Dawn of the Monsters – Monstros de domingo à tarde

Apesar das melhores intenções, Dawn of the Monsters perde rapidamente o seu charme.

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Não são todos os dias que encontramos videojogos que nos transportam para realidades de heróis gigantescos e monstros imponentes. Inspirado pelos clássicos tokusatsu e filmes kaiju, Dawn of the Monsters alimenta-se da nostalgia para trazer-nos um beat’em up em proporções gigantescas. Ao controlo de quatro heróis, a nossa missão é eliminar os Nephilim e reconquistar as zonas abandonadas numa luta pela sobrevivência numa campanha inicialmente divertida, mas que revela ser mais limitada do que aparentava ser pela ausência de uma progressão mais definida e de variedade nos confrontos.

A 13AM Games apostou tudo nesta homenagem ao cinema japonês de género e trouxe-nos representações clássicas dos eternos homens em fatos de borracha, onde conseguimos claramente reconhecer as inspirações em Ultraman, Godzilla e até Evangelion. A nossa equipa é composta por um misto de robôs, heróis e monstros enormes, cada um com as suas habilidades, vantagens e desvantagens que funcionam tão bem a solo, como em modo cooperativo com outro jogador. Os monstros inimigos também refletem esta aproximação ao género kaiju, relembrando alguns dos adversários de Godzilla e não só, criando cenários de batalha onde tudo é destrutível, tal como se estivéssemos numa enorme maqueta de cinema.

A campanha tenta recriar a sensação de uma aventura a nível global e apresenta cinco zonas muito distintas – desde a cidade de Toronto até aos desertos do Cairo – que se dividem por várias fases. As missões não fogem muito ao que esperam de um jogo deste género, apostando quase exclusivamente nos combates contra criaturas igualmente gigantescas. Ao longo das fases, encontramos monstros, mini bosses e pequenos desafios que tentam injetar alguma variedade aos níveis muito repetitivos da campanha. A 13AM Games tentou colmatar esta estrutura rígida com fases em que temos de sair do raio de explosão de uma bomba, lutar contra o tempo, mas também momentos em que somos obrigados a evitar raios e ondas gigantes enquanto controlamos as hordas de inimigos que nos atacam. Infelizmente, não é o suficiente para afastar a sensação de rotina que se rotina, até quando a longevidade é tão limitada. No entanto, a campanha mantém-se presente através do sistema de pontuação que nos avalia no final de cada confronto, incentivando-nos a repetir os níveis para obtermos uma maior pontuação e desbloquear novas opções cosméticas e habilidades para os nossos monstros.

O sistema de combate não procura ser inovador e consegue ser profundo o suficiente num primeiro contacto, ainda que não se mantenha muito empolgante do principio ao fim. Dawn of the Monsters segue a fórmula conhecida do género beat’em up, onde temos quatro personagens com habilidades diferentes e um leque extenso de criaturas para eliminarmos. Temos ataques normais e pesados, um desvio, uma defesa e várias habilidades especiais que refletem a natureza dos nossos heróis, desde o ataque de fogo de Megadon até ao combate corpo a corpo de Aegis Prime. As combinações são fáceis de realizar e o jogo adiciona novas opções de combate durante os primeiros níveis, como ataques pesados mais poderosos e que fazem toda a diferença quando defrontamos grupos de inimigos. Também é de louvar a presença de parry, quando defendem no tempo certo; de um desvio perfeito, que cancela os ataques inimigos; e um ataque mais poderoso e destrutivo quando enchem a barra de Cataclysm. Não é muito, mas é o suficiente para dar alguma profundidade a um jogo que nunca tenta ser mais do que acessível e intuitivo para os seus jogadores.

O sistema de pontuação é o ponto de partida para mais uma funcionalidade que procura dar alguma substância a Dawn of Monsters. Através da pontuação no final dos níveis, temos acesso a habilidades passivas (augmentations) que melhoram os atributos das nossas personagens. Estas habilidades, que são diferenciadas pela sua raridade – desde o azul até ao laranja – permitem que moldem a experiência à vossa vontade. Podem, por exemplo, definir que os ataques pesados recuperam energia – para além das execuções, que recuperam sempre pontos de vida -, mas também invencibilidade a seguir a um desvio perfeito e o aumento do poder de ataque de certas combinações. Cada personagem pode equipar três habilidades passivas, algumas delas exclusivas para cada uma das quatro, e existe espaço suficiente para brincarem com estas opções à vontade. Se não quiserem novas habilidades, podem, no final de cada nível, vender tudo e recolher mais dinheiro, que permite que adquiram novos fatos para as personagens, mas também melhorias para a vida e barra de raiva destes colossos.

Infelizmente, Dawn of the Monsters faz muito pouco com as suas personagens, seja nos momentos de diálogo – que surgem como uma visual novel ao longo da campanha – ou nas cinemáticas entre combates. A escala dos cenários não é suficientemente eficaz para transparecer o tamanho colossal das nossas personagens e é agravada pela ausência de elementos decorativos capazes de injetar alguma personalidade a estas cidades, desertos e pântanos estáticos. O design das personagens também é muito repetitivo e descobrimos relativamente cedo que a maioria dos inimigos é composta por mudanças ligeiras de cor para significar uma diferença nos seus poderes e padrões de ataque. Isto não seria um problema se o número de inimigos não fosse tão limitado para um título desta natureza, mas Dawn of the Monsters é muito desapontante no que toca às suas surpresas.

A repetição é um problema e Dawn of the Monsters perde rapidamente a sua aparente profundidade mecânica quando encontramos os mesmos inimigos e as mesmas habilidades ao longo da campanha. O combate é divertido, mas é também marcado por uma certa lentidão que procura transparecer o peso e tamanho das personagens, só que o efeito não é totalmente satisfatório. As nossas personagens são facilmente derrubadas, o que quebra muito o ritmo dos combates, permitindo aos nossos adversários que continuem a atacar e a tirar-nos partes significantes da nossa vida sem que possamos ripostar a tempo.

A simplicidade nem sempre é um problema e a duração curta dos níveis motiva-nos a tentar mais um combate e a desafiar a nossa pontuação à medida que reunimos mais fundos para melhorarmos as nossas personagens. Dawn of the Monsters não é um incrível beat’em up, mas apresenta-se sobre uma capa incomum, de monstros e heróis colossais, e consegue ser divertido em pequenas doses. Só não esperem retirar muito desta experiência limitada.

Cópia para análise (PlayStation 5) cedida pela WayForward.

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