo em 2019 e continua a sê-lo agora com a sua Special Edition. A promessa desta edição é cumprida de alguma forma, não só com a adição de uma personagem que convida à revisitação deste título, mas também com melhorias visuais interessantes que podem melhorar a experiência de jogo para muitos jogadores. Mas está longe da perfeição.

Nota: Muito Bom

Plataformas: Xbox Series X|S e PlayStation 5
Este jogo (versão PlayStation 5) foi cedido para análise pela Ecoplay.

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