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Análise – Concrete Genie

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Concrete Genie é a aposta colorida da PlayStation 4 para o mês de outubro, um jogo de produções modestas da californiana Pixelopus que, após alguns adiamentos desde a sua revelação em 2017, chega com toda a confiança e de forma quase triunfante. 

Em Concrete Genie controlamos Ash, um jovem que se refugia entre as folhas de papel do seu caderno e lápis de pintar para se afastar dos tormentos dos rufias que o perseguem e para fugir de um mundo cada vez mais negro e poluído.

É num dos episódios mais negros de Ash que ele descobre as suas fantásticas habilidades, as de dar vida às suas criações imaginárias que normalmente desenhava no seu caderno. Com um acesso a um pincel mágico, Ash pode desenhar criaturas em paredes, dar-lhes vida e tornar o mundo um sítio melhor através da sua arte colorida, despoluindo o mundo. 

Inicialmente também pensado para a PlayStation Vita, Concrete Genie deixou a portátil da Sony para trás, focando-se apenas na PlayStation 4, mas mantendo algumas das mecânicas mais interessantes da plataforma. Com recurso ao Dualshock 4, damos aso à nossa criatividade e pintamos paredes, resolvemos puzzles e desenhamos criaturas que nos vão ajudando ao longo do jogo. Mas esta é apenas uma porção do que o jogo tem para oferecer, com esta capacidade única do DualShock a poder ser desativada dando lugar ao uso dos analógicos do comando.

Concrete Genie é um jogo bastante clássico na sua forma. É uma espécie de jogo de plataformas à antiga, onde viajamos de local em local em busca de colecionáveis, e onde temos que enfrentar vários objetivos para avançar. O twist aqui, porém, está na forma de como o fazemos. Ao invés das “moedas” ou “anéis”, somos convidados e quase obrigados a dar luz à vila costeira de Densk, iluminando lâmpadas em paredes e tetos com o recurso ao nosso pincel mágico. Já os obstáculos são, muitas vezes, ultrapassados com as combinações de ações com o auxílio dos nossos amigos imaginários, os Genies.

Apesar de Ash ser o nosso herói, os Genies são as estrelas do jogo, criaturas de uma outra dimensão que existem não só na imaginação de Ash, mas que ganham forma e vida nas paredes dos edifícios e interiores da pequena vila. Com diferentes habilidades, automaticamente associadas com o progresso do jogo, podemos escolher as suas propriedades que, além do aspeto, alteram também as suas personalidades. 

Ao longo do jogo, não vamos passar muito tempo individualmente com cada Genie , mas teremos tempo suficiente para estabelecer um interessante laço, quer pelos objetivos propostos, quer pela forma adorável que param para nos pedir um desenho ou um mimo.

Há um certo aroma a The Last Guardian em Concrete Genie difícil de ignorar e que encaixa na perfeição no tema do jogo, uma vez que Ash, solitário e afastado dos outros meninos, encontra aqui uma das poucas formas de partilhar a sua bondade e felicidade, algo que torna o jogo altamente adorável e emocional.

Mas as emoções não se ficam somente por momentos assim, mas também pelos temas, mensagens e pela estrutura surpreendente do jogo, que é, de certa forma, difícil de explicar sem entrar no território dos spoilers.

Concrete Genie podia ser um simples jogo de plataformas com mecânicas forçadas, mas não o é. De todo. Ao longo da aventura, a habituação ao mundo e à escalada dos eventos e obstáculos tornam o jogo em algo fácil de se ficar investido, numa jornada de seis a sete horas que parecem muito mais, graças ao tempo que passamos a resolver alguns puzzles mais cerebrais a procurar aquela última lâmpada por acender e, por vezes, simplesmente a pintar paredes com formas e criaturas.

Com uma apresentação muito adorável e, por vezes, negra, Concrete Genie faz um excelente trabalho em comunicar os seus temas através da arte, num jogo que lembra filmes de Tim Burton, com um pouco de stop-motion nas animações faciais das personagens e outros elementos que parecem ter sido feitos à mão. É um jogo que transpira inocência em quase todos os seus elementos e que parecem tirar partido dos seus valores de produção.

Contudo, existem alguns problemas que podem chatear os jogadores mais exigentes. A falta de HDR no lançamento do jogo faz-se sentir e é uma oportunidade perdida de mostrar as capacidades da consola da Sony nas melhores televisões. Concrete Genie é um jogo que usa e abusa de cores intensas, luzes, sombras e locais mais escuros, que seriam um perfeito show-off para a tecnologia. O desempenho é sólido durante quase todo o jogo na PlayStation 4 Slim, mas existem instâncias em que há quebras notórias, como em zonas de conflito e algumas cinemáticas. 

Mas no que importa, Concrete Genie conta com uma aventura muito emocional. É extremamente satisfatório e um jogo muito sólido e equilibrado, com momentos de história e mecânicas por vezes bem inesperadas e surpreendentes pela positiva. No fim, fica aquele sentimento de que podia ter mais. A vontade de voltar a Densk para encontrar mais criaturas permanece e há formas de o fazer, através do modo Free Painting, que permite revisitar as áreas do jogo e dar vida a novos Genies, mas que se fica apenas pela parte criativa, sem grandes objetivos por explorar. Há ainda um modo VR, mas este não tive oportunidade de experimentar. 

Para miúdos e graúdos, há um pouco de tudo para Concrete Genie, um jogo que explora um dos lados mais primais e inocentes da nossa infância, a criatividade, mas que também não tem medo de explorar temas mais maduros com mensagens bonitas sobre compaixão, empatia e amizade.

Concrete Genie é um exclusivo PlayStation 4 e chega à consola no dia 9 de outubro.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Concrete Genie

Plataforma: PlayStation 4
Este jogo foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

Após alguns atrasos, a Pixelopus traz-nos um dos jogos mais adoráveis do ano para a PlayStation 4. Concrete Genie é uma satisfatória e emocional jornada que usa a fantasia e a imaginação para transmitir mensagens fortes e educativas, com um jogo divertido, inteligente e inesperado.

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